Só muda de endereço

Neste último feriado, fui até Criciúma (minha cidade natal) passar uns dias com a família e tentar desligar um pouco. Até parece que eu consigo, né? Aproveitei que já estava por lá e fui ver uma amiga (e tomar um belo espumante catarinense), coincidentemente jornalista, para saber como andavam as coisas pela city. Afinal, sai de lá para fazer a faculdade e nunca mais parei tempo suficiente para entender como tudo funcionava. Até porque a única vez que fui buscar uma colocação por lá, meu pai tinha inventado de se candidatar a um cargo político, e ninguém quis me dar oportunidade por causa disso. Sim, eles me disseram isso com todas as letras. Peguei minhas malas, vim para Porto Alegre, e cá estou eu escrevendo essas mal traçadas linhas.

Voltando a conversa com a minha amiga, ela começou a me dizer como era difícil fazer o trabalho de relacionamento por lá, que a cidade tinha aqueles seres que se achavam a última bolacha do pacote, e que não consideravam o que tu fazia importante, mas queriam entrar de graça em todo evento de cliente teu. Blogueiros que estão crescendo e que pediam teu apoio para algo que estavam produzindo e depois tu descobres que as criaturas têm uma empresa que prestam os mesmos serviços que a tua, só que de baixa qualidade e te fazem pagar carão. Colunista social da cidade (acho que Criciúma é o lugar que mais tem coluna social por habitante) que não é convidado para um evento, vai até lá e enquanto acontece uma palestra, ataca a mesa de comida, derruba coisas, tirando a atenção de quem foi prestigiar teu cliente. 'Amigos' que começam a brotar do nada quando veem que tu estás fazendo alguma coisa bacana na cidade, e por aí vai.

Fui obrigada a olhar para ela e dizer que esse tipo de atitude não acontecia somente em cidade do porte de Criciúma (cerca de 200 mil habitantes) ou menores. Ledo engano, minha amiga. Só muda o endereço e o mercado. As criaturas têm o mesmo comportamento, independentemente de onde tu estejas. Até porque, mesmo numa cidade do tamanho de Porto Alegre, dependendo do segmento em que tu atuas, são formados pequenos feudos, em que as pessoas que circulam nele são sempre as mesmas. E, em uma hora ou outra, tu vais passar por situações semelhantes. Para quem não trabalha com relacionamento e quer ter uma ideia de como funciona, é só dar uma olhada nos veículos de comunicação locais e nas redes sociais de algumas pessoas consideradas influentes (de verdade) na cidade.

E aí se abre outro ponto na conversa: os, às vezes polêmicos, influenciadores digitais. Tenho lido e estudado bastante sobre marketing de influência, inclusive participando de eventos fora do Rio Grande do Sul, então é importante deixar claro, que é unânime entre os especialistas, que quem decide se um blogger, um instagrammer, ou seja lá quem for, é ou não um influenciador é o mercado e não a pessoa que se autointitula 'influencer'. Em Criciúma, eu e minha amiga chegamos ao consenso que só existe uma influenciadora legítima. No mercado de Porto Alegre, temos vários, até mesmo por ser mais nichado e cada um ter sua especialidade na produção de conteúdo. Sim, minha gente, criaturas que são consideradas influenciadoras produzem conteúdo próprio, original e autêntico. Não é copia e cola de release e de texto de apoio. É necessário ter um toque pessoal e deixar com a cara que a audiência (os leitores) gosta de receber.

As assessorias de imprensa, as agências de RP e de Publicidade, os profissionais que trabalham com relacionamento estão cada vez mais atentos a esse tipo de coisa. Não adianta mais ter muitos Ks de seguidores somente, trabalhar em determinado veículo de comunicação, circular nos ambientes mais badalados da cidade. É preciso ser de verdade, entender o que uma marca quer dizer e o que o público quer receber. Não é uma equação fácil. Mas, aos poucos, o mercado vai aprendendo a lidar com esses criadores de conteúdo e vice-versa. Isso me lembrou duma outra conversa que eu tive com o Miltinho Talaveira sobre o nosso mercado e que ainda pode dar muito pano para a manga. "Quem é de verdade sabe quem é de mentira", disse ele. Alguém por aí discorda?

Autor
Jornalista, formada pela Universidade Federal de Santa Catarina, especialista em Marketing e mestre em Comunicação - e futura relações públicas. Há 15 anos, atua em assessoria de imprensa, comunicação corporativa, produção de conteúdo e relacionamento. Possui experiência no atendimento de clientes, públicos e privados, das áreas de educação, moda, gastronomia, entretenimento, música, varejo, construção civil, setor moveleiro, automobilístico e instituições financeiras. Tem passagens pela Secretaria de Educação do Rio Grande do Sul, e, na área cultural, fez a divulgação de mais de 30 shows nacionais e internacionais na capital gaúcha. Atualmente, é Gerente de Atendimento na CDN Sul e integra a diretoria da ABRP RS/SC.

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