Cinco perguntas para Vera Moreira

Jornalista ingressa na Literatura e lança obra sobre saúde da mulher

Vera estreia na literatura - Divulgação

1 - Quem é você, de onde vem e o que faz?

Meu nome é Vera Moreira, tenho 56 anos, e um filho de 15, que está na primeira série do Ensino Médio. Estudei e me formei em Jornalismo em Porto Alegre, onde morei até os 26 anos. Mudei para São Paulo, trabalhei em vários veículos de imprensa e abri minha editora. Foram 12 anos de muita experiência e intensidade e, então, fiz uma mudança radical, em 1999, indo para Gramado, onde estava terminando a construção de uma pousada e um bistrô. Precisava muito de contato com a natureza e a exuberância verde da Serra me arrebatou. Fiquei sete anos com o negócio de turismo e gastronomia e, nesse período, casei, engravidei e decidi voltar para Porto Alegre, onde meu marido morava. Voltei para a área editorial e fui agente literária dos escritores Sérgio Faraco e Fernando Portella, de São Paulo. Em 2015, comecei a escrever o livro que estou lançando agora e reorganizei a Editora Espírito.   

2 - Como se deu a escolha pelo Jornalismo?

Aconteceu, simplesmente. Eu queria Paleontologia, mas só tinha o curso em Santa Maria e decidi optar por Biologia. Mas, no primeiro vestibular, final de ano escolar, não entrei na Ufrgs. Na metade do ano, tentei Comunicação Social na PUC, pois já era formada em Inglês pelo Instituto Cultural Norte-Americano e sempre gostei de escrever e ler, então, pensei que poderia ir cursando comunicação, arranjar um emprego e tentar Paleontologia ou Biologia mais tarde. Já no segundo semestre na Famecos, conheci o fotógrafo Assis Hoffmann na Associação Nacional de Apoio ao Índio e ele estava montando uma agência de notícias com a jornalista Rosvita Saueressig Laux. Entrei para o time e a Rosvita foi decisiva para eu considerar o jornalismo como futuro, pois me apaixonei pela outra dimensão da escrita que ela me apresentou. Quase um ano depois, fui convidada para organizar o arquivo de pesquisa da Coojornal e foi outra oportunidade ímpar de conviver com um grande time de jornalistas e fui aprendendo muito! Trabalhava o dia todo na cooperativa e estudava à noite. Não tive mais dúvida de que queria ser jornalista mesmo, para sempre. Acho uma profissão incrível, que nos abre portas para qualquer coisa que se queira conhecer e ser, podemos nos recriar a qualquer hora.

3 - Como foi estrear na literatura?

Eu já tinha escrito outros livros sob encomenda. Mas essa estreia como autora independente, em saúde, me dá a impressão de um ciclo que se completa, parece que a vida fecha um círculo. Eu comecei a pesquisa sobre as doenças cardiovasculares (DCV) nas mulheres e senti a necessidade de buscar conhecimento sobre o que somos nós, seres humanos, e comecei a ler muitos livros de biologia, genética, paleontologia, ciências da vida, enfim. Li mais de 80 livros e participei de vários congressos de saúde, pesquisei inúmeros sites, li artigos, estudos, etc. Ou seja, biologia, nossa origem, pesquisa, eu retornava ao ponto de partida, fechando o círculo, que, no entanto, não se esgota, ao contrário, se expande com novas experiências absorvidas que vão somando.

4 - Como se deu a escolha do tema e como isso se relaciona com a profissão de jornalista?

A escolha do tema foi uma reação a doenças e mortes na família. Eu tive medo de também adoecer nesse processo, que durou quatro anos, e procurei um cardiologista. Em nossas conversas, entendi que escrever sobre essa nova e cruel realidade de DCV nas mulheres me ajudaria a sobreviver à dor de perder meu irmão, meu pai e conviver com minha mãe doente. Aprender e escrever sobre saúde me permitiu um outro olhar, uma outra percepção. Ser jornalista facilitou tudo, pois temos essa sede de investigar, de conhecer, de ir fundo no que precisa ser revelado e aprendemos onde e como buscar informação. Quando a gente usa todas as ferramentas do jornalismo de forma construtiva e responsável, essa é uma profissão poderosa e linda, capaz de nos transformar. Acho que qualquer tema pode se relacionar com o jornalismo, e essa é a grande dádiva do ofício: trabalhamos para conhecer!

5 - Quais são os seus planos para daqui a cinco anos?

Lançar o próximo livro, que já comecei a pesquisar e estou fascinada! O tema é cognição e comida, o mecanismo de nossas escolhas e como podemos melhorá-las para desfrutar de uma vida boa. O foco é novamente saúde, contextualizada, como no 'Mulheres Cérebro Coração'. Quero, também, já ter consolidado bem a Editora Espírito com os recursos digitais e o curso 'Informação a serviço da cozinha saudável', em que ensino as pessoas a distinguir e preparar comida de verdade, mesmo tendo pouquíssimo tempo para a cozinha nesse nosso cotidiano maluco.

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