Tatiane Mizetti: Falando pelos cotovelos

Diretora da Reverso Comunicação Integrada e conselheira no Conrerp e na Reafro, ela vive a vida de forma realista e honesta

É com um sorriso largo, brincando com o garçom e confessando que gosta de falar que Tatiane Mizetti, a filha única da bibliotecária do Estado, Maria do Carmo e, mais velha do aposentado da refinaria Ipiranga, Paulo Ricardo, compartilha a sua história de vida e de carreira. Prestes a completar 40 anos, em 4 de outubro, a diretora da Reverso Comunicação Integrada, relembra com carinho da infância vivida entre a cidade natal, Pelotas, e a Praia do Cassino, em Rio Grande, região para onde se mudou ainda bebê e onde reencontra suas raízes e equilíbrio. "Como eu era a única criança morando no Cassino, meus pais e avós - maternos e paternos - me mimavam muito. Então, só tenho lembranças boas de lá."

Já da casa da madrinha Nereida, em Pelotas, recorda do carinho e cuidado do irmão de coração, Alessandro, sete anos mais velho. "O mano é que sempre cuidou de mim, desde que nasci. Quando eu era menor, ele me levava para o clube, para as festinhas. Quando vou a Pelotas, fico na casa dele. Para mim, é o meu irmão mais velho", orgulha-se, explicando que, além dele, ainda tem um meio-irmão mais novo, por parte de pai, o Ricardo. Das raízes, cita ainda a avó materna, Aurélia, com quem aprendeu muito e morou quando veio para Porto Alegre junto com a mãe, após a separação dos pais, aos 13 anos. "Ela é a minha referência pessoal, alguém que me ensinou a ser íntegra e do bem", emociona-se.  

Casada com o profissional de Marketing Claiton, conta que se conheceram em 2007, mas a relação só engatou mesmo em 2009. Um ano depois, já estavam morando juntos. "Nos vimos na primeira festa que eu fui solteira e o Cla esbarrou em mim. Ele diz que foi intencional, mas eu não acredito muito", brinca. Formada em Relações Públicas, em 2006, pela Unisinos, explica que, quando começou a empresa, pegou um projeto grande e não tinha dinheiro para pagar as pessoas. Como o Claiton já tinha estudado Marketing e entendia do assunto, então, o convidou para ajudá-la naquele projeto. E trabalham juntos até hoje.

Mudança de hábitos                                                                     

Tati, como é conhecida, destaca que vinha de um ritmo muito intenso e que, por isso, acabou ficando muito doente, então foi buscar ajuda. "Como pesquisava muito sobre transtorno alimentar, acabei descobrindo uma clínica, aqui em Porto Alegre, que é um pós para psicólogos, fiz avaliação e, hoje, participo de um grupo de pessoas com o mesmo problema que o meu. Além disso, faço várias terapias lá", confessa.

Neste tratamento, acabou descobrindo que não tem auto-cuidado, se preocupa muito com os outros, com as pessoas, clientes, funcionários, amigos, familiares, e acaba deixando a si mesma para depois. Então, há seis meses, vem mudando seus hábitos, o que vem influenciando bastante na empresa e na vida particular, pois, agora, está permitindo-se cuidar. "Hoje, o máximo para mim é assistir filme ou série, comendo pipoca e tomando chimarrão, sentada no sofá com o Clá". Claro que gosta de viajar, mas como acaba viajando bastante a trabalho, a preferência hoje é por esta atividade mais caseira.

Diz também que tenta respeitar muito seus finais de semana e confidencia que não tem mais computador em casa, e nem tem levado o notebook da empresa para o lar. "Eu trabalhei muitos anos aos finais de semana, porque fazia recreação infantil. Então, agora, prezo muito os meus momentos de folga. Ainda tenho que melhorar em muitos pontos, mas confesso que já sou outra".

Entre as séries preferidas, está Once Upon a Time, pois explica que sempre teve uma relação muito forte com personagens infantis, já que aos 14 anos começou a trabalhar com este público, se vestindo de Minie, Mikey, Fada Madrinha, etc. House e La Casa de Papel também estão entre suas preferências. Assim como Sense8, que começou a assistir para acompanhar o marido e acabou gostando. Os filmes preferidos tem que ser de suspense, que a façam pensar.

Axé, pipoca e vinho

E é soltando, não a voz, mas uma risada gostosa, que admite que, se não fosse relações-públicas, queria ser cantora de axé. "Eu amo a Bahia e já fui a vários Carnavais em Salvador. Acho lindo quando o cantor sobe no trio elétrico e aquele mar de gente canta junto. Ia amar fazer isso, mas não tenho voz para tanto. É só um sonho mesmo", compartilha.

Por falar em voz, o gosto musical é eclético e ama música. Gosta de tudo um pouco. "Música boa é a que eu gosto de ouvir. Tudo depende do meu momento. Estou garantida para o show de Sandy e Júnior, amo a Xuxa, gosto de Pop, MPB, músicas mais intimistas, enfim, de tudo mesmo".  A cantora preferida é a Beyonce, já a banda, só se for de Axé, como os Gilsons.

