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Grupo Sinos: a voz da comunidade

Empresa atravessou quase sete décadas reinventando as plataformas, sem abrir mão do compromisso de conectar pessoas e mobilizar a região

A integração da redação ajuda a explicar outra transformação vivida pelo Grupo Sinos. Crédito: Banco de Imagens.

A memória está logo na entrada. Não como um exercício de nostalgia, mas como uma apresentação. Antes mesmo de alcançar a redação do Grupo Sinos, na sede de Novo Hamburgo, o visitante percorre um pequeno corredor onde a história da empresa foi organizada em totens, fotografias, capas de jornais e objetos que acompanharam diferentes fases da comunicação. É um percurso silencioso, mas revelador. Cada peça parece responder à mesma pergunta: por que um jornal existe?

O primeiro totem guarda um abaixo-assinado da década de 1990. Não foi produzido para registrar um acontecimento, mas para transformá-lo. Na época, a mobilização era contra a implantação de um pedágio que alteraria a rotina de milhares de moradores do Vale do Sinos. O jornal abriu espaço para o debate, deu visibilidade à reivindicação da comunidade e ajudou a construir uma mobilização que mudaria os rumos daquela proposta.

Mais adiante, a primeira manchete do então Jornal São Leopoldo cobra a implantação do serviço automático de telefonia. Em outro ponto do corredor, um aparelho de fax, um telex e um dos primeiros celulares utilizados pela empresa e antigos equipamentos de rádio lembram que a tecnologia muda continuamente. A vocação, nem tanto.

“O nosso papel é informar. Mas, nas questões mais amplas, precisamos ir além da notícia. O Grupo Sinos sempre procurou conectar as diferentes vozes da comunidade. Empresários, poder público, oposição, entidades. É quase como ser o juiz da partida: dar espaço para que todos sejam ouvidos”, resume o diretor executivo, Igor Müller.

É impossível chegar à redação sem entender que aquele corredor não celebra apenas o passado. Ele explica o presente. Poucos passos depois, o visitante chega ao coração da empresa.

A redação surpreende pelo tamanho. Um amplo salão, iluminado pelas grandes janelas que acompanham praticamente toda a lateral do prédio, abriga jornalistas, editores, apresentadores, produtores e equipes digitais. As mesas estão distribuídas em grandes ilhas de trabalho e a “central de comando da redação”, onde sentam os editores-chefes que têm visão privilegiada de tudo que acontece.

Trabalho integrado

Enquanto uma jornalista grava um boletim para a rádio usando um microfone conectado ao computador, a poucos metros adiante colegas editam vídeos, acompanham o desempenho das reportagens nas redes sociais, fecham páginas do jornal impresso e monitoram a atualização do portal. Ali, a convergência deixa de ser discurso e passa a ser rotina. 

“Hoje não existe mais jornalista apenas do impresso ou apenas do digital. Pensamos a produção para diferentes plataformas. Algumas pessoas têm mais dedicação a um formato, mas todos trabalham de forma integrada”, explica Igor.

Mas nenhuma transformação acontece apenas por causa da tecnologia. Ela acontece por causa das pessoas. Em uma ponta da redação está Arlete Biasibetti. São 28 anos de Grupo Sinos, interrompidos apenas por um período em que viveu na China. Hoje, como editora sênior, coordena a chefia de reportagem e assina diariamente a coluna Sabe-Tudo.

“Trabalhar no Grupo Sinos proporciona desenvolver diariamente um olhar crítico e de conexão com as cidades onde estamos alicerçados. Somos um veículo comunitário, mas também um veículo de construção. Acompanhamos a transformação do Jornalismo e precisamos desenvolver novas habilidades para fazer a informação chegar ao leitor na plataforma em que ele está. Crescer profissionalmente é se adaptar, se reinventar e, ao mesmo tempo, preservar a experiência”, destaca. 

Experiências e aprendizagens

Ela observa que a redação reúne profissionais de diferentes gerações. “Os jovens chegam com domínio das novas tecnologias e muita disposição para aprender. Os mais experientes ajudam a enfrentar situações complexas. É uma construção coletiva, sempre pensando no leitor.” 

Poucas mesas adiante está Dionata Rafael Allgayer. Há pouco mais de um ano, ele ainda era estagiário de Jornalismo. A primeira grande cobertura foi justamente a enchente histórica que atingiu o Rio Grande do Sul em 2024. 

