Perfil

Marcelo Repetto: Nada substitui as relações humanas

Diretor da Regional Sul da Claro, o administrador começou a trabalhar aos 14 anos e sempre se destacou pela responsabilidade e boa comunicação

Do adolescente que buscava independência financeira ao executivo que participou das maiores transformações da telefonia brasileira, o diretor da Regional Sul da Claro construiu uma carreira guiada pela curiosidade, capacidade de adaptação e convicção de que nenhuma inovação supera o poder da conexão entre as pessoas.

Durante boa parte da vida, Marcelo Repetto esteve cercado por mudanças. Viu o telefone deixar de ser um aparelho preso à parede para caber no bolso. Acompanhou a popularização da internet, a inovação dos smartphones, a digitalização dos negócios e, mais recentemente, a inteligência artificial começar a redefinir a forma como as empresas atuam.

Não seria estranho pensar que, depois de quase 40 anos trabalhando, 25 deles dedicados ao setor de Telecomunicações, sua principal crença estivesse na tecnologia. Mas bastam alguns minutos de conversa para perceber que ela está em outro lugar. “Tecnologia abre portas, mas o que fecha negócio são confiança e relações humanas.”

Independência financeira

A percepção, no entanto, começou muito antes dos cargos de liderança, das grandes empresas e, até mesmo, da faculdade. A independência financeira tornou-se necessidade quando ainda muito jovem perdeu o pai, Leonardo. Sem querer sobrecarregar a mãe, Lola, nem pedir dinheiro para o padrasto, José Nelson (ambos em memória), começou a trabalhar aos 14 anos como menor aprendiz no Banco do Brasil.

O senso de responsabilidade tornou-se uma identidade. “Sempre tive compromisso com os estudos e o trabalho, pois sabia que eram o caminho para realizar os meus sonhos”, conta ele. Quando concluiu o ensino médio, foi trabalhar na área de Planejamento e Logística da DHB, empresa de sistemas automotivos. 

A entrada na indústria automotiva parecia, à primeira vista, um caminho distante daquele jovem comunicativo. No ambiente da DHB, predominavam processos, indicadores, produtividade e eficiência. Porém, foi ali que Repetto desenvolveu uma outra forma de pensar que ainda orienta suas decisões e seu modelo de liderar.

Antes de olhar para uma tarefa isolada, procurava entender como cada etapa influenciava a seguinte. Queria enxergar o funcionamento completo da operação. “Uma recomendação que eu dou pra todo mundo é que entenda seu papel, qual sua parte no elo da cadeia”, orienta ele, que preza pelo incentivo ao crescimento dos liderados, assim como recebeu oportunidades ao longo de sua trajetória. 

A visão sistêmica acabou influenciando também sua escolha pela faculdade de Administração, na qual se formou pela Universidade Luterana em 2000. O primeiro vestibular, contudo, foi para um curso completamente diferente: Jornalismo. Não seguiu por esse caminho, mas a vida o colocou de diferentes maneiras no desempenho de atividades que envolvem muito o universo da Comunicação.

Finitude e família

Durante muitos anos, a carreira ocupou o centro das atenções. Coleciona no currículo cargos importantes em instituições como Dana, Telefônica Brasil — que hoje é a Vivo —, Oi e Claro. Vieram promoções, mudanças de estado, cursos internacionais e responsabilidades cada vez maiores. Até que um episódio mudou completamente sua perspectiva.

Em 2016, durante uma viagem aos Estados Unidos para participar do maior evento de Varejo do mundo, a National Retail Federation (NRF), uma intensa dor de cabeça revelou um diagnóstico inesperado: meningite. O retorno ao Brasil aconteceu às pressas. Vieram dias de internação e um longo período de recuperação.

“Quando tu experimenta a finitude, o que fica é o que tu tem de mais profundo que é a família”, pondera, afirmando categoricamente que sua maior referência na vida é a esposa, Roberta, com quem é casado há 25 anos. “É um exemplo de pessoa incrível, profissional excelente. Sempre esteve do meu lado, apostou em mim, cuida muito da nossa família, fez renúncias e me apoiou nos momentos que eu mais precisava.”

