A vitória da CNN

Por Leila Cordeiro Foram quase dois anos de campanha. Nesse período, as grandes redes de TV americanas aumentaram aos poucos o espaço dos candidatos …

Por Leila Cordeiro

Foram quase dois anos de campanha. Nesse período, as grandes redes de TV americanas aumentaram aos poucos o espaço dos candidatos até o sensacional desfecho nesta terça-feira histórica. Os telespectadores puderam nesse período acompanhar a preferência de cada uma das emissoras em relação a este ou aquele candidato.


Na reta final da disputa, a FOX não fez questão de disfarçar sua opção por McCain, através dos comentários de seus principais âncoras e analistas políticos. A ponto de repetirem os mesmos "mantras" lançados nos palanques de campanha republicanos. A ordem era falar da inexperiência de Obama e de
sua ligação com terroristas, além de dizer a todo momento que ele, se eleito, implantaria o socialismo nos Estados Unidos.


A MSNBC, casamento perfeito entre a Microsoft com a poderosa NBC, embora de forma menos agressiva que a FOX, assumiu a candidatura Obama, mas abriu espaço para opiniões e entrevistas com partidários de McCain. Eles podiam falar livremente, sem serem quase agredidos como acontecia na FOX, com quem defendia a candidatura democrata.


Mas o grande show, sem dúvida, ficou com a CNN. Pode até ser que seus profissionais tivessem simpatia por uma candidatura, mas o espaço dedicado à cobertura foi igual para os dois candidatos e seus estrategistas. Essa é a posição correta (e responsável) que uma emissora de TV deve tomar diante de seu enorme poder de penetração.


Entre o radicalismo da FOX e a simpatia ostensiva da MSNBC por Obama, a CNN foi a grande vitoriosa. Como fez nos debates presidenciais, montou duas mesas-redondas. Uma com estrategistas políticos, devidamente creditados como republicanos e democratas, e outra com analistas da própria emissora, também assumidamente democratas e republicanos. Mais imparcial do que isso, impossível.


A naturalidade com que seus âncoras, repórteres e comentaristas se movimentavam no estúdio era impressionante. Parecia que estavam todos em casa numa grande reunião onde o assunto era política. Cada um com seu laptop, sem preocupação de fazer caras e bocas para as câmeras. Aliás, todos se comportam como se não houvesse câmeras. São focalizados de lado, de costas, de frente, como se não estivessem num estúdio de TV. Também a quantidade de câmeras e os cortes de imagens transformam a transmissão num espetáculo quase cinematográfico. Um reality show "real", com redundância mesmo.


A CNN inovou também em tecnologia. Na transmissão desta terça-feira, ela lançou uma novidade que deixou telespectadores e até os próprios profissionais de boca aberta. O jornalista Wolf Blitzer, que ancorou toda a cobertura dos estúdios em Nova Iorque , chamou uma repórter que estava em Chicago e ela apareceu na frente dele de corpo inteiro, como se estivesse ali em carne e osso. Eles tentaram explicar como funciona todo esse avanço, difícil para quem não é do ramo entender, mas ficou a impressão de que as técnicas realmente futuristas chegaram à CNN, algo parecido com o que se vê em filmes de ficção como Star Wars, por exemplo, onde os personagens se comunicam através da chamada holografia.


É a tecnologia a serviço de um novo tempo, uma nova era que está começando para o país e para o mundo. A CNN e todas as emissoras de TV podem comemorar porque transmitiram um momento histórico e esperado por toda a comunidade internacional, a eleição de Barack Obama, um líder nato, negro, filho de mãe solteira , um professor que virou senador e em pouco mais de dois anos presidente da maior potência do planeta? e isso é mais importante e poderoso do que qualquer tecnologia!

*Leila Cordeiro atuou na TV Globo e na TV Manchete e na CBS Telenotícias Brasil, como repórter e âncora. O artigo foi publicado originalmente no site www.diretodaredacao.com.br

Comentários