Diego Wander: Construindo junto

Natural de Tupanciretã, o menino do Interior que vivia em CTG deu lugar a um jovem com objetivos concretos e um futuro na Academia

Preparado para estudar Jornalismo, o jovem Diego Wander, na época com 17 anos, deixou a cidade natal de Tupanciretã, no noroeste do Rio Grande do Sul, para encarar uma nova vida na capital gaúcha. No entanto, embora cheio de novidades, Porto Alegre não era uma cidade tão estranha para ele, que deixou a casa dos pais, Eduardo e Ely, já aposentados, para dividir a morada com a irmã mais velha, a contadora Elisângela. Hoje, com 29 anos, constata que jamais faria o caminho inverso. "O município onde nasci foi muito importante para a minha formação, mas hoje entendo o bem que a Capital faz para mim."

Da infância, a lembrança que carrega com mais carinho é do tempo em que passava no Centro de Tradições Gaúchas (CTG) do município. Ingressou na vida tradicionalista aos cinco anos de idade e, aos 14, começou a competir pelo Estado. Com a mudança para a cidade grande, a paixão ficou adormecida, mas não foi deixada de lado. Desde que chegou a Porto Alegre, não frequenta mais os CTGs, no entanto, às vezes, gosta de apreciar uma música gauchesca nas manhãs de domingo, sem falar no churrasco. "Faz parte da minha história e carrego isso como a recordação mais especial da minha juventude", declara.

Porém, não foi só isso que mudou. Chegando em Porto Alegre, o desejo de ser jornalista deu lugar à descoberta de um novo mundo: a graduação de Relações Públicas, para a qual se matriculou com o intuito de, depois, trocar de faculdade. A questão é que tal mudança nunca ocorreu. Gostou tanto do curso que de estudante passou a professor e, hoje, é coordenador da área na Rede Marista e leciona na graduação da PUC. "É o que quero fazer da minha vida."

No caminho certo

Mesmo com a reviravolta da graduação, o interesse pela área de comunicação esteve presente desde os tempos de Tupanciretã, quando se envolvia com o tradicionalismo. Naquela época, era o responsável por elaborar os informativos, algumas oficinas e workshops sobre tradição. Mas o momento mais marcante e que o fez ter a certeza de que este era o caminho foi na universidade quando, convidado pela professora Cleusa Scroferneker, começou a trabalhar na iniciação científica. "Ela tem forte influência nessa escolha. Foi uma mãe para mim, me abrindo caminhos e apresentando essa inspiração acadêmica", comenta, relatando que foi assim que entendeu o que estava fazendo na academia.

Chegou a buscar outras oportunidades para conhecimento próprio e de mercado, mas já sabia o que queria fazer. Por isso, após se graduar, em 2009, engatou o mestrado na sequência, na mesma época em que começou a estagiar na Rede Marista. Depois de contratado, conta que teve uma breve passagem, de um ano, no Marketing do Colégio Farroupilha, e depois voltou para a primeira casa, tanto no corporativo quanto na universidade. Já com oito anos de empresa, desde 2016 coordena a área de Comunicação.

A comunicação empresarial se tornou interessante quando já estava na PUC. Apaixonado pelo contexto comunicacional das organizações, ingressou no doutorado, dando continuidade à trajetória dupla, sempre dividido entre dar aulas e frequentar a sala como aluno. "Enquanto tiver energia, quero ocupar esses dois espaços", afirma, ao analisar o quão encantador acha o fato de acompanhar a evolução dos alunos. "É emocionante e bonito. Me traz muito brilho no olho essa oportunidade de trocar experiências com eles", declara. Um dos momentos que considera mais comoventes da docência foi ao ser homenageado pelos estudantes em uma formatura da graduação. "Cheguei em casa depois da cerimônia e chorei. Isso me ajudou a me enxergar como professor", diz, emocionado.    

