A sede por notícia pode engasgar

Por Grazi Araujo

Sim, é verdade que jornalista sempre quer saber de tudo. Está entre as exigências para ser um bom profissional, assim como faro, fontes e sacadas. A vontade de ser o primeiro a saber não é privilégio de colegas de redação. Nós, assessores de comunicação, também queremos ser prioridade. Até para saber se a notícia deve ou não ir adiante. Entender os bastidores faz parte de um processo anterior à publicidade dos fatos. E isso vale para todos os lados.

Tenho notado um jornalismo mais apressado e nem tanto apurado. Uma voracidade fora do padrão, talvez influenciada diretamente pela rapidez da informação na ponta dos dedos. O radar está o tempo todo aceso, mas por vezes, falha. Uma mensagem de WhatsApp vira manchete de um grande veículo em segundos. É tão fascinante quanto perigoso. Esse sensacionalismo oportuno também reflete na credibilidade.

Sim, sabemos que vivemos em um novo mundo onde as pessoas leem, muitas vezes, apenas o título de uma matéria. Ainda na faculdade aprendemos o poder de fisgar o leitor por este meio, mas nada substitui o nosso precioso lead. Nessa ânsia de cliques, o editor - que não estava "em campo" para entender todo o processo da notícia - produz a chamada e aperta o Enter. Às vezes, o equívoco também estampa a legenda, pois uma boa foto costumava falar por si.

Não dá para atropelar. A qualidade ainda deve imperar. São muitos os reflexos de uma informação estampada em um grande veículo. Jornalismo, na essência, lida com verdade. Mas os jornalistas se adonam, por vezes, de suas verdades. Criar cenários, aumentar os fatos e ligar pontos que não estão em linha reta, não pode ser praxe. A gente acostuma e, quando vê, só faz de um jeito. A pressão do fechamento da edição, do horário do noticiário, do tweet necessário. A imparcialidade também é premissa, mesmo todos tendo opiniões. Nesse vuco vuco todo, não dá para se perder. Porque se ganha nome, mas não se conquista - nesta mesma ordem - algo que todos devemos ter nessa rica profissão: comprometimento com a verdade dos fatos. A sociedade ainda acredita na gente.

Autor
Grazielle Corrêa de Araujo é formada em Jornalismo, pela Unisinos, pós-graduada em Marketing de Serviços, pela ESPM, e com MBA em Propaganda, Marketing e Comunicação Integrada, pela Cândido Mendes. Atualmente é chefe de Comunicação Social na Casa Civil do Rio Grande do Sul. Também responde pela Comunicação Social da Sociedade de Cardiologia do RS (Socergs) e da Associação Gaúcha para Desenvolvimento do Varejo (AGV). Tem o site www.graziaraujo.com.

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