Gosto por ensinar

Durante a graduação, os trabalhos acadêmicos deixaram de ser exercícios abstratos para se transformar em soluções reais. Levava para a sala de aula situações vividas na fábrica da DHB e retornava à empresa disposto a testar novas ideias.

Uma delas mudaria o rumo da carreira. Um projeto desenvolvido para a área de Logística foi aplicado na operação e gerou resultados concretos. O reconhecimento veio em forma de promoção e reforçou seu gosto não somente por aprender, mas também por ensinar. 

Ainda durante a faculdade, começou como monitor em cursos técnicos de Logística. Pouco tempo depois, passou a dar aulas. O objetivo inicial era simples: a atividade garantia um desconto na mensalidade da graduação. Aos poucos, porém, descobriu a satisfação de poder passar também seus conhecimentos adiante. 

Anos depois, mesmo ocupando posições executivas, diz que se tivesse outra profissão, provavelmente seria professor. Trazendo para sua realidade atual, na Claro, onde trabalha há 13 anos, enxerga uma porta para mentorear pequenas e médias empresas a respeito da tecnologia de gestão. “A Claro está fazendo uma democratização da inteligência artificial para pequenos negócios, que muitas vezes acham que não é pra eles, e tem sido muito legal participar disso”, assegura.

Sabe que para isso é preciso se manter atualizado e em constante aprendizado. Recentemente, estudou em uma das mais reconhecidas instituições de ensino do mundo, o Massachusetts Institute of Technology (MIT), fazendo uma especialização em estratégias de negócios a partir da inteligência artificial. 

Valores compartilhados

A forma como lida com os colaboradores de sua equipe se assemelha a como vê a relação de orientar e forjar os valores que acredita nos filhos, Gabriel, 16 anos, e Rafaela, 13. “O talento é diferente em cada um e meu papel é descobrir e dar condições para que as pessoas vivam suas melhores versões”.

Com os filhos, ainda jovens estudantes, encontrou no esporte uma maneira de ensinar. Gabriel é judoca e Rafaela, tenista. Espera, com isso, que eles aprendam sobre como se relacionar com as pessoas, a ganhar e perder, a terem respeito e disciplina. 

A paixão pelo esporte também está nele próprio, que pratica musculação, nada, surfa e prioriza o contato com a natureza. Na empresa, também propaga a ideia através de um grupo chamado ‘Faz bem estar bem’, onde os colegas compartilham entre si dicas de exercícios, alimentação e incentivam um ao outro a se cuidarem. 

Reinvenção 

“Não desisto, sou muito positivo. Problema pra mim é só pra eu descobrir o que fazer com ele”, enfatiza Repetto, que já precisou se reinventar diversas vezes ao longo da trajetória pessoal e profissional. O livro ‘Sonho Grande’, da jornalista Cristiane Correa, que conta a história de Beto Sucupira, Jorge Paulo Lemann e Marcel Telles, foi uma inspiração para ele. “Eles falam muito sobre as pessoas que não têm condição mas querem muito e eu sempre me vi nisso”, reflete. 

Logística, planejamento, comercial, vendas, serviços, tecnologia, gestão de pessoas. Ele não tem medo dos desafios e nunca perdeu as oportunidades de mostrar interesse em aprender, desenvolver seus talentos e avançar em cada nova proposta de trabalho que surgiu ao longo da vida, o tirando-o da zona de conforto e impulsionando-o a buscar mais. 

Coordenador, gerente, diretor. Ele sobe cada degrau com humildade e disposição. Mas também sabe aproveitar os frutos da dedicação e adora viajar com a família, experimentar novos vinhos, ir aos jogos do Internacional com a filha, brincar com a cachorrinha Ivy, fazer um churrasco com os amigos, correr e, claro, desfrutar da companhia da esposa. Tudo sempre baseado em seu mantra: “Menos eu, mais nós.”

Autor

Shállon Teobaldo

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