Os novos mandamentos do marketing e tudo o que vai mudar – esta foi a proposta estabelecida por pelo publicitário Walter Longo em sua palestra agora há pouco no Mídiashow promovido pelo Grupo RBS. Atingiu o objetivo ao, feito uma metralhadora giratória, disparar provocações, desafios e ideias para a plateia de mil pessoas. Começou lembrando o conceito de Tesarac, segundo o qual as mudanças sociais e econômicas transformam a sociedade sem que as pessoas se deem conta do que está ocorrendo. “Nós sabemos o que já era, mas não identificamos o que vai ser”, disse.
Lembrou que o mundo está assistindo ao fim dos limites, na medida em que se pode consultar qualquer biblioteca do mundo, com tantos impactos que as pessoas, após eles, não são mais as mesmas. Como conseqüência, explicou, há uma revolução começando nas pequenas cidades, pois houve uma democratização do acesso à informação e ao consumo. “E não há só uma revolução digital, mas uma revolução no cérebro”, afirmou Longo, avançando ainda mais ao dizer que a sociedade em rede criou um novo tipo de inteligência, a ‘exteligência’, que reuniria todo o capital cultural humano que está ao alcance de cada cidadão. “É esta exteligência que nos diferencia dos animais”, assegurou.
O diretor do Grupo Newcomm não titubeou em afirmar que o rádio e os jornais perdem espaço gradativamente, tanto que em 2020, diz, serão a TV e a web com suas redes sociais que ocuparão o maior tempo dos consumidores. O Facebook, lembrou, já seria hoje a segunda maior população do mundo, antes de Índia e Estados Unidos, funcionando como uma verdadeira internet dentro da internet. Por paradoxal que seja, afirmou que, no mundo digital, a distância aproxima as pessoas, e vice-versa: as pessoas podem falar com qualquer cidadão no mundo, mas mandam um MSN para o colega ao lado.
Longo ainda alertou que não se pode utilizar uma mídia extraordinária, como a digital, de forma ordinária. “Temos que nos adaptar para sobreviver. O problema é que as pessoas não mudam rápido, já que resistem às mudanças”, lembrou. Encerrou afirmando que o importante não é atingir a perfeição, mas o estágio do suficientemente bom: “O bom não é inimigo do ótimo, e um exemplo universal é o Iphone. Não era o melhor quando surgiu, mas revolucionou o sistema”.