“Foi o primeiro grande momento da minha vida jornalística. A gente criou casca ali. Aprendi muito rápido porque a realidade exigia isso. Depois veio a efetivação e hoje acompanho o desempenho das publicações nas redes sociais para entender como podemos entregar melhor o conteúdo ao público”, conta.

Mas o que mais o motiva continua sendo o impacto das reportagens. “Quando uma matéria ajuda alguém, não importa se foi um vídeo, um card ou um texto. Isso não tem preço. É o momento em que a gente percebe que fez diferença na vida de uma pessoa.”

Um Grupo em sete marcas

O ambiente da redação ajuda a compreender por que a redação mudou tanto ao longo dos últimos anos. Se antes cada veículo funcionava de forma mais independente, hoje as fronteiras praticamente desapareceram. A pauta nasce de forma colaborativa, circula entre diferentes plataformas e ganha linguagens distintas conforme o público e o canal de distribuição. A integração deixou de ser apenas uma estratégia tecnológica para se tornar uma forma de produzir Jornalismo. 

A integração da redação ajuda a explicar outra transformação vivida pelo Grupo Sinos. Hoje, a empresa reúne os jornais Diário de Canoas e Jornal de Gramado, Jornal NH, Jornal VS, além da Rádio ABC 103.3 FM, do portal ABC+, da revista Like, da publicação especializada Exclusivo e de uma área dedicada à promoção de eventos, que também se tornou um importante elo com a comunidade.

“Hoje pensamos o conteúdo de forma multiplataforma. O jornalista não produz para um único meio. Ele produz para o público, e cada plataforma tem sua linguagem. É isso que orienta a nossa rotina”, comenta Igor Müller.

Em ritmo acelerado

Essa reorganização foi acelerada nos últimos anos. Durante a pandemia, a empresa percebeu que os leitores já não consumiam notícias respeitando as fronteiras geográficas que historicamente delimitavam a circulação dos jornais. O assinante do Jornal NH também queria acompanhar Canoas, Gramado ou São Leopoldo, e vice-versa. Da percepção nasceu o ABC+, reunindo a cobertura regional em uma única plataforma digital, enquanto as marcas tradicionais permaneceram fortes no impresso e nas redes sociais.

“Respeitamos muito o nosso legado. Nunca pensamos em abandonar a história das marcas. O desafio era justamente evoluir sem perder essa identidade construída ao longo de décadas”, afirma o diretor executivo.

A redação começa a ganhar movimento ainda antes das seis horas da manhã e acompanha o ritmo da notícia até perto da meia-noite. Em dias de chuva intensa, enchentes ou grandes coberturas, o planejamento muda rapidamente e entram em ação escalas especiais para garantir que a informação continue chegando ao público.

Enquanto alguns editores acompanham o fechamento das edições impressas, outros monitoram o desempenho do portal em tempo real. Há quem esteja preparando um boletim para a Rádio ABC, quem grave vídeos curtos para as redes sociais ou organize entrevistas para o futuro estúdio de videocast, atualmente em fase de implantação. São tarefas diferentes, mas que compartilham o mesmo ambiente e, principalmente, o mesmo propósito.

“Na prática, a essência é a mesma”

Ao deixar a redação e voltar ao corredor da memória, as peças expostas ganham um significado diferente. O fax, o rádio, o primeiro celular, as capas históricas e o abaixo-assinado já não parecem apenas objetos de um passado distante. Eles contam a história de uma empresa que nunca deixou de mudar.

Hoje, as notícias também circulam em vídeos verticais, chegam pelos aplicativos de mensagem, atravessam as ondas da Rádio ABC, abastecem o portal ABC+ e alimentam diferentes plataformas digitais. Amanhã, provavelmente chegarão por outros caminhos. O Grupo Sinos está atento a estas e outras transformações. Tanto que investe em novos formatos, testa estratégias, aposta em vídeos e prepara um estúdio para videocasts.

Mas há uma certeza que atravessa todas essas transformações. Enquanto as ferramentas evoluem, permanece a inquietação de ouvir a comunidade, conectar pessoas e provocar discussões capazes de transformar a realidade ao redor. Igor Müller sorri ao resumir quase sete décadas de história em uma única frase: “Na prática, a essência é a mesma. O que mudou foi o tamanho.” E talvez seja justamente isso que aquele pequeno museu na entrada tenta dizer antes mesmo de qualquer visita começar. 

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