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Tudo e um pouco mais vendido na Rua da Praia

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Tudo o que você precisar na sua vida pode ser encontrado no chão, nas calçadas, nas vitrines, nas esquinas, nas bancas irregulares e nas lojas do comércio formal, aquele que paga impostos, na Rua dos Andradas. Popularmente conhecida como Rua da Praia, encravada no coração pulsante do Centro Histórico de Porto Alegre, ali se espalham artigos para o lar de todas as classes sociais, utensílios domésticos, mercadorias de extrema inutilidade, produtos de beleza, objetos de decoração, dos mais fashions aos mais bregas, brinquedos e tudo o mais que a vã imaginação humana jamais pensou que pudesse existir.

Este comércio de tudo um pouco se situa, principalmente, entre as sete quadras da Rua da Praia mais efervescentes. No trecho compreendido pela Rua General Câmara (Rua da Ladeira para os mais antigos), Rua Uruguai, Avenida Borges de Medeiros, Rua Marechal Floriano, Rua Vigário José Inácio, Rua Doutor Flores e, finalizando na Rua Senhor dos Passos, o pedestre encontra lojas dos mais diversos ramos, pequenos locais para um rápido café e um lanche, às vezes, banhado ao óleo velho, casas bancárias, edifícios e edifícios que abrigam escritórios de advocacia, consultórios médicos, salões de beleza, academias, comércio de lingeries a preços animadores e muitas, mais muitas unidades de farmácia.

Aliás, o povo deve mesmo andar doente e necessitando cada vez mais de medicamentos.  Porque nunca se viu tanta farmácia sendo aberta em Porto Alegre (não conheço a realidade de outras cidades, mas arrisco dizer que a situação deve repetir-se). Na própria Rua da Praia, é espantoso o número de farmácias a ocupar os pontos mais privilegiados da via. Chega-se ao absurdo de ter uma farmácia ao lado da outra. Ou uma farmácia na frente da outra. E mais incrível ainda: unidades da mesma rede a poucos metros de distância para atrair o consumidor doente do corpo e da mente e angustiado com tanta oferta.

A concentração de tantas opções do mesmo produto em uma distância tão curta deve ser aproveitada pelo consumidor para uma salutar pesquisa de preços. Isto é claro, se ele conseguir escapar dos ladrões que perambulam soltos, livres e faceiros pela rua.  Logo, se você tiver necessidade de adquirir algum remédio e estiver por perto da Rua da Praia, nada de sair comprando na primeira farmácia. Faça pesquisa nos mais de 12 estabelecimentos do ramo situados ali e compre naquele que oferecer o menor preço.

Se você precisa comprar óculos de sol, renovar seus óculos de correção ou somente trocar a armação, por favor, não deixe de perambular, com muita calma pela Rua da Praia, no pequeno trecho localizado entre a Rua Doutor Flores e a Rua Senhor dos Passos. É simplesmente impressionante, mas neste lote, funcionam nada mais, nada menos do que 12 óticas. Até fevereiro, eram 13 lojas, mas uma fechou suas portas, talvez espremida pela concorrência.  Pois ali, existem óticas ou ópticas para todos os gostos e bolsos. E já informo: segundo o dicionário Caldas Aulete, a palavra óptica só pode ser usada para os fenômenos da visão e ótica pode ser sinônimo de óptica ou relativo ao ouvido. Portanto, visite, conforme sua vontade, as ópticas ou óticas da Rua da Praia.

Mas os produtos mais excêntricos, estranhos e, ouso dizer, de muita inutilidade pública, encontram-se espremidos entre as lojas do comércio formal e um pequeno trecho que fica para o pedestre caminhar entre a Rua Marechal Floriano, Avenida Borges de Medeiros, Rua Uruguai e General Câmara. Os ambulantes, que não estão nem um pouco preocupados com a fiscalização, inexistente definitivamente desde que a Secretaria Municipal da Produção, Indústria e Comércio (Smic) deixou de existir na atual gestão do prefeito Marchezan e foi absorvida não se sabe em que órgão, abusam da liberdade e ostentam suas mercadorias de todos os tipos, de todos os tamanhos e para todos os fins. E com criatividade que não lhes falta, eles inventam as finalidades.

Por exemplo, algo anunciado como veda porta é vendido em todos os cantos entre estas quatro vias que cortam a Rua da Praia. Mas para que raios deve servir um veda portas? Ora. Elementar. Para potencializar o efeito do ar condicionado, para evitar a entrada de insetos rasteiros (leia-se baratas, eca), para isolar melhor os compartimentos do ambiente, para dar mais privacidade. Foram estes argumentos que um ambulante me elencou ao citar os benefícios do produto e depois, sem um pingo de educação, xingar-me até a minha terceira geração de antepassados porque argumentei que não levaria tal mercadoria por achar R$ 15,00 muito caro. Na realidade, nunca tive a intenção de vedar as minhas portas, apenas queria mesmo saber sua “utilidade”.

E neste trecho, lhe asseguro leitor e leitora, vocês encontram filtros dos sonhos, enfeites de paredes pintados em long plays (LPs), espelhos, antenas milagrosas que dispensam a assinatura de qualquer televisão fechada, cachorros de pelúcia que latem e caminham movidos a pilhas, carrinhos impulsionados por controles, bermudas e camisetas de times famosos, legitimamente importadas do Paraguai, leques da China (será?). E agora, neste período que antecede a páscoa, inudam o chão da Rua da Praia as cestas de vime e as palhas para encantar os olhos dos pequenos e das pequenas que ainda acreditam no Coelhinho da Páscoa.

Está precisando de algo para o seu lar, escritório, higiene e beleza, presente de aniversário. Na Rua da Praia tem!

Autor
Márcia Fernanda Peçanha Martins é jornalista, formada pela PUCRS. Trabalhou no Jornal do Comércio, onde iniciou carreira profissional, na Zero Hora, no Correio do Povo e em assessorias de comunicação social empresariais e públicas. É poeta, diretora do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS. E tem o blog marcinhaprodigio.blogspot.com.

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