Prefeitura e universidade de Pelotas se engajam no combate às fake news

Orientados por especialista, acadêmicos da UFPel buscam formar multiplicadores da verdade

Taís Seibt ensinou como identificar fake news - Igor Sobral

Para combater a propagação de notícias falsas, a Prefeitura de Pelotas e a Universidade Federal da cidade (UFPel) resolveram unir forças. A Assessoria Especial de Comunicação do Município (Ascom) e o Centro de Letras e Comunicação da instituição de ensino promoveram nesta semana um projeto-piloto, que poderá transformar a forma de como conter as fake news.

Estudantes de Jornalismo foram capacitados por uma especialista no tema e, depois, em vez de usar uma mídia para repassar as informações, partiram para uma comunidade da cidade na expectativa de formar multiplicadores da informação correta e da verdade. Para coordenar a iniciativa, as instituições chamaram a professora e jornalista Taís Seibt, vencedora do Prêmio ARI 2018, promovido pela Associação Riograndense de Imprensa, na categoria Melhor Contribuição à Imprensa, com o projeto 'Filtro Fact-Checking'.

Os futuros jornalistas foram preparados pela profissional com metodologias que possibilitam qualquer pessoa identificar notícias falsas. Nesta quarta-feira, 8, os estudantes foram colocar a teoria em prática. Reuniram-se na Associação de Moradores da Cohab Tablada, um bairro de Pelotas, com um grupo de idosos. Lá, em um bate-papo informal, mostraram os perigos do compartilhamento de informações falsas nas redes sociais ou aplicativos de mensagem. "As pessoas não compartilham informações falsas porque são falsas, mas porque veem confirmadas suas crenças e convicções", explicou Taís. Neste cenário, ressalta a jornalista, é preciso levar em consideração muito mais do que a veracidade ou não de uma notícia, pensando também no contexto em que ela é produzida e disseminada. Ela ressalta que as maiores vítimas das fake news são idosos e quem não tem muita intimidade com as novas tecnologias de informação.

No encontro, os estudantes mostraram notícias para os idosos e pediram para que eles apurassem se eram reais ou falsas. Os alunos descobriram dificuldades comuns como a falta de dados nos celulares e o desconhecimento das ferramentas de buscas, além da restrição no uso da imprensa tradicional. Sob orientação da professora, ensinaram aos interessados a buscar as informações e, principalmente, conter o compartilhamento de notícias suspeitas.

Os três dias dedicados à formação de estudantes e pessoas comuns como multiplicadores para o combate às fake news foram promovidos com o apoio da agência Incomum e do Instituto Pesquisas de Opinião (IPO). Além da visita aos moradores da Cohab Tablada, uma palestra foi realizada na segunda-feira, 6, e uma oficina de oito horas promovida na terça-feira, 7, preparou os alunos para a atividade na comunidade.

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