TCCendo entre e com vinhos

Por Cris De Luca

Fazer um TCC depois de já ter feito um projeto experimental, um planejamento estratégico, um plano de marketing e uma dissertação deveria ser mais simples, mas nunca é, principalmente, quando a gente começa a fazer revisão teórica e parece que sempre falta algo. Ou começa a pesquisa em si em cima do objeto e já quer sair fazendo considerações e interpretações mil sobre o assunto. Aquela coisa chamada ansiedade, que faz a gente sofrer por antecipação, que faz a gente estar aqui escrevendo e ir ali no outro arquivo dar uma mexidinha.

Por sorte, ou não, meu objeto é bem próximo e está bem no meu dia-a-dia: o vinho, mais especificamente, o vinho nacional e sua gestão de marca. E claro que vai ter um capítulo dedicado aos vinhos do mundo para poder ter algo de comparação. Infelizmente, minhas degustações e observações não vão adiantar de muita coisa por não ter embasamento científico, mas continuamos bebendo para inspirar e tentando encontrar documentos oficiais para trabalhar em cima deles. Mas antes de entrar no mundo do vinho, tem muita coisa para fazer ainda. Tem que ler muito sobre gestão de marca, efeito da marca-país, place branding, entender as diferenças entre Denominação de Origem, Indicação de Procedência, Indicação Geográfica e por aí vai.

Desde que definimos, eu e meu orientador, qual o caminho a seguir no estudo para o trabalho final, não bebo mais vinho da mesma forma, fico olhando os detalhes dos rótulos, como aparece o país de origem, a região produtora, se tem algo na rolha referente a isso, se existe um certo orgulho de dizer de onde veio ou se é meio mascarado. Mesmo quem ainda não transita muito nesse mundo já consegue observar algumas coisa, por exemplo, nos vinhos europeus normalmente a vinícola e a região de onde eles vêm estão bem mais expostas e claras do que os tipos de uva. Já no Novo Mundo, como chamamos as regiões produtoras mais novas, o que está em evidência é o nome do rótulo e a variedade das uvas. Tanto que quem não conhece quase nada sobre vinhos, acaba escolhendo sempre pelo varietal para ficar mais seguro na hora da compra.

Existe ainda um novo mundo a ser descoberto e, pelo que tenho visto, não é pouca coisa, não. E olha que vou ficar restrita a como as regiões de produção são utilizadas nas estratégias de gestão de marca dos países. Os aromas e sabores, e todo aquele encanto que os enólogos constroem nos tanques, barricas e garrafas vão ficar para outro momento, pós-tcc. Porque é um assunto tão apaixonante, que quanto mais tu entras nele e descobre alguns detalhes, mais vontade tu tens de te embrenhar e te enfiar para dentro das garrafas.

Vamos parar de divagar sobre isso e tratar de ir escrever o TCC, né? Mas deixo uma dica de livro para quem quiser começar a entrar no mundo maravilhoso dos vinhos. Ganhei ele faz dois anos, acho, no meu aniversário, e é meio um manual de iniciação à degustação, a saber mais sobre as uvas, sobre os aromas possíveis e afins. É o Wine Folly - O Guia Essencial do Vinho, da Madeline Puckette e do Justin Hammack, que tem versão em português. E tem o site também, só que em inglês:winefolly.com. É só acessar, abrir um vinho e se divertir. Cheers!!

 

Autor
Jornalista, formada pela Universidade Federal de Santa Catarina, especialista em Marketing e mestre em Comunicação - e futura relações-públicas. Possui experiência em assessoria de imprensa, comunicação corporativa, produção de conteúdo e relacionamento. Apaixonada por Marketing de Influência. Atualmente, é gestora de Relacionamento com o Mercado do Share. Também integra a diretoria da ABRP RS/SC e é professora visitante na Unisinos e no Senac RS.

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