A boa relação que os narcotraficantes do Rio de Janeiro tinham com os jornalistas acabou. Quem afirma é o repórter da revista Época Hudson Corrêa, que palestrou na tarde desta sexta-feira durante o 7º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji. Para o autor da reportagem “Novos Barões do Narcotráfico”, o assassinato do jornalista Tim Lopes, em junho de 2002, foi o divisor de águas.
“Antes, eles acreditavam que éramos parceiros, que denunciávamos a polícia. Depois que o Tim fez uma reportagem com denúncias ao tráfico, a situação mudou”, conta. Corrêa avalia que agora os criminosos fluminenses consideram a imprensa um verdadeiro inimigo.
Sobre a cobertura do tráfico de drogas ele afirma que, no momento, punições significativas não foram geradas. “Por enquanto estamos batendo, mas não há efeito”, declarou. O repórter especial acredita que a cobertura deve ser ampliada. “Se investigarmos o narcotráfico com maior profundidade, vamos causar problemas para esta estrutura criminosa”, afirmou. (Por Pedro Henrique Tavares, de São Paulo)

