Papel do jornalista é abordado no primeiro painel de sábado

Celso Schröder, Kelly Costa e Mário Rocha discutem sobre dilemas da profissão no Diálogos ARI

Celso Schroeder, Kelly Costa e Mário Rocha abrem a manhã do sábado - Divulgação/Coletiva.net

A manhã deste sábado, 26, iniciou-se na Universidade de Santa Cruz (Unisc) com o debate 'O papel social e a identidade do jornalista'. Em função da ausência de dois convidados - Alexandre Elmi e Rosane de Oliveira -, causada pela impossibilidade de abastecimento de combustível no Brasil, os participantes foram os jornalistas Celso Schröder, Kelly Costa e Mário Rocha, como mediador. Professor do curso de Jornalismo da Ufrgs há mais de 30 anos, ele provocou, ao citar o recente movimento 'Deixa ela trabalhar', do qual Kelly participa: "Qual é o nosso papel hoje?".

Repórter da RBS TV há três anos e atuando com Esporte há cinco, Kelly foi a primeira a responder, pontuando que a classe é muito desunida, mas algumas iniciativas estão se sobressaindo. "Também é papel do jornalista fazer a sociedade pensar e refletir sobre determinado tema, e foi assim que surgiu o movimento. Com tantas agressões que nós, mulheres, começamos a sofrer no ambiente esportivo, de forma muito despretensiosa, nasceu a iniciativa", observou. Ela ainda salientou que a campanha foi repercutida pelas internacionais BBC e The Guardian, e está ajudando a passar por essas situações com menos sofrimento. "Do público feminino aqui presente, alguém nunca enfrentou um constrangimento machista?", indagou a jornalista, que completou: "Nenhuma mão levantada responde muita coisa".

Schröder, chargista e professor da Famecos, também respondeu à situação citando uma pesquisa da Universidade Federal de Santa Catarina que traçou o perfil dos jornalistas brasileiras e registrou que a profissão é majoritariamente feita por mulheres e, com isso, o respeito precisa ser em qualquer campo de atuação. "Pior do que o machismo, é essa postura ser enfrentada pelas mulheres perante os próprios jornalistas homens", alertou.

Também como provocação do mediador, os convidados responderam ao questionamento sobre 'É possível ser jornalista participante?'. Schröder foi enfático ao dizer que "a internet nada mais é do que um grande boteco virtual, e isso é muito bom para a sociedade, mas o Jornalismo passa longe dali". Na sua opinião, os profissionais de imprensa não podem simplesmente ser um relator do fato, mas a opinião exacerbada deles também não é válida. "As pessoas querem saber o que eu tenho a mostrar ou a contar, mas não o que eu penso sobre isso", defendeu.

Kelly, por sua vez, ponderou que acha interessante que o jornalista imprima sua personalidade nas matérias, mas é necessária uma dosagem equilibrada. "Por mais leve que seja a linguagem, como no caso da TV e do Esporte, onde eu atuo, precisa haver um objetivo ao se fazer participante, se não, é algo vazio e sem conteúdo", opinou.

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