Após dois anos do seu retorno, o jornalista e radialista Cristiano Abreu deixou, nesta sexta-feira, 11, o comando da redação do Diário de Viamão (DV). O profissional havia voltado ao veículo de Comunicação em 2020, para assumir o cargo de editor-chefe, pedido feito pelo empresário Roberto Gomes de Gomes, que na época, tinha assumido o jornal.
Ao Coletiva.net, o comunicador disse que a decisão da saída foi em comum acordo entre as partes. “Eu sempre serei grato ao Roberto Gomes, mas é como eu contei na minha coluna de despedida, está cada dia mais complicado fazer Jornalismo sério e isento fora dos grandes centros econômicos”, contou ao portal, referindo-se às questões financeiras.
“Como é natural neste momento, estou buscando possibilidades”, revelou. De maneira descontraída, ele contou que jornalistas, ao terem a notícia da saída divulgada, “sempre estudam novos projetos”. De acordo com ele, a frase dita não se trata de romantismo: “a falta de opção no mercado atual tem forçado os colegas na direção de outros meios”, afirmou.
Essa foi a segunda passagem do comunicador pelo veículo. Cristiano também tinha a mesma função, entre 2011 e 2012, quando o periódico ainda era impresso e pertencia ao Grupo CG de Comunicação. O profissional tem 40 anos e atua no Jornalismo há 20. Além de passagens pelos Grupo Sinos e CG, entre 2008 e 2017, participou da transição da RBS para a NSC Comunicação, em Santa Catarina.
Conforme informações apuradas pela reportagem do portal, o dono do veículo, Roberto Gomes, acumulará a função de editor-chefe na vaga deixada por Cristiano Abreu. Nesta manhã, o jornalista se despediu dos leitores na coluna de política que mantinha no DV.
Confira o texto na íntegra:
Hoje encerro um ciclo, deixo esta coluna e minhas funções como editor do Diário. Uma parte importante da minha formação profissional aconteceu no DV, e serei sempre grato ao Roberto Gomes, ao Rafael Martinelli e aos demais colegas. Fizemos história no passado ao sermos o único veículo de circulação diária de uma cidade tão grande e importante como Viamão. Durante os últimos dois anos, devolvemos à Velha Capital o jornalismo local relevante que ela merece, ampliando alcance por meio da internet.
Cobramos autoridades quando necessário, reportamos fatos e detalhamos versões e opiniões de forma equilibrada e isenta, sempre priorizando a população de Viamão, que soube apoiar e reconhecer nosso trabalho. Deste modo, entendo que o protagonismo concedido a nós pelos leitores é fruto direto da convergência do bom trabalho e da reverberação dos anseios de uma comunidade antes sem voz.
Fazer jornalismo fora dos grandes centros econômicos é um desafio para poucos. Nos tempos atuais, intolerância, disseminação de fakenews, pressões políticas e o cenário pandêmico tornam a maioria das redações insustentáveis. E é justamente por isto que tenho orgulho em ter testemunhado e participado da construção da história do DV.
Não nos dobramos.
Longa vida ao Diário. Sentirei saudades, Viamão.
Até a volta!

