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Domingos Secco Junior: Ânsia por construir

Para encontrar o publicitário, é necessário procurá-lo onde não há marasmo
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Domingos Secco | Divulgação

Por Cinthia Dias

O caminho até chegar ao curso de Publicidade e Propaganda, como recorda Domingos Secco Junior, em um banco na parte externa da Area 51, em Porto Alegre, “foi louco”. O guri de Tapejara, município localizado na região noroeste do Rio Grande do Sul, veio para Porto Alegre especialmente para se inscrever no vestibular da Ufrgs para Direito. Após uma fila extensa, o jovem, diante da listagem de graduações, se inquietou com a possibilidade de adquirir um diploma em Comunicação Social. Mesmo aprovado para a primeira opção, não a levou adiante, sem mais rodeios e decidido, foi parar na Famecos, da PUC, para cursar Publicidade e Propaganda. “Foi doido, mas tinha um pé na área desde o segundo grau, quando fazia narração de jogos e produzia um jornalzinho. Tudo isso fez sentido na hora que estudei.” Com a escolha aleatória, os amigos tapejarenses diziam que o veriam no Jornal Nacional, da Rede Globo. “O que, na verdade, não tinha nenhuma relação com o que estava aprendendo”, acrescenta, aos risos.

Enquanto os conhecidos interpretavam erroneamente as funções de um publicitário, o profissional foi descobrindo as diversas possibilidades ao longo da construção da carreira. No terceiro semestre, passou a estagiar em uma agência especializada em Design Gráfico, o que permitiu abrir uma empresa.  “Um dia, retornei para casa e tinha um bilhete na caixa do correio. O Ricardo Pinheiro me fez uma proposta e montamos a Spacer, onde criávamos marcas e outros materiais”, conta. Com a chegada lenta da internet e a aproximação com ela por meio da universidade, sugeriu ao sócio que investissem nisso, mas não houve sucesso.

Tempos mais tarde, com o encerramento das atividades do negócio, Secco fez trabalhos como freelancer por seis meses. Decidido a contatar sua rede de relacionamento para retornar ao mercado, foi parar na AG2, onde era Atendimento, após uma visita ao fundador e CEO na época, Cesar Paz. Na agência, ficou de 2000 – ano em que concluiu a faculdade – até 2002. Em seu currículo, também constam as atuações na Assintecall, de Novo Hamburgo, e na Unisinos, ambas na área de Marketing; e na CuboCC, a convite de Roberto Martini. “Sempre fui feliz com a internet e estive ligado à movimentação na web”, constata, ao avaliar suas passagens profissionais.

Da experiência na Unisinos, ao lado de Daniel Bittencourt, criou uma empresa especializada em projetos inovadores de participação digital, que, conforme Secco, serviram de inspiração no mundo todo.  Com a Lung, na qual sua dedicação foi de quatro anos, desenvolveram as iniciativas Redenção.cc e Porto Alegre.cc, que visavam a fomentar a consciência de integração nas comunidades  a partir de ações nas esferas públicas e privadas. “Nunca ganhei tanta medalha e tapinha nas costas na minha vida. Foi um momento de extremo aprendizado. Acho que aprendi a não ser tão ingênuo com as coisas”, diz, em referência a falta de transparência no âmbito público.

Estudioso do Rock

Como a maioria dos universitários advindos do interior do Rio Grande do Sul, o caçula, a cada período de férias escolares, retornava para casa para matar a saudade dos pais, Domingos e Lucer, e dos irmãos Gislaine, Dariane, Rubens. Enquanto alguns colegas viajavam para descansar, ele voltava para comandar um programa na rádio Caiobá FM. Ao todo, foram três verões à frente do Pixiatria, cujo nome é uma homenagem à sua banda favorita Pixies. “Era terapêutico ver o quanto o rock podia mexer com uma cidade de 10 mil habitantes”, diz, recordando que levou duas bandas para tocarem, ao vivo, na atração. Na época, os músicos, que tiveram de dormir em sua casa, com o passar dos anos, se tornaram seus “amigos de longa data”.

O programa, que tinha duração de uma hora, era composto por um bloco no qual ele atualizava os ouvintes a respeito do cenário da música mundial, além de traçar um panorama histórico de cada canção, apontando as referências dos compositores. “Fazia uma curadoria extrema sobre o assunto, comprava revistas gringas e encomendava CDs na Toca do Disco.” Do investimento, resultou a coleção com mais de 400 CDs, que guarda com carinho na Capital, e os incontáveis vinis, que deixou na casa da mãe, devido ao volume.

