Segundo um estudo realizado pela Mozilla Foundation (organização sem fins lucrativos que mantém softwares e projetos) o YouTube está recomendando vídeos para os usuários que violam as diretrizes e políticas de uso da própria empresa. De acordo com o relatório, os usuários de língua não inglesa são os mais afetados, visto que o índice de arrependimento após consumir esses conteúdos chegou a 60%.
A Mozilla registra que sinalizou que um total de 3.362 vídeos foi tratado como “arrependíveis”, vindos de 91 países diferentes, no período entre julho de 2020 e maio de 2021. Entre essa seleção, as categorias de conteúdos audiovisuais mais recomendadas tinham desinformação, conteúdo violento, discurso de ódio e spam.
O relatório foi feito com base na coleta de dados do RegretsReporter, uma extensão que permite aos usuários informar sobre conteúdo ofensivo e as recomendações do algoritmo que as fizeram chegar a esses vídeos. Para chegar ao resultado, mais de 30 mil usuários tinham a ferramenta instalada no navegador.
Cerca de 200 vídeos recomendados pelo próprio algoritmo do YouTube (em torno de 9% do total) foram removidos pela plataforma depois. Porém, esses conteúdos audiovisuais tiveram por volta de 160 milhões de visualizações quando estavam no ar.
Vale notar ainda que 70% do tempo assistido no YouTube vem de conteúdos sugeridos pelo algoritmo, o que corresponde a 700 milhões de horas diárias. Além disso, a plataforma possui um sistema de recomendações projetado para manter os usuários no site assistindo a vídeos. Após a repercussão do relatório, a empresa enviou um comunicado à imprensa comentando a notícia.
Confira ele completo logo abaixo:
O objetivo do nosso sistema de recomendação é conectar os espectadores com o conteúdo que os agrada e, por dia, mais de 200 milhões de vídeos são recomendados apenas na nossa página inicial. Mais de 80 bilhões de informações são usadas para calibrar nossos sistemas, incluindo dados de pesquisas com usuários sobre o que eles querem assistir. Trabalhamos constantemente para melhorar a experiência no YouTube e, somente no ano passado, implementamos mais de 30 mudanças diferentes para reduzir as recomendações de conteúdo potencialmente prejudicial. Graças a essa mudança, o consumo de conteúdo que chega perto de violar nossas regras proveniente das nossas recomendações está agora significativamente abaixo de 1%.

