Rápida e intensa. Nem a Fórmula 1 bate Ana Paula Dixon quando o assunto é o vagalhão de ideias e conexões instantâneas de raciocínio. São sinapses se formando e constituindo uma teia para além do que se apresenta, pois é preciso fôlego para poder acompanhar essa mulher que não tem muitas papas na língua e que vai direto ao ponto — e são justamente essas características que a distinguem. Acompanhadas, porém, de uma irreverência que desperta, no mínimo, curiosidade.
A vida e a carreira da jornalista, com 52 anos completados em 26 de maio de 2026, não tiveram tempo para colocar o pé no freio — isso seria, inclusive, contraproducente. Importante dizer, no entanto, que ela não dispensa a diversão. “Inquieta, que tem uma mente a mil”: é assim que ela se define, e é fácil de entender o porquê.
Aleatoriedades não aleatórias
O passado condena as pessoas? No caso dessa jornalista formada pela PUCRS, ele legou a ela uma ficha corrida repleta de formações, cursos e oportunidades que surgiram e às quais se agarrou sem rodeios. Afinal, como pede o perfil de alguém do signo de Gêmeos (e indignada consigo mesma por ter feito seu mapa astral há somente dois anos — um mapa que ela atesta ser muito fidedigno), o leque de possibilidades pode ser versátil em sua completude.
De oportunidades de estágio a cursos livres, da docência à consolidação na vida acadêmica, do empreendedorismo a assessoramentos, o que não faltou a Ana Paula foi uma gama de projetos para se engajar e nos quais pôde construir carreira e descobrir novos focos. “Sou aberta ao que o universo me traz. E, como tenho muitos interesses, me adapto bem”, explica.
Não só à área da Comunicação, mas ao mundo como um todo, Ana Paula demonstra-se inconformada com as problemáticas sociais, com as desigualdades e com as mazelas a que os povos são sentenciados diante das desilusões da humanidade. Com seu trabalho, busca elevar as capacidades e ancorar voz para que, em diversas frentes, os valores da ética e da solidariedade sejam levados a cabo. E, não, isso não tem nada de aleatório.
Logo cedo
Apesar de ter uma mente e uma capacidade de articulação que se retroalimentam no modo quase full time, é nesse “quase” que reside um de seus momentos distintos: todo o tempo, pero no mucho. A jornalista tem um ritmo mais desacelerado ao despertar, em contraste com o concentrado de energia que se estende pelo restante do dia. “Sou daquelas pessoas que acordam lentas e vão se ativando ao longo do tempo”. Tem como aliada uma boa xícara de café preto.
O dia toma forma depois desses rituais ao passo que Ana Paula também preserva o direito de se blindar de excesso de dados logo cedo. Nada de WhatsApp imediatamente; mais além, sim. Isso serve como uma das bases para uma reflexão que faz sobre o relógio acelerado em que vive o mundo. “A sociedade está doente em termos de ritmo. Temos uma avalanche de informações diárias, estamos em um momento complexo”, preocupa-se.
Destino
Ana Paula cresceu no circuito entre os colégios Americano, Anchieta e João XXIII, em Porto Alegre. O sobrenome Dixon é herança do pai, o comerciante paulista Álvaro (in memoriam), sendo a sua família a única representante da nomenclatura no Rio Grande do Sul.
Nascida na capital gaúcha, a jornalista também é filha da advogada Beatriz e, ainda adolescente, entendeu que o talento natural para a comunicação entre as pessoas seria sua vocação profissional, ingressando no Jornalismo da PUCRS aos 17 anos. Se não fosse essa a sua área de dedicação, conta que a alternativa seria pelo campo das artes.
As oportunidades surgiam na vida de Ana Paula e ela as agarrava. Enquanto graduanda, a primeira experiência veio como estagiária na TVE RS, em 1995. O trabalho de locução e reportagem para programas televisivos também teve lugar quando atuou na produtora Sequência Cine e TV, entre 1996 e 1997. Uma viagem de férias ao Rio de Janeiro, por sua vez, rendeu uma experiência de estágio na GloboNews. Esbarrou na oportunidade enquanto, recém egressa da PUCRS, buscava por cursos livres a fim de continuar os estudos.
Mas foi pelas mãos do professor Flávio Porcello (in memoriam), a quem considera um mentor, que retornou ao Rio Grande do Sul para exercer o primeiro emprego como jornalista formada, na UNITV, a emissora da PUCRS, em 1998. A partir disso, embarcaria para uma trajetória de produção e criação que envergaria para o mestrado em Comunicação Social, com a defesa de dissertação sobre o telejornalismo brasileiro.
