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Tatuagem não é rótulo

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Cultivo o hábito de toda manhã buscar as principais notícias, começo ainda em casa e durante o caminho vou ouvindo rádio e passando os olhos nos aplicativos e, assim que chego ao trabalho, folheio os principais jornais. O dia de hoje me fez olhar pelo retrovisor ao noticiar que policiais militares que tenham tatuagens podem ser exonerados. Em pleno 2017! Sim, estava lá, como manchete de capa.

Um documento oficial da Brigada Militar, citado na matéria, diz que militares estaduais da corporação não podem ter tatuagens em locais visíveis do corpo. (Gente, que absurdo!) Porém, no ano passado (2016), o STF já julgou inconstitucional a proibição de tatuagens para candidatos a cargo público por acreditar que isso fere os princípios constitucionais da isonomia e da razoabilidade, além de considerar que a tatuagem representa de forma autêntica a liberdade de expressão do indivíduo.

Na minha profissão eu poderia dizer que as tatuagens estão mais à mostra faz tempo, e que as pessoas de fora até compreendem que o dinamismo e despojamento da comunicação combinam com os traçados. Mas mais que isso, tatuagem combina com quem quiser ter! Todas as pessoas, independente das profissões escolhidas, podem ter! É um retrocesso tremendo essa discriminação. Um preconceito besta e vazio.

“As tatuagens não fazem de nós delinqüentes, assim como as gravatas não fazem dos outros decentes”. Considero desnecessário enumerar situações de moral duvidosa protagonizada por engravatados. (vide a atual situação política que vivemos). A frase, também presente na matéria, foi dita pelo presidente da Associação dos Policiais Militares do RS, Dalvani Albarello, que inclusive disse ter tatuado o braço para cobrir uma cicatriz de um acidente.

Por experiência própria e também observação, as pessoas fazem tatuagem pelos mais variados motivos. Seja para marcar o nome de um filho, o amor pela profissão, as coordenadas geográficas de um lugar, um mantra, um obstáculo vencido na vida, uma homenagem a algum familiar, ilustrar a sua fé…etc, as razões são infinitas e fazem sentido para quem as carrega. É pessoal, é livre a manifestação! E mais: o corpo é de cada um que decide se rabiscar!

A tatuagem é uma espécie de ‘acessório’ permanente que serve para adornar e não tem influencia nenhuma sobre o caráter de quem a tem. Vamos nos preocupar com o que realmente importa, como bem colocou Oscar Wilde, que diz que ética é o que você faz quando está todo mundo olhando, e o que você faz quando não tem ninguém por perto chama-se caráter. Portanto, ética nada tem a ver com o que você carrega desenhado consigo. O nome disso é personalidade, que já é assunto para outra coluna.

Autor
Grazielle Corrêa de Araujo é formada em Jornalismo, pela Unisinos, e Pós-graduada em Marketing de Serviços, pela ESPM. Atualmente cursa MBA em Propaganda, Marketing e Comunicação Integrada. É a responsável pela Comunicação Social do IPERGS. Atuou ainda na comunicação da Martins + Andrade, Uffizi, CDL Porto Alegre, Centro, Palácio Piratini e Assembleia Legislativa. É apaixonada por escrever, acredita na comunicação integrada e estuda para se tornar – também – profissional em Planejamento. Tem o site www.graziaraujo.com.

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