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Rosângela Lopes: Carreira voltada à vida

Líder por natureza desde a infância, Rosângela Lopes aprendeu a saborear as conquistas sem pressa
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Por Cinthia Dias

Com uma pauta de duas folhas bem estruturada em mãos, Rosângela Lopes senta, confiante, em uma das cadeiras da sala de reuniões número dois da agência Moove, localizada na agitada Avenida Carlos Gomes, em Porto Alegre. De frente para a porta transparente, mas sem dar atenção às movimentações no corredor, naturais do fim do dia de uma quarta-feira, a publicitária avisa que veio preparada para a entrevista. “Isso é mal de Atendimento”, dispara, aos risos. A experiência adquirida em mais de duas décadas de atuação na função lhe possibilitou aprimorar as características que estão em seu DNA desde a infância, quando liderava turmas, coordenava as excursões anuais da escola e participava dos campeonatos de vôlei. “Sempre tive aspectos de liderança e sou extremamente organizada. Hoje, mais madura, enxergo que, devido ao meu perfil de ser uma pessoa de processos, seria isto ou uma mídia”, afirma, convicta.

Ao contrário do que demonstra, não ambicionou, na época de prestar o vestibular para Comunicação Social na Ufrgs – e mais tarde na PUC, onde se graduou –, ser uma profissional de Atendimento. Tinha em mente que não estudaria Publicidade e Propaganda para ser uma criativa como a maioria que ingressa no curso. Conforme faz questão de esclarecer, as oportunidades dentro das empresas onde atuou a encaminharam para essa função e a necessidade de estabelecer um objetivo de carreira a impulsionou na decisão. “Estabeleci uma meta clara do que eu queria ser e fui perseguindo ao longo desses 22 anos.” Neste processo, passou pelos cargos de assistente, executiva e diretora nas principais agências da Capital.

Dentro do universo publicitário e participando da elaboração dos trabalhos para os clientes nestes anos todos, aprendeu que o papel do Atendimento, assim como de outras áreas, está em transformação em razão das mudanças rápidas e profundas que as profissões estão passando na era tecnológica. Ela acredita que a função jamais será extinta. “Seremos, cada vez mais, uma peça fundamental. Comparo essa atividade à de um maestro de uma orquestra. É ele quem vai fazer os músicos tocarem de forma sincronizada e afinada. A plateia se entende como cliente, e precisamos encantá-lo”, exemplifica.

Um bebê na Propaganda

Aos 18 anos, ingressou na Ufrgs para Publicidade e Propaganda, mas a falta de maturidade no ambiente acadêmico levou-a, seis meses depois, a prestar vestibular novamente para a PUC. Com o nome no listão dos aprovados, logo no primeiro semestre da graduação, em abril de 1995, conseguiu um estágio na extinta Símbolo, onde executou diferentes atividades por três anos. Pela idade e inexperiência, um dos ex-diretores da empresa, Itamar Gravem, lhe falava que ela era um ‘bebê na Propaganda’. “Ele dizia que eu daria uma ótima profissional. Nunca me esqueci disso”, recorda, com gratidão, o carinho do chefe.

Nesse período, conheceu a publicitária Angélica Predebon, que era gestora na Símbolo, e foi uma das pessoas que lhe deu algumas chances de experimentar o trabalho de outra área, como a realização de pesquisas de campo. Do envolvimento e do interesse em conhecer com profundidade a função de Atendimento, foi indicada por ela para substituí-la nas agências onde atuava no segmento. De lá, assumiu primeiro como executiva de Atendimento na Martins+Andrade, cargo também ocupado por Angélica e, e, ainda na Martins, chegou a promoção de Diretora de Atendimento de um Núcleo de Contas. “A Angélica foi muito importante no meu desenvolvimento profissional, por ter acreditado em mim e ter aberto as primeiras portas para o meu desenvolvimento profissional. Tive a oportunidade de substituí-la duas vezes.”

De todos os locais que teve a chance de integrar os times de colaboradores, Rosângela destaca, com gratidão, seus oito anos de atuação na antiga Competence – hoje G5 –, onde foi responsável pelo Núcleo de Panvel e do Banrisul. “Totalmente agregador para mim em termos de conhecimento e de ultrapassar os meus limites. Percebi o quanto era capaz em diversos aspectos que nem imaginava”, disse. Dessa fase, recorda as frases de incentivo que, incontáveis vezes, escutou do diretor-presidente do G5, João Satt, que considera um dos maiores incentivadores em sua carreira. “Ro, vai! Se estou te dando este desafio para fazer é porque tenho certeza de que tu é capaz de solucionar”, parafraseou o empresário. Antes de ser contratada por ele, esteve à frente da conta das Lojas Colombo na extinta DCS e trabalhou como supervisora de Publicidade e Propaganda da Rede Plaza de Hotéis por quatro anos.

