O acordo de livre comércio entre o Mercosul e Singapura entrou em vigor para o Brasil neste mês. Entre as medidas previstas está a possibilidade de empresas gaúchas participarem de licitações governamentais singapurianas em condições semelhantes às oferecidas às companhias locais.
Assinado em dezembro de 2023, o tratado abrange o comércio de bens e serviços, investimentos, propriedade intelectual, compras governamentais, comércio eletrônico e facilitação comercial. O texto foi promulgado pelo governo brasileiro em 27 de julho, por meio do Decreto nº 13.081/2026.
Embora Singapura já aplicasse tarifa zero à maioria dos produtos brasileiros, o acordo consolida as condições de acesso ao mercado e estabelece regras para reduzir a burocracia e ampliar a previsibilidade das operações. O país é considerado um dos principais centros comerciais, logísticos, financeiros e tecnológicos da Ásia.
Para o presidente do Sistema Fiergs, Claudio Bier, a relevância do tratado está principalmente na aproximação com outros mercados asiáticos. “Singapura é uma economia altamente aberta, integrada às cadeias globais de valor e com forte visibilidade para os demais mercados asiáticos. O ganho do acordo para o exportador gaúcho está menos na redução tarifária e mais na facilitação do comércio entre os países, com menor burocracia e maior previsibilidade”, avalia.
Na agroindústria, o tratado prevê regras sanitárias mais transparentes e procedimentos mais ágeis. A abertura das compras governamentais também pode gerar oportunidades para a exportação de bens e serviços, especialmente em setores como infraestrutura e logística.
Do lado do Mercosul, serão liberalizadas 95,8% das linhas tarifárias e mais de 90% do valor importado, com redução das tarifas em um prazo de até 15 anos. Parte dos produtos terá acesso imediato ao mercado do bloco, enquanto mercadorias consideradas mais sensíveis serão liberalizadas, em sua maioria, entre o oitavo e o décimo ano de vigência.
Exportações gaúchas chegaram a US$ 349 milhões
Em 2025, o Rio Grande do Sul exportou US$ 349 milhões para Singapura. A totalidade das vendas foi composta por produtos da indústria de transformação, mas a pauta ficou concentrada em poucos segmentos. Coque e derivados de petróleo responderam por US$ 183 milhões, o equivalente a 52,4% do total embarcado. O setor de alimentos somou US$ 148 milhões e representou 42,3%. Juntos, os dois segmentos concentraram 94,7% das exportações gaúchas destinadas ao país asiático.
Na sequência apareceram máquinas e equipamentos, com US$ 11,4 milhões; produtos químicos, com US$ 2,8 milhões; e máquinas e materiais elétricos, com US$ 1,8 milhão. Os óleos combustíveis, exceto diesel, lideraram as vendas, com US$ 181 milhões. Também se destacaram as carnes e miudezas de aves congeladas, com US$ 82,9 milhões, e as carnes suínas congeladas, com US$ 57 milhões. Os três produtos responderam por aproximadamente 91,8% das exportações gaúchas para Singapura no período.
O estudo sobre o acordo e seus impactos para o Rio Grande do Sul está disponível no Observatório da Indústria do Sistema Fiergs.

