Campanha da Abraji alerta para violência contra profissionais de imprensa

'Se a notícia é a violência contra jornalistas, temos um problema' foi criada pela agência Ogilvy

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) divulgou a campanha 'Se a notícia é a violência contra jornalistas, temos um problema', criada pela agência Ogilvy. A ação busca chamar a atenção para os casos de violência e agressão a estes profissionais durante o exercício da profissão e divulgar o Programa Tim Lopes, lançado em 2017 para acompanhar as investigações sobre a morte de jornalistas e dar continuidade às reportagens que eles executavam quando morreram.

Na primeira fase, o programa contou com o lançamento do documentário 'Quem matou? Quem mandou matar?' com cenas de quatro reportagens publicadas pela Abraji em outubro de 2010. A segunda etapa da iniciativa, que já está em andamento, usará uma rede de jornalistas de redações de todo o País para cobrir os casos que se enquadrem no escopo do programa, sob a coordenação da ex-presidente da entidade Angelina Nunes.

O presidente da associação, Daniel Bramatti, destaca que a violência contra profissionais de imprensa é um sintoma de que a democracia precisa avançar em determinadas áreas. "A Abraji espera de autoridades e da sociedade atos concretos para garantir a segurança daqueles que promovem e asseguram a livre circulação de ideias e informações", afirma.

A Abraji contabilizou, ao menos, 300 casos de agressões a jornalistas no contexto de manifestações entre junho de 2013 e o início deste ano. Somente nos últimos cinco meses, foram 56 casos de agressões, hostilidades ou ameaças a comunicadores em contexto político, partidário ou eleitoral. O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) informa que 41 jornalistas foram assassinados no Brasil entre 1992 e 2018 por motivações relacionadas ao seu trabalho. No Ranking da Liberdade de Imprensa deste ano, organizado pela Repórteres Sem Fronteiras, o País ficou na 102ª posição entre as 180 nações avaliadas. Segundo o Artigo 19, foram 27 as violações graves contra comunicadores no Brasil em 2017, incluindo dois homicídios.

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