Rede líquida

Quando a rede de apoio sobre a qual cairíamos é líquida (como provavelmente diria Zygmunt Bauman), os paradigmas totalmente instáveis e temos uma 4ª. Revolução Industrial totalmente em curso ("a todo vapor", para fazer uma brincadeira), é natural que os indivíduos sintam-se inseguros e muitos queiram a volta do que era. Mas não tem mais volta.

Porque não é uma crise econômica, por exemplo, sobre a qual podemos aplicar antigos remédios. Donald Trump é um presidente que entende que velhos modelos de atuação combatem os males da atualidade. Mas não combatem, se esboroam no chão. À frente, estão a China, com seu "capitalismo comunista" a pleno, a Rússia do eterno líder Vladimir Putin, as forças estão mudando. Claro que não estou afirmando que os USA estão fora do jogo, muito pelo contrário. Mas quando vemos certas novas forças (ou antigas, mas em novos formatos) atuando seja mundialmente, seja dentro de casa, a coisa está pegando.

Então, há gerações (sim, já são gerações) de consumidores de ansiolíticos. As razões são claras. Onde estão os pilares de sustentação? E ainda com uma rede líquida. Como devem ser os movimentos? Em que acreditar e como projetar futuros? O xadrez está bem mais complicado, com muito mais variáveis e algumas delas se esfarelando no meio do jogo. Mudam as regras no meio do jogo, coisa que não ocorria jamais.

Mas o desespero ou a desesperança não são as melhores alternativas nem boas conselheiras. Felizmente - muito felizmente - há ainda pilares: uma boa noite de sono (sim, a noite de sono encurtou, mas ela é indispensável), a reflexão (deve ser mais rápida, mas também indispensável), a capacidade de análise, a informação e o conhecimento e - esta é muito antiga - ter sempre um Norte, pois nenhum vento é bom se não sabemos para onde estamos navegando.

Idade é uma coisa que ajuda nestes tempos. Mas e os mais jovens? Se eles estão a mil em startups, entendo que o melhor é a mistura de gerações, cada qual contribuindo com suas potencialidades e conhecimento. Mistura de gêneros também. A mistura (desde que com foco) é uma das mais eficientes alternativas para tempos turbulentos. Antigamente, os mais velhos tinham de forma absoluta as respostas. Hoje, como as mudanças acontecem de hora em hora(talvez de minutos em minutos), há que se ouvir os mais velhos sim, mas fazendo uma mescla com os mais jovens. Elemento fundamental que atravessa os séculos: respeito. Sem respeitarem-se, não há alternativa.

Viram como o desespero e a desesperança não são alternativa? Se no início desta coluna eu toquei certo terror, depois procurei mostrar algumas alternativas simples e praticáveis, visões que tenho e compartilho com as pessoas (realmente temos dois ouvidos para ouvir mais do que falamos), procurando construir um (ou mais) modelos de atuação e comportamento em tempos tão agitados e mutantes. Não por acaso, nas telas de cinema/Netflix que os mais jovens consomem há uma profusão de seres mutantes. Vamos refletir. Tendo contribuições, por favor, enviem. Precisamos disto. Colaboração.

DICAS DO GUION

Felizmente, há coisas que não mudam, especialmente em termos de qualidade. Uma delas é o Guion, com suas instalações modernas, acolhedoras e contendo um mix de filmes para contentar todos os gostos, mas sempre mantendo um elevadíssimo padrão. Não viu ainda? Está faltando no seu currículo então! Vá hoje ou leve sua mãe no Dia das Mães ao Guion. Vamos às dicas!

ESTREIAS

Acertando o Passo (Comédia-Drama, Reino Unido, direção de Richard Loncraine, 112min)

Ciganos da Ciambra (Drama, Itália-EUA-França-Suécia-Alemanha-Brasil, direção de Jonas Carpignano, 118min)

Esplendor (Drama- Romance, Japão-França, direção de Naomi Kawase, 103min)

PRÉ-ESTREIA (sábado, 12/5, 14h35)

O Terceiro Assassinato (Drama-Policial, Japão, direção de Hirokazu Kore-eda, 124min)

EM CARTAZ

E seguem em cartaz os fantásticos: Os Fantasmas de Ismael, Ella & John e Teu Mundo Não Cabe nos Meus Olhos.

Não deixe de ir hoje mesmo! O que está esperando?

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