“Estamos em uma redação mais isolada e, de repente, nos juntamos com Zero Hora, Digital, Diário Gaúcho e Esporte em um mesmo ambiente, unindo forças.” É assim que Daniel Scola, gerente-executivo da rádio Gaúcha, define a integração das redações dos veículos do Grupo RBS. A diretora de Jornalismo de Rádio e Jornal da empresa, Marta Gleich, por sua vez, disse que a mudança representa um benefício ao público, além de valorizar os talentos dentro dos cerca de 300 profissionais que, hoje, dividem o mesmo espaço. No entanto, salientou, em entrevista exclusiva ao Coletiva.net, que, mesmo unidas em um mesmo espaço, “é uma redação e cinco produtos”.
Marta garantiu que se trata de um fortalecimento das marcas, melhorando o produto, mas não os misturando. “Não queremos pasteurizar os veículos, pois cada um atende bem ao seu público dentro da jornada do consumidor: Gaúcha tem agilidade, ZH tem profundidade, DG tem proximidade com o público e GZH tem uma mescla de tudo”, definiu. A rapidez na informação é um dos principais ganhos com a novidade, segundo salientou Scola ao portal, que enfatizou o fato de haver microfones nas mesas para os repórteres fazerem boletins sem precisar se deslocar para outro ambiente.
Com o movimento, surgiu uma nova lógica de trabalho e os repórteres foram divididos em editorias, sentados lado a lado. “Não foi só pela mudança. Pensamos em uma integração que poderia resultar em conteúdos melhores”, explicou o gerente de Jornalismo dos Jornais do grupo, Nilson Vargas, que completou: “Temos uma crença de que, juntos, podemos integrar o melhor das equipes”. A ideia, explicou Nilson, começou a surgir em 2016, com a Central de Olimpíada, na qual os veículos eram todos separados e a proposta era unir os times para gerar conteúdo. “O episódio plantou uma semente”, resumiu.
O desejo de integrar efetivamente todos os profissionais tomou forma depois do lançamento de Gaúcha ZH, em setembro de 2017, mas é deste ano a decisão final. Nesse movimento, assegurou Marta, não há redução de pessoal. “Não está previsto e não vamos cortar gente. Pensamos nos nossos produtos e na nossa produtividade. Se faz sentido para o público, então faz sentido para a nossa operação e para os nossos processos.” Sabrina Passos, gerente de GaúchaZH, também participou da entrevista e informou que a integração foi essencial para o digital, que está sempre em busca de aprimorar a rapidez da informação.
Marta explicou ainda que o planejamento para a mudança física foi pensado com base na Copa do Mundo da Rússia: o que era possível fazer até o início da competição. As novidades foram interrompidas durante o evento esportivo para não atrapalhar a cobertura dos jogos. Depois, os planos serão retomados. “O mais importante era juntar as pessoas no mesmo lugar”, destacou a diretora. De acordo com ela, a ideia é criar um cenário gráfico visual, “para que a redação respire e transpire os cinco produtos”. No espaço, também terá ilhas de edição, estúdio de rádio, área de convivência e um novo hall. “Nosso propósito é criar um modelo de redação que viabilize o jornalismo do futuro.”

