Duas visões diferentes sobre os futuros dos jornais foram apresentadas nesta segunda-feira, dia 11, pela revista britânica The Economist e pelo editor espanhol fundador de El País e presidente do grupo editorial Santillana, Juan Luis Cebrián. The Economist traz reportagem de 14 páginas sobre o futuro dos diários. A revista, cujas vendas estão em alta nos últimos anos, deixou em segundo plano a queda de publicidade e de circulação nos jornais europeus e americanos para destacar o crescimento das publicações nos países emergentes.
De acordo com The Economist, entre 2005 e 2009, a circulação de jornais cresceu 39,7% na Índia, 20,7% no Brasil e 10,4% na China. A revista avalia positivamente a presença de redes sociais como Facebook e Twitter, que estimulam a leitura de reportagens produzidas pelos jornais. Para o futuro, o texto aponta as boas oportunidades de novos negócios para os jornais, que dispõem de marcas de prestígio para investir em empreendimentos como livrarias on-line, organização de seminários e eventos e produção de materiais didáticos. A conclusão da reportagem aponta o retorno para o jornalismo mais caótico e partidário do século 19, antes do surgimento dos meios de comunicação de massa.
Já Cebrián, 66 anos, está pessimista. O espanhol esteve no Brasil na semana passada – inclusive no Rio Grande do Sul onde estabeleceu parceria com o governo do Estado para intercâmbio na área de comunicação – e concedeu entrevista ao jornal Folha de S.Paulo. Cebrián destaca que, até o momento, nenhum jornal obteve sucesso financeiro ao migrar para a rede mundial de computadores. “O problema está no fato de que um jornal na Internet não é um jornal, é uma outra coisa. Sou radical nesse sentido, inclusive quando falamos da credibilidade das marcas”, diz.
De acordo com o editor, a principal dificuldade reside em característica da própria Internet: “A rede é algo que se constrói a partir da experiência dos usuários”, afirma, citando o caso de Twitter, Google e Facebook, que não foram concebidos para se tornar o que são hoje. “Não foi a decisão dos que desenharam os programas que determinou seu destino, mas sim a experiência dos usuários que construíram essa força na Internet.” Cebrián considera, aliás, que as redes sociais se tornaram a concorrência com a qual devem se preocupar os jornais. “O competidor da Folha não é o Estado de S. Paulo, é o Google, o Facebook, estes são nossos competidores reais. E não queremos admitir porque não sabemos como competir com eles.”

