Além da preservação de costumes e da valorização da identidade gaúcha, o tradicionalismo representa uma importante força econômica para o Rio Grande do Sul. É o que aponta uma pesquisa realizada pelo economista José Antonio Ribeiro de Moura, professor da Universidade Feevale, que estima em R$ 652,8 milhões o impacto financeiro do Mês Farroupilha no Estado.
O estudo evidencia a dimensão de uma cadeia que se movimenta durante o período e envolve diferentes segmentos da Economia. O levantamento considera uma série de despesas e investimentos relacionados às atividades tradicionalistas, incluindo alimentação e manutenção de animais, indumentárias, eventos e produtos culturais.
Entre os principais componentes analisados estão os R$182,67 milhões relacionados ao consumo de churrasco, sendo R$140,62 milhões referentes a carne e R$42,05 milhões a carvão. A estimativa considera o consumo durante a Semana Farroupilha no Rio Grande do Sul e a Expointer, que ocorre no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio.
Para o professor Moura, os dados ajudam a dimensionar uma característica que muitas vezes fica em segundo plano quando se fala sobre o tradicionalismo. “O tradicionalismo é frequentemente associado à cultura e à identidade, mas também existe uma dimensão econômica muito significativa. Percebemos que existe uma extensa cadeia produtiva associada às manifestações tradicionalistas”, destaca.
O pesquisador ressalta que o impacto não se concentra em um único setor. Pelo contrário, ele se distribui entre atividades comerciais, prestação de serviços, turismo e investimentos públicos e privados, demonstrando a transversalidade econômica. “O Mês Farroupilha transcende a preservação histórica e se consolida como um poderoso motor econômico. Esse volume expressivo de recursos irriga uma cadeia produtiva vasta e descentralizada, sustentando milhares de famílias, trabalhadores e pequenos negócios”, afirma Moura.
Comparação com outros setores
A dimensão estimada pelo estudo também pode ser observada quando o valor é comparado a indicadores de outros segmentos relevantes da economia gaúcha. Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), o setor calçadista do Rio Grande do Sul exportou, em setembro de 2025, aproximadamente R$ 240 milhões.
Dessa forma, os R$ 652,8 milhões estimados para o mês Farroupilha equivalem a cerca de 2,7 meses de exportações de calçados gaúchos, considerando o ritmo registrado no mesmo mês. Na comparação com outros segmentos, a movimentação considerada no período corresponde, ainda, a 57,8% das exportações de fumo (fonte: Comex Sat-MDIC) e 53,65% das exportações de carnes (fonte: Boletim Indicadores do Agronegócio do RS).

