Sympathy For The Devil

Por Flavio Paiva

Naturalmente que a música/letra dos Stones é para lá de conhecida. Por muitos e muitos anos (décadas, na verdade), foi esta máxima que guiou o capitalismo. Lucro máximo, sem se importar com as consequências. Na verdade, não sejamos ingênuos, ainda vigora em muitos setores do mesmo.

Mas as coisas estão mudando e os Stones vão ter que mudar também a letra da música (na verdade, não os imagino fazendo isto) ou até compor uma outra. Porque a lógica de mercado, cocriação, parcerias, uma consciência mais ampla social, ambiental e de colaboradores surgiu e na verdade quase se impôs.

Foi um esgotamento do ciclo vigente do capitalismo. Claro que em muitas e muitas organizações vigora a máxima do produzir mais e mais, bater meta quase diariamente. Por minha experiência profissional como negociador, posso afirmar que há inúmeros casos em que isto é necessário. Mas muda a maneira de encarar as "engrenagens" (todo o ecossistema, pessoas) deste processo. Batemos no teto. Chegamos ao limite. Antes que me digam, a saída não é nem o socialismo nem o capitalismo. Mas a consideração de valores e prioridades que antes ficavam esquecidos, com a vida se tornando um moedor de carne dentro das organizações.

Estamos em transição. O futuro não é mais como era antigamente, mas também não o é o presente. Não foi a tecnologia que dinamizou este processo, ela foi um impulsionador. Foi a consciência e a falta de perspectivas. Falemos de preservação do planeta e recursos naturais, por exemplo. Do petróleo acabando ("o novo petróleo são os dados"). Da entrada forte e consistente da IA e de disrupções acontecendo dia a dia. No mindset, no fazer, no trabalho colaborativo e em inúmeras novas formas de produzir.

Claro, não esqueçamos jamais que as organizações são compostas por pessoas e estas têm potencial para o bem e para mal. Não deixaram de ser seres humanos. Mas ao criarmos um ambiente de maior respeito, acolhedor, que as ouça, que permita sua expressão, atenuaremos as expressões do The Devil. Mas não, ele não vai nos abandonar. Estará sempre à espreita. Cabe-nos minimizá-lo dentro do possível.

Não tenho dúvidas de que estamos trilhando um caminho sem volta, melhor, aonde o propósito tem propósito, não é apenas ferramenta de marketing barata. Mas como tudo na vida, é preciso semear para depois colher. Partamos para a semeadura, firmes e fortes. Os primeiros frutos já estão sendo colhidos.

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