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Três décadas à frente do ‘Jornal do Almoço’: Cristina Ranzolin revisita trajetória

Em exclusiva, a jornalista relembrou momentos marcantes e a homenagem recebida no telejornal

Cristina Ranzolin disse que considera o ‘Jornal do Almoço’ sua segunda casa. - Crédito: Arquivo Pessoal.

Referência na Comunicação gaúcha e rosto conhecido na casa dos telespectadores, a jornalista Cristina Ranzolin completou 30 anos à frente do ‘Jornal do Almoço’. Para marcar a data, a comunicadora foi homenageada durante uma edição do telejornal. Em razão desse momento especial, a equipe de reportagem de Coletiva.net conversou com a jornalista sobre a importância do programa em sua trajetória, os momentos mais marcantes e se, após tanto tempo, ainda sente aquele frio na barriga antes de entrar no ar. 

A importância do ‘Jornal do Almoço’ em sua vida pode ser medida por conta da sua idade: aos 59 anos, 30 deles foram à frente do programa, o que representa mais da metade de sua vida dedicada ao telejornal. “Brinco que, quando eu entro no estúdio do ‘Jornal do Almoço’, realmente estou na minha segunda casa. Imagina todos os dias indo lá para fazer um programa como o ‘Jornal do Almoço’, que exige bastante dedicação”, comentou Cristina. 

A comunicadora destacou que o telejornal é variado, o que exige que ela esteja constantemente atualizada sobre diferentes assuntos. Segundo a jornalista, essa diversidade torna o programa envolvente, agradável e prazeroso de apresentar. “Amo o ‘Jornal do Almoço’, ele é, sim, muito importante na minha vida”, completou. Ao pensar em resumir essas décadas no telejornal em uma manchete, Cristina respondeu: “Trinta anos ao lado dos gaúchos, narrando os fatos do nosso Rio Grande e sendo feliz”.

Cristina recordou do momento em que descobriu o câncer de mama. Na época, uma das alternativas apresentadas foi que ela se afastasse do telejornal para realizar o tratamento. “Nunca pensei em me afastar, porque tenho certeza de que o ‘Jornal do Almoço’ foi fundamental na minha recuperação. Estar envolvida com o programa, fazendo outras coisas e não só pensando na doença, foi super importante”, afirmou a apresentadora. 

Memórias da carreira 

Ao longo de uma grande trajetória, Cristina acumulou coberturas que marcaram sua carreira. Entre algumas que mais guarda na memória estão o incêndio na Boate Kiss, em Santa Maria, e o incêndio da escola Casinha da Emília, localizada em Uruguaiana. As enchentes de 2024 também foram impactantes, mas, antes disso, ela recorda das cheias que ocorreram no Vale do Taquari em setembro de 2023. Cristina relembrou que havia ido para fazer uma cobertura e acabou ficando uma semana. “Foi muito impactante. E depois, no ano seguinte, em maio, quando quase todo o nosso estado ficou debaixo da água também”, disse a entrevistada.

Outro episódio que lhe veio à memória foi a reportagem da queda da marquise da Arapuã, realizada no início da sua carreira, quando ainda não integrava a equipe do ‘Jornal do Almoço’. “Vou fazer 60 anos de vida esse ano, completando 30 de Jornal do Almoço, mas, na verdade, comecei na RBS como estagiária em 1986. Então são 40 anos”, explicou Cristina. 

A jornalista lembrou que foi contratada pela primeira vez como repórter de Esportes e, antes de assumir a apresentação do noticiário, já havia participado do telejornal durante quatro anos. “Estou fazendo 30 anos direto no ‘Jornal do Almoço’, no comando geral do programa, mas eu já fazia parte dele”, frisou a apresentadora. 

Proximidade com o telespectador

Na visão de Cristina, a forma como o público acompanha e consome notícias mudou significativamente ao longo das últimas décadas. Para ela, as transformações da sociedade impactaram também nos meios de Comunicação e nos telejornais. “Hoje, as pessoas não aceitam mais um jornal tão distante”, afirmou. Segundo ela, atualmente existe uma preocupação em estabelecer uma relação de proximidade com o telespectador, tanto pela linguagem usada pelos comunicadores e pela forma de conduzir o programa. 

Para Cristina, o público busca apresentadores mais humanos e presentes, diferente do perfil mais rígido adotado anteriormente. “Peguei esse tempo do Jornalismo e gosto muito mais do que é feito hoje”, comentou. A comunicadora acredita que demonstrar os próprios sentimentos faz a diferença e transmite mais credibilidade para o telespectador. 

Revisitando a trajetória 

Receber a homenagem no telejornal foi um momento importante e emocionante para a jornalista. “Achei que iam fazer uma reportagem sobre os meus 30 anos, mas eu nunca pensei que fossem fazer praticamente o programa inteiro, com tantas homenagens”, explicou. Os arquivos exibidos durante a edição despertaram lembranças de diferentes momentos da sua carreira. Entre eles, imagem de quando estava na redação e ainda era estagiária. 

Cristina relatou que o dia foi diferente: “Nesse programa cheguei na TV para trabalhar e não me deixaram nem abrir o computador para eu olhar o espelho, para poder saber o que ia acontecer”. Para ela, foi uma surpresa que trouxe felicidade e emoção, diante do carinho recebido. 

Após a exibição do ‘Jornal do Almoço’, Cristina diz estar recebendo muitas mensagens de carinho e contou que ainda está lendo, aos poucos, todos os recados. “Imagina, são 30 anos almoçando praticamente comigo. Quem me acompanha desde o início me sente como uma pessoa da família”, acrescentou. 

Atuação nos dias de hoje

Questionada sobre o frio na barriga antes de entrar no ar, a jornalista afirmou que hoje a atuação ocorre de forma natural, resultado dos 30 anos à frente do telejornal. “Hoje não tenho mais esse friozinho na barriga, a menos quando tem algum programa especial, coisas diferentes. Aí dá uma adrenalina que faz parte. Acho muito bacana isso, gosto de sentir essa adrenalina do inesperado”, complementou. 

Segundo a jornalista, esse sentimento vem da experiência acumulada ao longo da carreira. Ela também destaca que o telejornalismo atual possibilita uma postura mais espontânea dos apresentadores diante das câmeras. 

“Porque no passado, como a gente não tinha toda essa possibilidade de agir naturalmente na frente das câmeras, não existia isso. O apresentador, quando cometia um erro, ficava em uma situação, numa saia-justa e tinha que pedir desculpas, isso e aquilo”. Para ela, a apresentação se tornou mais leve com o passar dos anos.

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