Infinito e além

Ainda muito jovem, casou-se com o empresário da área de Exportações, Raul Moreau, com quem teve Sophie, que, ao completar cinco anos, viu os pais tomarem a decisão do divórcio. Tranquila e sem mágoas, a publicitária afirma que a relação foi excelente enquanto durou, mas que o fim foi necessário. “Tenho plena certeza e convicção de que escolhi um pai maravilhoso para minha filha. Ele mora em São Paulo e eles têm uma relação linda, que essa distância não atrapalha”, relata, satisfeita e orgulhosa pela família que pôde construir ao lado do ex-marido.

O amor de sua vida mesmo é Sophie, agora com 20 anos, com quem divide as responsabilidades da casa desde a infância da menina, um sushi no jantar durante a semana, a companhia nas aulas da academia e as aventuras nas noites de Planeta Atlântida. Sem contar as brincadeiras com os três cachorros da casa, situada na Zona Sul da Capital, e as ajudas nas longas madrugadas em que a jovem precisa executar as maquetes e outros trabalhos da faculdade de Arquitetura e Urbanismo. “Não basta ser mãe, tenho que participar. Ela mostra os projetos para mim e vejo que lá se vai uma pessoa quase pronta para encarar o mundo”, confessa, feliz.

A maternidade lhe ensinou muito. Acredita que está criando a neta de Xavier e de Guiomar para o mundo e não deseja que os primeiros passos voltem, pois curtiu cada fase de descobrimento ao lado dela. Ela deseja que a futura arquiteta e urbanista possa construir relações consistentes, e que a enxerguem com compromisso e seriedade tanto no âmbito profissional quanto pessoal. “Penso que ela vai sair desse ninho um dia e quero que ela seja amada por muitos.”

Juntas, as duas não saem do Auditório Araújo Viana, casa de espetáculos de Porto Alegre. A dupla adora assistir aos shows das bandas favoritas, como Capital Inicial e Jota Quest. “Quer nos encontrar? Passa por lá. Temos a chave do Araújo”, brinca, às gargalhadas. O companheirismo entre elas não acaba por aí. A primeira tatuagem de ambas foi feita em conjunto – o mesmo desenho no pulso esquerdo – para registrar na pele o amor incondicional que sentem uma pela outra. O símbolo do infinito, com os dizeres em inglês ‘Ao infinito e além’, marca a infinidade do amor. “Não tenho certeza que nasci para ser mãe, mas acredito, de olhos fechados, que nasci para esta maternidade. Somos parceiras de vida.”

Com propósito e satisfeita

Quando decidiu deixar a Competence, procurou uma capacitação em coaching para entender melhor como se desligar das atividades de forma madura, sem nenhum sentimento de perda, e compreender seus anseios profissionais. Com quase uma década na agência, achou que era o momento de se recolocar no mercado de trabalho para acrescentar em outros projetos e organizações. Neste período, atuava diretamente com Panvel e Banrisul, cliente com quem teve a oportunidade de trabalhar com o segmento financeiro. Ao se despedir de João Satt, ficou três meses em um período sabático.

No início de 2016, um dos sócios da Moove, José Fuscaldo, a chamou para conversar. Rosângela, depois do acerto, começou na agência, como diretora de Núcleo de Governo do Estado do Rio Grande do Sul e Banrisul, no mesmo dia em que a conta do banco foi assinada. Com menos de um ano de casa, garante que o melhor elogio é poder mensurar em resultados as ações propostas pela agência e satisfazer os clientes. “Recebi mensagens pela campanha do Detran de conscientização de trânsito seguro. Em 24h, tivemos 800 compartilhamentos orgânicos e 30 mil visualizações sem impulsionamento”, observa, orgulhosa.

De todos os ensinamentos que teve com o coaching, destaca que aprendeu que não basta alcançar os objetivos, ter uma sequência de sucessos, se esse percurso não é saboreado. Entendeu que é preciso parar, não surtar quando os planos dão errado, e ter tempo para uma viagem ao Rio de Janeiro, andar de bicicleta na beira do Guaíba ou tomar uma espumante com os pés para cima ao lado da filha. Sem esquecer de pegar a Freeway e poder desfrutar de um fim de tarde de frente para o mar – seu hobby favorito. “A carreira deve estar voltada para vida, e não a vida para carreira”, finalizou, parafraseando Mário Cortella, um dos seus autores preferidos que está na sua cabeceira com ‘O que a vida me ensinou’ e ‘Vida e Carreira’.