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TV Assembléia mostra documentário sobre “os três Flávios”

Os personagens são Flávio Tavares, Flávia Schilling e Flavio Koutzii

O jornalista Flávio Tavares, a professora da USP Flávia Schilling e o ex-deputado estadual Flavio Koutzii são personagens do documentário “Tributo à Resistência”, que será exibido neste final de semana pela TV Assembléia. A trajetória de luta dos três foi reconhecida no plenário da Assembléia Legislativa no dia 25 de março, em um Grande Expediente Especial do deputado Adão Villaverde (PT). No final dos anos 70, quando no Brasil começavam a se fortalecer os Comitês Brasileiros pela Anistia, os gaúchos eram os únicos presos políticos brasileiros no exterior e, por coincidência, tinham o mesmo nome. A mobilização pelo retorno deles ao Brasil ficou conhecida como a Campanha pelos 3 Flávios.

Flávia Schilling, nascida em Santa Cruz do Sul, aos 10 anos mudou-se com a família para o Uruguai, acompanhando o pai exilado pelos militares. Aos 18, foi presa em Montevidéu acusada de militância clandestina no grupo político Tupamaros. Ficou presa por quase oito anos, passando por vários presídios e quartéis em regime de incomunicação total e torturas. Flávia diz que a prisão permite “vivências extremas de perceber que a estupidez humana não tem limites, e de o quanto a solidariedade humana é real e acontece, não apenas da família mas também das companheiras de prisão”.

O porto-alegrense Flavio Koutzii participou, nos anos 60, da fundação do Partido Operário Comunista. Perseguido por sua militância, mudou para a Argentina, onde aliou-se a movimentos contrários à ditadura naquele país. Lá ficou preso de 1975 a 1979. Um dos locais era a prisão de Rawson, na região gelada da Patagônia, onde a sua mãe era uma das únicas visitas permitidas. “Ela podia me ver 15 minutos a cada 15 dias, tinha que se apresentar na fila às 5 da manhã num inverno de 2,3 graus abaixo de zero”, relata ele.

Flávio Tavares, de Lajeado, presidiu, aos 20 anos, a União Nacional dos Estudantes. Participou da Luta Armada como membro do Movimento Nacionalista Revolucionário. Esteve preso várias vezes no Brasil e integrou o grupo libertado em troca do ex-embaixador norte-americano, Charles Elbrick, seqüestrado pelos movimentos revolucionários, em 1968. Exilado na Argentina, Flávio era correspondente de jornais brasileiros. Em 1977, numa viagem a Montevidéu, foi seqüestrado pelo exército uruguaio e ficou preso por seis meses no país vizinho. Ele diz que “na hora da tortura nós só nos lembramos em não morrer, então usamos todos os meios possíveis para resistir, para não nos entregarmos”.

No documentário, os Flávios falam do papel das mães na superação do sofrimento, da mobilização no Brasil pelo retorno deles, do retorno à Pátria e da elaboração das vivências. Todos escreveram livros sobre a experiência prisional e da tortura. “Tributo à Resistência” tem roteiro e direção de Daniela Sallet e edição de Lu Lima. O documentário vai ao ar neste sábado, pela TV Assembléia, canal 16 da Net, às 19h30, e domingo, às 16h e às 21h30.

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