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Todo Jornalismo deveria ser investigativo, defende Roberto Cabrini

“Todo Jornalismo deveria ser investigativo e, de um modo geral, precisa sair da prepotência.” A afirmação foi feita pelo jornalista Roberto Cabrini, do SBT, no 24º Congresso da Associação Gaúcha de Emissoras de Rádio e Televisão (Agert), no hotel Continental, em Canela, para explicar que a expressão é utilizada, hoje, a fim de caracterizar as reportagens que tratam de determinados assuntos em profundidade. Antes de subir ao palco, o diretor Regional do SBT RS, Luis Cruz, descreveu o comunicador como um ícone da área. 

Durante o painel, Cabrini defendeu que os profissionais da área, que abordam somente dois lados de um fato, estão equivocados. Para ele, o jornalista deve cuidar e contemplar em suas matérias diversos posicionamentos. “Ainda que se procure a imparcialidade, todos nascem segundo contextos religiosos, políticos, regionais e culturais, que irão se refletir nos questionamentos e edições de conteúdos”, acrescentou, ressaltando que isto é impossível, tanto nos veículos brasileiros quanto no El País, na Espanha, e no New York Times, nos Estados Unidos. “É fácil fazer com base nos princípios próprios, mas desafiador mesmo é tratar do que é diferente”, reiterou.

Comparando com doenças, o palestrante falou a respeito da epidemia do Jornalismo partidarizado, que, na verdade, é voltado à defesa de interesses escusos e velados que visam a beneficiar apenas uma parte da sociedade. “Outra é o preconcebido na redação, quando o repórter sai na rua para comprovar suas teses e não busca se surpreender.” Para isso, disse que os profissionais acabam usando fontes que corroborem com suas visões de certo e errado de mundo.

“A nossa missão não é fazer com que nosso leitor, ouvinte e telespectador concorde conosco. Nosso objetivo é fornecer informações que os façam ter suas próprias constatações”, afirmou, assegurando que, para o exercício da profissão, a categoria pare de achar que é dona da verdade e que sabe mais que os entrevistados. Parafraseando Sócrates, destacou o fundamento da humildade: “Tudo que sei é que nada sei. Nós precisamos combater a nossa própria arrogância ao fazer as reportagens.”

Ainda, informou aos congressistas que R$200 milhões de reais são desviados das áreas da Saúde e Educação no Brasil e que os jornalistas devem combater isso e todas as outras formas de corrupção. “A gente não pode esquecer que poucos têm acesso à informação e é nossa obrigação defender esse direito a todos os brasileiros”, declarou, argumentando que o dito Jornalismo Investigativo pode manter a população mais informada e bem esclarecida.

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