Mesmo sendo responsável pela assessoria de comunicação e pela representação institucional da Rede Marista há um ano e meio, entende que ainda tem muito caminho pela frente. O jovem aprendiz, inclusive, diz que sua ideia é amadurecer e arrecadar experiências. Ainda assim, antes mesmo de completar três décadas de vida, sente-se muito realizado com o que já conquistou e eternamente grato por quem o ajudou nesse processo. "Me sinto seguro e feliz pelas escolhas e pelo que construí até aqui."

Família: fonte de inspiração

Embora a professora Cleusa tenha sido uma grande inspiração para seguir na área, deve à mãe, Ely, seu gosto pela docência. Diego lembra quando ela, professora aposentada, dava aulas particulares em casa e ele, interessado, acompanhava o aprendizado dos estudantes. "Lembro que uma vez me intrometi em alguma explicação dela sobre tabuada e fui repreendido, pois, naquele momento, ela estava sendo a professora, não minha mãe", recorda, aos risos.

Os pais ainda moram em Tupanciretã, mas a distância não atrapalha quando o assunto é visitar os filhos. Diego conta que os encontros ficaram mais frequentes quando nasceu Letícia, filha de Elisângela, há nove anos. Tem ainda o Carlos Eduardo, o mais velho, que mora em Taubaté, no interior de São Paulo, onde, aliás, ocorreu o último encontro com todos os membros da família, no Dia dos Pais.

Além de visitar a família, nos momentos de folga passeia pelo bairro Bom Fim, que escolheu para morar desde que deixou a casa da irmã, há seis anos. Adora a região e as opções que ela oferece, desde festas, feiras, tudo ao ar livre, onde mais prefere estar. "Aprecio as coisas simples, ir a cafés, ficar caminhando pelas ruas do bairro", lista, ao mesmo tempo em que também diz gostar de aproveitar a casa. Mora sozinho e está em um relacionamento estável, por isso, talvez essa realidade mude em um futuro não muito distante, visto que tem planos de juntar as 'escovas de dentes' e ter filhos em um médio prazo. "Vejo valor na constituição de família."

Além das caminhadas descontraídas e sem compromisso, é apreciador de corrida e já participou de seis meias-maratonas. A explicação pela paixão é simples: "Sempre fui ruim nos outros esportes", justifica sobre o exercício que pratica desde 2012, quando finalizou o mestrado. É quando consegue desligar das atividades laborais e eventuais problemas. Para isso, também lê. Confessa que, ultimamente, em função do doutorado, que terminou há cerca de dois meses, tem lido apenas livros acadêmicos. Quando entregou a tese, logo começou a ler o romance 'Me Chame pelo Seu Nome', para desopilar e recuperar o hábito da leitura como lazer.

Ainda neste quesito, tenta acompanhar algumas séries na Netflix, assim como telejornal, "até pela questão profissional", como ele mesmo explica. Por isso, em casa, sintoniza na Globonews e quando consegue uma folga, vê um capítulo do sucesso Black Mirror. Cozinhar não é seu forte e admite que se obriga a ir para cozinha para não cair no hábito de comida congelada ou não saudável. Churrasco está na lista dos pratos preferidos, bem como qualquer outro preparado com carne.

A frase 'filho de pai colorado, a escolha pelo time do coração não poderia ser diferente' não se aplica a Diego, que elegeu o Grêmio para torcer, assim como os dois irmãos. Reconhece que, na juventude, era mais apaixonado pelo Tricolor, mas, há algum tempo, deixou o futebol de lado para acompanhar provas de corrida e campeonatos de atletismo. Ainda assim, quando o Grêmio joga, ele torce e se envolve emocionalmente, mas garante que tem um olhar racional frente ao jogo.

Católico de formação familiar, foi ao trabalhar na Rede Marista que se envolveu mais com a religião, onde diz que aprendeu muito sobre o aspecto da espiritualidade. Não no aspecto ritualístico, mas no que se refere ao respeito às pessoas. "Essa instituição me deu uma releitura muito bonita do ponto de vista religiosa", declara, ao mencionar que acreditar em Deus e ter fé lhe faz bem. Grato por isso e por tudo que conquistou na vida em todas as esferas, Diego Wander entende que deve estar a serviço dos outros.

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