O smartphone amplia o individualismo ? parte 2

Além de analisar os benefícios e os malefícios do smartphone é necessário refletir sobre a sua capacidade viciante: indivíduo versus smartphone. A pergunta que …

Além de analisar os benefícios e os malefícios do smartphone é necessário refletir sobre a sua capacidade viciante: indivíduo versus smartphone. A pergunta que precisa ser feita é: as pessoas estão dominando o smartphone ou smartphone está dominando as pessoas?
Este debate contempla o fenômeno da distração digital que se classifica pela onipresença das multitelas em nosso cotidiano, com a crescente tendência de hiperconectividade em várias redes sociais. Neste contexto o indivíduo intercala suas funções entre um e-mail, uma espiada na timeline ou, até mesmo, em uma ou muitas postagens. Nas pesquisas realizadas pelo IPO - Instituto Pesquisas de Opinião, a maior parte dos entrevistados que utilizam redes sociais (60%), as acessam todos os dias.
Ficar oscilando de uma tela para outra ou entre a realidade e a tela do celular interfere na capacidade de memorização de longo prazo, pois o indivíduo recebe muitas informações instantâneas e fragmentadas. Há dificuldade de absorção destas informações, destas vivências.
As multitelas (smartphone, tablete, notebook?) se tornaram parte da rotina das famílias, onde cada indivíduo está "hipnotizado" diante de seu aparelho e neste "transe" não percebe novos sintomas comportamentais: como variação no sono, a falta de atenção, o aumento da obesidade, a ampliação do stress e da depressão. Estes e outros dilemas ganham espaço dentro das casas, dentro das escolas, no trabalho e no cotidiano, em geral. Os comportamentos estão sendo alterados e a reflexão sobre os exemplos cotidianos é pertinente:
Há uma década atrás, mães "brigavam" com seus filhos pequenos para que os mesmos deixassem um pouco os amigos e entrassem para dentro de casa, hoje mães precisam estimular os filhos para sair da multitela, para fazerem amigos reais.
Reunião familiar ou encontro de amigos se constituía em um momento de relato das atividades, sonhos, conquistas ou derrotas que hoje são expostas nas timelines, fazendo com que a reuniões familiares sejam momentos de registros do evento para alimentar novas postagens.
A tecnologia tem nos propiciado um vasto acesso à informação e contato social, como nunca visto. Mas se faz necessária consciência, regramento e disciplina para que a máquina esteja a serviço do homem e não ao contrário!

Autor
Elis Radmann é cientista social e política. Fundou o IPO - Instituto Pesquisas de Opinião em 1996. Utilizando a ciência como vocação e formação, se tornou uma especialista em comportamento da sociedade. Socióloga (MTb 721), obteve o Bacharel em Ciências Sociais na UFPel e tem especialização em Ciência Política pela mesma universidade. Mestre em Ciência Política pela UFRGS e professora universitária, Elis é diretora e Conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) www.asbpm.org.br

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