Panorama

Imama quer mobilizar internautas para combate ao câncer

Entidade lançou na Federasul a campanha “Doe seu email”

O número de diagnósticos de câncer de mama – que ultrapassa 5 mil ao ano, resultando em mais de mil mortes somente no Rio Grande do Sul – incentivou o Instituto da Mama (Imama) a lançar uma nova campanha. Para a presidente da entidade, Maira Caleffi, o avanço da doença, principalmente entre os gaúchos, é alarmante e faz com que o Estado tenha um dos maiores índices de novos casos e o maior número de mortes do País. Maira palestrou nesta quarta-feira, 31, no Tá na Mesa, da Federasul. A campanha ‘Doe seu e-mail’ irá às ruas a partir de 18 de agosto, durante a 10ª edição da Caminhada das Vitoriosas, que acontece no Parque Moinhos de Vento (Parcão).

Durante o evento, Maira explicou que a mobilização convoca a comunidade virtual a apoiar o combate ao câncer de mama. A iniciativa funcionará da seguinte forma: o internauta autoriza o uso do endereço eletrônico pelo Imama, que repassa o endereço a 12 empresas para envio de email de marketing. A cada mensagem que o usuário abrir, o Imama recebe R$0,50. “Estamos negociando para que seja disparado apenas um email por mês para cada endereço”, contou. Os recursos recebidos servirão para dar continuidade a projetos já em andamento, como a ampliação do ‘mama móvel’, por exemplo, e projetos de conscientização, oficinas, treinamentos de agentes de saúde, grupos de fisioterapia e de psicologia.

O descaso com a saúde pública é outra preocupação do instituto. Maira aponta a necessidade de um diagnóstico rápido e a urgência em iniciar imediatamente o tratamento, mas reforça que os pacientes acabam encontrando entraves burocráticos intermináveis neste processo. “Há uma lei federal que obriga o início do tratamento até 60 dias após o diagnóstico, mas que esbarra na determinação de que isso deve estar registrado em um sistema que ainda nem está funcionando. É absurdo”, criticou. Ela lembrou que, até pouco tempo, muitos pacientes, sem perceber que o tempo corria, aguardavam na fila pelo tratamento.

O câncer de mama está entre as doenças que mais levam à morte. A doença está associada a fatores de risco como idade, maior expectativa de vida, sobrepeso, obesidade e maus hábitos como o de fumar, por exemplo. Em um estudo realizado na zona sul de Porto Alegre, com 10 mil mulheres usuárias do SUS, foi detectado que 34% delas têm histórico familiar de caso de câncer em parentes de primeiro grau. Destes, 60% são obesas e 25% fumantes. “Queremos que as pessoas entendam os fatores de risco, saibam como se cuidar e que, depois do diagnóstico saibam como se reabilitar e manter a qualidade de vida”, reforçou.

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