Cruzando oceanos
O ano de 2002 traria uma nova residência para Ana Paula: do outro lado do Atlântico, na Espanha, a jornalista fixou residência em Madri para desenvolver os estudos no mestrado em Direção de Empresa Audiovisual na Universidad Autónoma de Madrid, além de uma especialização em Ciência Política e Relações Internacionais.
Nesse período, além de trabalhar com assessoria de comunicação e projetos de pesquisa, atuou como correspondente internacional para a FM Cultura, chegando a cobrir ao vivo o atentado de 11 de março de 2004 em Madri — ataques terroristas coordenados, quase simultâneos, contra o sistema de trens suburbanos. Ao mesmo tempo, também experimentou a docência ao ensinar o idioma português para estudantes de fala hispânica.
De volta ao Brasil, já em 2006, ocupou posições em órgãos públicos, como as secretarias estaduais da Cultura e de Desenvolvimento e Promoção do Investimento e a Prefeitura de Porto Alegre, principalmente com assessoria de Comunicação. Paralelamente, também teve uma passagem como docente no curso de Jornalismo da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc).
Novas guinadas
A esta altura, as experiências de Ana Paula somavam uma trajetória sólida entre meandros acadêmicos e vivências profissionais de mercado. Outro caminho que viria ao seu encontro, e do qual demonstra orgulho e satisfação, foi participar da comissão responsável pela estruturação da então nova Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), a convite do professor Hélgio Trindade. “Tive a oportunidade de vivenciar a construção de uma universidade federal convivendo com intelectuais e profissionais extremamente cultos e inteligentes”, vibra.
Desistir da Comunicação nunca foi uma opção, mas experimentar caminhos e novas possibilidades, sim. Por isso, por pouco mais de quatro anos, foi sócia-diretora da Faro Comunicação Estratégica, trabalhando com estratégias de comunicação para clientes e coordenação de conteúdo.
Em 2016, fundou a Dixon Comunicação, alçando mais um voo para uma trajetória que se construiu a partir de todos os momentos e vivências que acumulara até então. Com a nova empresa, a proposta era ampliar ainda mais a expertise com a técnica, a diversidade de serviços e a análise de mercado. De execução de estratégias digitais a criação de conteúdo, de gerenciamento de redes a branding, de assessoria de imprensa a produção de campanhas, Ana Paula sentia o desejo de estar à frente dessas áreas com soluções que permitissem, também, conquistar novas veredas.
A Dixon, que completa 10 anos em 2026, surgiu como um horizonte onde fosse possível criar com lealdade, respeito, ética e solidariedade. A partir disso, pensar no que faz sentido para os clientes e nos resultados traz a reflexão que, quando alguém obtém uma conquista com a sua facilitação, é um resultado que concede a ela própria satisfação pessoal. “O resultado dessa exposição na mídia aos clientes é tão bacana, pois vemos a evolução das empresas, eventos ou instituições, conquistando autoridade nas suas respectivas áreas”, diz.
Em paralelo, comenta que também considera uma vitória quando seu trabalho contribui com causas que considera nobres, como saúde, meio ambiente e povos originários. Ana Paula, nessa linha, é a host do videocast ‘Saúde da Pele Cast’, da Psoríase Brasil, em que recebe convidados para falar sobre temáticas de saúde.
A humana
Ana Paula divide a vida com o médico Fernando, seu marido, com quem toma conta da golden retriever Blanca, a fiel companheira. Presente em distintos círculos sociais, a aura com metade do semblante sério transparece mais do que isso: humanidade. Autoproclamada uma pessoa com pouca paciência, é possível captar nela uma irreverência genuína que confere sensibilidade.
“Acredito que, diariamente, eu vou moldando a minha trajetória. Eu faço planos, mas eu também deixo a vida me levar”, revela. Nem tão solta, nem tão presa. A vida vai tomando sua forma, e ela vai vivendo junto e adaptando conforme seus princípios: sempre à frente, com ética, amizade e solidariedade.
A mesma batida permite identificar na jornalista uma pessoa comprometida em buscar a necessária mudança dos tempos para novas compreensões. Em um mundo repleto de informações, nem sempre verdadeiras, ela declara: “Eu acredito que o Jornalismo ainda seja essencial para balizar as informações”. O que se percebe é que Ana Paula não tem, realmente, tempo para o que não a permite ser o que é de melhor: ela mesma.

