Editor-chefe do HuffPost Brasil abre a tarde de palestras com painel sobre fake news

Diego Iraheta sobre a transformação do Jornalismo discorreu sobre Jornalismo 2.0

A tarde do primeiro dia de Share Talks foi aberta com Diego Iraheta, editor-chefe do HuffPost Brasil. No evento, que está acontecendo na ESPM-Sul, abordou-se os problemas que as fake news geram e como contê-las. As novidades do Jornalismo, com a 'versão 2.0' também foi tópico do painel.

Diego iniciou a palestra comentando sobre a relação do Jornalismo com o Facebook, que ultimamente tem dado mais prioridade para mostrar às pessoas o conteúdo compartilhado pelos amigos do que por páginas. Citou-se, então, a Folha de São Paulo, que, recentemente saiu da rede social, e ele questionou: "Você é #teamface ou #teamfolha?" e, para a surpresa do palestrante, a maioria optou pela segunda opção.

O editor-chefe do HuffPost Brasil também recordou o Jornalismo 1.0, quando foi lançado o world wide web (www), e a internet discada era o meio de acesso e era necessário ter um site. Não tinha caráter de rede e multimídia, ou seja, quando era transposição do jornal para a tela sem fotos ou vídeos. Por outro lado, já tinha um caráter social com o lançamento das plataformas de bate-papo como o MIRC e o ICQ.

Em 2004, porém, de acordo com ele, houve o 'Manifesto Web 2.0', no qual foi concluído que as pessoas poderiam mandar na internet, como a criação de redes sociais, que podem ser definidas como espaço coletivo com a possibilidade de participação. Além disso, possuem características de terem perfil, serem em lista, e com recursos de conversação. Neste quesito, ele abordou casos com o uso para o espaço de fala, de união coletiva e, até mesmo, na criação de protestos, como no Brasil em 2015. Os públicos nas redes, por sua vez, de acordo com Diego, têm voz, como nas postagens de texto e foto.

Por outro lado, a versão 2.0, segundo ele, "é o Jornalismo praticado por meio de processos horizontais de produção e distribuição da notícia, viabilizados pelas redes sociais. Uma reinvenção da atuação em que o profissional e o leitor-internauta ocupam a mesma posição e decidem juntos, de maneira múltipla e simultânea o que deve ser jornalismo".

Por sua vez, confessou ter acreditado que era o fim do monopólio dos Jornalistas, pois, atualmente, qualquer pessoa que tem a possibilidade de escrever, tirar fotos e criar vídeos que irão para a internet e, logo, também está com o poder de disseminar o que está acontecendo. Porém, todos também querem falar no meio e, com essa possibilidade, há propagação de falsas informações que podem gerar fake news. Isso devido a criação de perfis falsos ou crenças em informações não checadas, por exemplo.

Diego avaliou que se deve reconhecer as notícias falsas pelo tom da frase divulgada, assim como a utilização de adjetivos fortes, ou de sensacionalismo, além de observar se não contém assinatura. O profissional ainda observou para entenderem a diferença entre opinião e informação. "Tentar ler a matéria e não ficar só no título; auditar a fonte como autor e primária, além de site, crédito; checar a data da publicação e não ficar refém das mesmas pessoas com pensamentos iguais", foram algumas dicas. Ainda salientou que é necessário pensar duas vezes antes de compartilhar e enviar as informações e, principalmente, procurar por sites especializados em desvendar verdades e mentiras.

Por final, concluiu "os jornalistas podem atuar com a crise de legitimidade da área quando acabarem com a militância", criticou ele, ou seja, torcida por um dos lados apontados. Para tal, manifestou-se em prol do jornalismo raiz como voltar ao básico, estar mais na rua, investigar e levantar banco de dados, desconfiar mais, apurar mais informações e entender que o repórter é mais necessário que o curador.

 

 

 

 

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