O terceiro encontro do projeto Inspirações contou com a presença do músico Antônio “Totonho” Villeroy. Cerca de 20 pessoas estiveram no bate-papo com o cantor sobre o que o inspira, no bistrô Pâtissier. Para ele, a inspiração nada mais é do que uma vibração, que encaixa em pessoas que tenham vibrações compatíveis com ela. Depois de Lupicínio Rodrigues, Totonho é o gaúcho com mais gravações na história da MPB
Nascido em São Gabriel, cidade da fronteira Oeste, o cantor conta que a primeira coisa que o inspirou foi a própria topografia do pampa, que é extensa e se projeta, de uma certa maneira, em direção ao infinito. A partir desta reflexão o compositor conta que “o silêncio é algo que inspira, o outono me inspira mais que a primavera, o inverno mais que o verão, em geral o frio mais que o calor, a noite mais que o dia. Me inspira mais o vazio do que a coisa que é completa”.
A inspiração tem duas circunstâncias diferentes para o compositor: uma onde ela acontece espontaneamente, e outra quando surge a partir de uma demanda específica. Ele cita uma vez que a cantora Maria Bethânia pediu uma composição para ele. Na época, Bethânia estava se separando e, a partir da demanda, ele entrou na “vibração” dela para compor a música “Pra Rua Me Levar“, “de uma determinada maneira, cada pessoa tem uma vibração, como o timbre dos instrumentos, que muda com o tempo”, observa Villeroy.
Sobre a espontaneidade da inspiração, Totonho expõe: “O que eu percebo é que quando acontece espontaneamente, significa que alguma coisa dentro de mim tá querendo se manifestar e quer dar notícias de mim mesmo, uma coisa começa a borbulhar”. Para o músico, o sublime é muito mais encantador do que o belo. Exemplifica comparando as músicas “Garota de Ipanema”, de Tom Jobim, e “Águas de março”, também de Tom Jobim, onde a primeira explora o belo e a segunda, o sublime.