Entre as manias, está a de colecionar imagens e objetos com a temática de porquinhos e outra, que revela que tem a ver com a compulsão alimentar, é que não gosta de dividir a pipoca. "Não coloquem a mão no meu pote de pipoca! É cada um com o seu. Por outro lado, aprendi que este apego com a comida, tem a ver com a minha doença", pondera. Já o gosto especial é por vinho, e sobre isso explica que tem uma adega em casa, e que é uma apreciadora da bebida.   

Já foi de grupo de jovens da Igreja, mas foi no espiritismo que se encontrou. Frequenta, desde 2007, a Nossa Casa e, hoje, participa do grupo de desenvolvimento pessoal e espiritual do local. Entre os livros, além das leituras técnicas sobre Comunicação, tem lido bastante sobre questões psicológicas, compulsões, transformação e sobre a parte alimentar. As aquisições recentes são: 'A sutil arte de ligar o foda-se' e 'O Poder do Hábito'.

Ansiosa e honesta

Definindo-se como uma mulher em constante evolução, em busca do seu eu, de como é e como pode ser uma pessoa melhor, diz que se sente realizada com a vida que tem. "Eu sou feliz com meu trabalho e tudo que faço é com amor. Não tenho do que reclamar. Claro que tenho sonhos, mas sou grata, de verdade, ao que tenho e ao que consegui". Ser ansiosa é o defeito. Já a qualidade, cita duas, honestidade e lealdade. "Eu sou cara de pau e pago um preço alto por ser honesta demais, mas azar, eu sou assim. Penso no coletivo e tenho orgulho de nunca ter me corrompido. De ser quem eu sou sem perder a minha essência."

Gremista, explica que nunca foi de praticar esportes na infância, mas que há quatro anos participa do grupo de corrida Perferct Run. "Correr é algo transformador. Apesar de estar um pouco parada agora, vou voltar. Já participei de corridas de revezamento, mas não vou lá para competir, apenas para me desafiar", desabafa. Para lidar com o transtorno alimentar, decidiu fazer um Instagram, intitulado Tati Evoluindo, para dividir com as pessoas, que também sofrem com a doença, tudo o que tem aprendido. "Comecei a gravar uns vídeos, que ninguém viu ainda, e vou compartilhar com quem está passando pela mesma coisa, em breve", promete.

Empreendedorismo mirim

Com nove anos, decidiu que queria vender cosméticos e semi-joias para uma vizinha e depois passou a ser vendedora direta. Aos 14, começou a trabalhar com recreação infantil. Também entregou panfletos em feiras e coordenou equipes de recreação. Em paralelo, começou a trabalhar, em 1997, como monitora no curso pré-vestibular Universitário, saindo em 2002, como gerente de uma unidade, para fazer estágio como RP, segurando porta de elevador. Em 2004, começou a fazer estágio na Associação Sul-Riograndense de Apoio ao Desenvolvimento de Software (Softsul), local em que conheceu a jornalista e atual sócia, Grazieli Gotardo. Cinco anos depois, foi promovida a gerente do setor de Comunicação.

Antes ainda, surgiu uma oportunidade para organizar uma cerimônia, com o então Governador do Rio Grande do Sul Germano Rigotto. "Eu não tinha experiência neste tipo de evento, mas como sempre fui cara de pau, falei a verdade para o presidente e ele me contratou. Deu super certo". Estudando sobre comunicação integrada e tomada pelos ensinamentos da teórica Margarida Kunsch, começou a desenhar o modelo da Reverso. Convidou Grazi, que topou na hora.

Atualmente, se divide entre a própria empresa e a atuação com entidades e iniciativas, como ser conselheira no Conselho Regional de Profissionais de Relações Públicas (ConrerpRS/SC), cargo que assumiu desde que deixou a vice-presidência da Associação Brasileira dos Agentes Digitais no Estado (Abradi-RS), e na Rede Brasil Afroempreendedor (Reafro), além do grupo Mulheres do Brasil.

Em 2011 foi indicada para trabalhar para uma multinacional americana, que estava vindo para o Brasil, e, em função disso, registrou a empresa e fechou contrato. Em 2014, as sócias resolveram investir na empresa e se mudaram para a sede atual no centro comercial Edel Trade Center. Hoje, a Reverso conta com oito pessoas, além de outros profissionais que são contratados por projetos e atende a nove estados. Além disso, desde o ano passado, conta com uma filial no Parque Tecnológico de Pelotas e com uma parceira em Portugal. "Apesar da sociedade ser entre eu e a Grazi, devo muito ao Claiton, pois ele pegou  junto desde o início e está sempre incentivando e apoiando tudo o que acontece na empresa. É o meu parceirão, veste a camisa e compra as minhas loucuras", declara-se.

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