Admirador assumido de música, o publicitário se caracteriza como um cara que era especialista no assunto, mas nunca soube tocar instrumento algum. Na adolescência, ouviu muitas canções dos anos 1980 e 1990, resgatou as de 1960 e 1970, e, hoje, com o filho de nove anos, se atualiza ao som da rádio Mix. Do punk ao alternativo, do funk norte-americano até o hip hop, o que mais lhe agradava era o rock. Apesar da preferência, o pesquisador investigou a raiz dos estilos por pura paixão para poder apresentar o melhor conteúdo aos seguidores do Pixiatria. “Sou uma mistura, mas um estudioso do rock.”

O gosto pela música o levou diversas vezes ao bar Opinião, localizado na rua José do Patrocínio, no bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre, para conferir atrações nacionais. Das apresentações, destaca o segundo show dos Raimundos, quando o palco da casa noturna ainda era baixo o suficiente para permitir que ele tocasse nas mãos de Rodolfo e Digão, e de Chico Science. “Posso te garantir que vivi a música de forma intensa”, resume.

Trabalho com propósito

A atuação na CuboCC durou três anos, e, em cada ano, pôde desempenhar uma função diferente com as contas da Unilever. No primeiro, trabalhou como Atendimento de Axe, na sede em Porto Alegre; enquanto no segundo, essa área foi para São Paulo e acabou ficando responsável pelo setor de Tecnologia e Business Intelligent (BI). Com a troca de cargo, propôs que fossem realizadas ações de BI em todas as contas desse cliente. “Padronizei”, simplifica orgulhoso. No terceiro e último ano, foi convidado para morar na capital paulista e gerenciar trabalhos. “Um upgrade de possibilidades e conhecimento. Lá, o mercado acontece.”

A mudança para São Paulo não envolveu apenas Secco, mas também a esposa Fabiana e o pequeno Gabriel, com pouco mais de um ano na época. Concursada, a companheira tirou licença e o acompanhou na aventura. Se, por um lado, a troca de endereço permitiu um crescimento profissional, por outro, estavam longe da família. E isso acabou encurtando os planos na megalópole. “Voltar é sempre um dilema”, desabafa, e completa que, ao retornar, tinha três propósitos: fazer negócios, ampliar suas experiências na área acadêmica e criar algo que gerasse um impacto social.

De volta, prestou consultoria na Escala, quando identificou que precisava sair de dentro da agência para auxiliar o mercado como um todo em relação às novas demandas dos clientes sobre o digital. A partir dessa visão, nasceu, em julho de 2015, a Alright, com o objetivo de oferecer inovação que fizesse sentido para as pessoas. Ao lado do publicitário Fabiano Goldoni e de Cesar Paz, comandam uma equipe de oito profissionais, que pensam soluções em mídia  por meio das áreas Operacional e Consultiva. “O nosso negócio é construção e tenho tesão por isso. Onde houver marasmo, esquece, tu não vais me encontrar.”

Mais importante que internet

O sobrenome combina com ele. A sinceridade, que elenca como característica negativa, é um traço que torna, muitas vezes, sua fala rude com as pessoas. “Posso ser mal-interpretado em alguns casos, mas gosto de ser assim”, admite. A franqueza, segundo o publicitário, quanto mais velho fica, menos tempo tem a perder com conversas não objetivas. Em contrapartida, aos 41 anos, acredita que sua melhor qualidade seja a visão sistêmica nos negócios da mídia.

O destino não poderia ter lhe reservado um caminho diferente para conhecer Fabi: a internet. A partir de uma conversa no chat do UOL, descobriu a mãe de seu filho Gabriel, que marcou para conhecer no dia de seu aniversário, em 8 de julho de 2002. Nesta data, à noite, comemorou ao lado de uma desconhecida, o que resume, aos risos, como a era pré-Tinder. “Meio bizarro, mas deu certo.”

Atualmente, o casal reside no bairro Tristeza, na Zona Sul de Porto Alegre, onde leva uma rotina agitada de segunda a sexta-feira e, aos finais de semana, aproveita para descansar e fazer a manutenção da casa. “A gente pinta, troca lâmpada, lava e passa roupa. Quando temos tempo, ele é voltado para estar junto, em família”, finaliza, e observa que as viagens a trabalho são rápidas, pois tem o compromisso de estar com eles. “Isso é o mais importante.”