A violência virtual contra jornalistas mulheres teve “aumento acentuado”, conforme o estudo da Unesco ‘The Chilling: Tendências globais na violência online contra jornalistas mulheres’. O documento apresenta um extrato editado de um estudo interdisciplinar realizado pelo Centro Internacional para Jornalistas (ICFJ).
Para analisar a situação, os pesquisadores se basearam em pesquisa global com 901 jornalistas de 125 países e longas entrevistas com 173 jornalistas e especialistas. Ainda foram explorados dois estudos de caso de big data com mais de 2,5 milhões de postagens em mídias sociais; 15 estudos de caso de países; e uma revisão da literatura sobre pesquisas acadêmicas e da sociedade civil.
Dentre as principais conclusões do levantamento está no impacto real dos ataques on-line, incluindo a disseminação de violência física e o assédio legal, e a misoginia ligada a outros preconceitos. Também foi observado que a violência virtual de gênero se cruza com a desinformação e com motivações políticas.
No momento, as plataformas de mídia social são vistas como os principais facilitadores dos ataques. Mesmo com iniciativas de organizações de notícias e de gestores de redes sociais, ainda não há eficácia no combate ao problema e, muitas vezes, o estudo aponta que as jornalistas que recorrem aos responsáveis pelo espaço virtual sofrem com culpabilização das vítimas.
O estudo contou com a contribuição de uma equipe de 23 pesquisadores internacionais de 16 países. A liderança do grupo ficou toda a cargo de mulheres: Diana Maynard, Julie Posetti, Kalina Bontcheva, Nabeelah Shabbir e Nermine Aboulez.

