Morte, essa imortal

Por Fraga

Para quem é a favor da flexibilização do porte de armas, convém lembrar: a Morte é inflexível com todo e qualquer cidadão.

Desespero é justo com a morte. Desesperança é injusto com a vida.

Ausência de fluxo cerebral é algo terrível: ou leva à morte ou mantém golpistas vivíssimos.

Vida após a morte? Se existe, é uma segunda chance pra se matarem uns aos outros.

A Terceirização vai ser total no Brasil. Mas na hora da nossa morte, a gente mesmo é que vai ter que ir.

Quem deseja publicamente a morte de pessoas só porque elas são de outro partido revela enorme potencial. Homicida.

A Morte deve se achar isenta de críticas: a humanidade só se queixa da vida.

Macarronada também tem expectativa de vida. Mas aos domingos a morte não usa foice, prefere garfo.

Não fosse a invenção da roda e até hoje a Morte ainda estaria matando gente a pé, o que não seria prático pra ela.

A Morte não ignora ninguém. Melhor não ser ignorante com ela.

A gente manda a Morte pra pqp, e ela não vai; ela nos manda pro inferno, e a gente vai.

Não se faça de vítima. Afinal, algum dia a Morte vai se encarregar disso.

A Morte tem atração fatal pelos vivos e nenhum remorso pelos mortos.

Contraditória é a última refeição do condenado à morte: a nutricionista pensa mais na saúde do cara que no paladar dele.

A Morte parece não ter preferência, mas reparem: ela não faz vítimas no reino mineral.

Pena de morte. Nesse corredor cabem 7 bilhões de pessoas.

Na morte de um mau político, não custa falar a favor: até que enfim fez algo que preste!

A Morte não comemora o Finados. Para ela todos os dias são dos mortos.

Antigamente a Morte não mandava aviso. Agora, até twitter, facebook e tinder acho que tem.

 

Autor
Fraga. Jornalista e humorista, editor de antologias e curador de exposições de humor. Colunista do jornal Extra Classe.

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