Luís Afonso Rech: De espírito alegre e vibrante

Formado pela Unisinos em 1984, o jornalista sempre usou a voz e a facilidade em discursar a seu favor

Luís Afonso Rech - Divulgação

Natural de Carazinho, Luís Anfonso Rech, formado há mais de três décadas em Jornalismo pela Unisinos, não esconde que possui desde pequeno o gosto pela área de locução e de apresentação. "Aos 11 anos, realizei a cerimônia das Bodas de Ouro dos meus avós. Naquela época, eu andava com os gravadores e microfones pendurados", relata, ao comentar que foi naquele tempo que despertou o gosto pela comunicação. Antes mesmo de completar 15 anos, começou a trabalhar na apresentação de comerciais para empresas do interior do Rio Grande do Sul.

Ainda que estivesse no sangue o dom de se comunicar, Luis chegou a experimentar outras áreas. Por vontade do pai, Ramiro Luiz Rech, veio de Carazinho para São Leopoldo, em 1978, onde ficou durante três anos, para estudar Engenharia Civil. No entanto, lembra, sentia falta da relação humana. "Quando ingressei no curso, comecei a trabalhar na comunicação da Unisinos. Aí me dei conta de que era aquilo que eu realmente queria." Então, decidiu deixar as áreas exatas para cursar teatro pelos seis anos seguintes, até optar, finalmente, pelo Jornalismo, área de maior ligação e que lhe despertava interesse desde a infância.

A personalidade inquieta é uma das características de Luis, que se define como uma pessoa idealista, alegre e vibrante. "Sempre estive em busca de um mundo mais justo, mais fraterno, e de uma sociedade melhor. Para estar triste, é preciso uma perda muito grande. Como foi recentemente a da minha mãe", fala, ao mencionar, sem entrar em detalhes, a morte de Hedwiges Rech, há dois meses.

Mudanças na carreira

Em sua trajetória, passou por jornais, rádios e pela extinta TV Guaíba, na qual produziu e apresentou o programa turístico 'Alma Gaúcha' sobre cidades do Interior. Após anos envolvido com veículos e empresas de assessoria de imprensa, decidiu embarcar em uma nova experiência. O gosto e a facilidade em discursar foram alguns dos motivos que fizeram o comunicador trilhar pelo caminho dos eventos. "Durante muito tempo, trabalhei como jornalista e mestre de cerimônias, porém, os dois juntos me exigiam muito e acabei optando por ficar somente com a segunda função."

Há mais de duas décadas atuando como locutor de eventos, o jornalista destaca que sua maior satisfação profissional é a relação estabelecida com seus clientes. "Hoje, tenho membros que me levam para encontros internos, participo das festas e de momentos sociais como convidado. No instante que tu deixas de ser um mero fornecedor para ser um parceiro e integrante da família da entidade, é muito gratificante,", sentencia.

Ao longo de sua trajetória, participou de diversos eventos da iniciativa privada e do poder público, conduzindo cerimoniais com a participação de presidentes da República, governadores, embaixadores, diretores de grandes empresas e profissionais de diferentes áreas. Apesar da preferência, nenhum familiar seguiu os mesmos caminhos. A irmã caçula, Heloísa, foi para o setor bancário, e os outros dois do meio, José Roberto e Luciano André, foram para o campo da saúde e da contabilidade, respectivamente.

Igreja como pilar

Nascido em uma família católica, Luis sempre esteve em contato com a igreja. Sua primeira veia de comunicação foi realizando leituras e comentários dentro de cerimônias religiosas. "Passei a participar das missas aos 10 anos de idade. Ali também aflorou a paixão pela utilização da voz como instrumento." Mais tarde, buscou ferramentas e cursos de dicção e especialização na área de cerimonial.

O local de fé e a profissão sempre tiveram uma ligação na sua vida. Ainda jovem, atuou em um programa de rádio voltado para juventude católica, em Três Passos. Hoje, trabalha há 10 anos fazendo a comunicação da Igreja São João, em Porto Alegre. "Nasci em uma família muito envolvida com o catolicismo, de origem alemã por parte de pai e mãe. No entanto, nunca tive problemas com outras religiões, inclusive cantava no grupo da igreja luterana", relembra. "Meu pai nunca me repreendeu nessa questão participativa, muito pelo contrário, sempre me incentivou a ser presente, principalmente nessa questão cristã." E o espírito ativo vem de berço, visto que Ramiro, hoje com 84 anos, atende a uma creche de meninas carentes e a um asilo em Carazinho. Apesar de, no início, não ter aprovado a escolha do filho, hoje o maior orgulho é ver seu sucessor formado em Jornalismo.

No colégio, além de ser líder de turma, participava das pastorais e sempre foi muito ligado a esportes. Não esconde a paixão, principalmente pelo futebol. Associado ao Sport Club Internacional, destaca que, apesar de sofrer pelo time, não deixa a emoção tomar conta. "Digamos que sou fanático no sentido de torcer, mas não sou 'anti' outros clubes", analisa.

Superfamília

Casado há mais de 30 anos com Rita de Cássia, com quem tem dois filhos, Pedro Augusto e Luís Vinícius, Luis se considera um 'homem família'. Além de terem se conhecido na faculdade de Jornalismo, a esposa trabalhou ao seu lado quando tinha a empresa de assessoria Com Mais Comunicação, que já encerrou as atividades. "Essa questão familiar sempre foi muito forte. Não somente no núcleo dentro de casa, mas fora também." Outro momento que preza ao lado da companheira é quando realizam reflexões bíblicas diariamente pela manhã ou à noite.

Ao lado de Rita, combina os gostos pela música e pela sétima arte, que são bem divididos. A dupla costuma frequentar salas de cinema e shows. Enquanto ele prefere músicas clássicas e filmes românticos e de ficção científica, ela prefere o contrário. Mas o que provoca realmente uma tranquilidade são as músicas orquestradas. "Me deixa mais sossegado para pensar, criar", comenta.

O comunicador recorda que um dos momentos mais marcantes de sua vida significou um renascimento. "Vai fazer dois anos em fevereiro de 2019 que eu e meu filho mais novo [Pedro] quase morremos afogados. Foi algo que mexeu comigo", conta e salienta que procura valorizar mais a vida e determinados momentos depois dessa fatalidade. "Cada instante da nossa existência deve ser reconhecido."

Metas para o futuro

Começar a dar aulas e viajar estão nos planos de Luis, que se considera alguém que sempre busca o melhor em tudo que faz. Como metas para o futuro, o cerimonialista acredita que já está conquistando uma delas: se tornar conhecido nacionalmente como mestre de cerimônias. "Outros estados já me chamam para fazer eventos. Meu desejo é fortalecer e expandir ainda mais o meu trabalho pelo País." O jornalista busca, também, auxiliar na formação de futuros profissionais, ministrando cursos na área de cerimonial. "Gosto muito de ver outras pessoas crescendo através da minha experiência. Quero vê-los aproveitarem este momento. Será algo realmente satisfatório."

Mesmo estando em busca de propósitos profissionais, sua maior vontade pessoal é botar o pé na estrada. "Quero conhecer lugares que eu não explorei ainda. Não só no Brasil, mas fora também", projeta. Para ele, o único obstáculo que o impede de realizar seus objetivos é o fato de ser acomodado. "Eu encaro isso como defeito porque é uma situação que eu tento superar. Em algumas coisas, sou conformado e poderia ter mais iniciativa."

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