Alessandro Souza: Uma carreira eclética

Coordenador dos cursos de Jornalismo e Publicidade da ESPM-Sul define sua trajetória como plural

Alessandro Souza - Divulgação

Receptivo e cheio de histórias para contar, o coordenador dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda da ESPM-Sul, Alessandro Souza, caracteriza sua trajetória profissional como eclética. "Isto não é nem um elogio, nem crítica. É só uma constatação", define. No mercado desde o seu primeiro estágio, aos 19 anos, na agência de publicidade Overcom, de Porto Alegre, o publicitário por formação pela Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (Fabico), da Ufrgs, transitou em três áreas distintas até chegar à Academia: Criação, Web e Tecnologia.

Logo no início da sua carreira, que já soma 24 anos, depois de passar também pela ProTarget, Alessandro participou da criação do ClicRBS, em 2000. Em 2006, fez parte da campanha de Comunicação do Sport Club Internacional - ano que o time ganhou a Libertadores e o Mundial de Clubes. Mas a relação com o Colorado vai além do trabalho. Por coincidência, nasceu em 6 de abril de 1975, mesmo dia e mês da inauguração do Gigante da Beira-Rio e dois dias depois do aniversário do time. E assim, nem é preciso salientar que este é seu time do coração.

Durante um período de transição, criou em 2005, em sociedade com o publicitário Carlos Abbud, a Up and Go. No entanto, como a docência lhe tomava bastante tempo, decidiu não fazer mais parte do quadro societário em 2012, e, mesmo não estando mais à frente da agência, ainda presta, eventualmente, serviços de consultoria. É também participante ativo das entidades de Publicidade e Propaganda, como o Sindicato das Agências de Propaganda no Estado do Rio Grande do Sul (Sinapro), a Associação Riograndense de Propaganda (ARP) e a Associação Latino-Americana de Propaganda (Alap), na qual, em breve, será nomeado como Conselheiro Consultivo, pelo presidente João Firme.

Pai e filho-coruja

Casado há 13 anos com a dentista Ana Elisa da Silva, Alessandro se derrete ao falar da companheira: "Ela é a única mulher que me deixa literalmente de boca aberta." Em uma das histórias do casal, que se conheceu durante uma festa de virada de ano, Ana fez a cirurgia de extração de siso do marido. "Era o momento que ela poderia se vingar de qualquer coisa", diverte-se ao lembrar. Em 2012, nasceu Alessandra e ele logo explica que, embora se sinta orgulhoso com a homenagem, o nome não foi escolha dele.

Define-se como um pai-coruja e buscar a filha na escola, por exemplo, é uma das funções que o deixa mais feliz. "Me esforço ao máximo para ser bem presente. " Adorador de autores como Sartre, Dostoiévski, Saramago e Camus, confessa que suas atividades culturais estão mais relacionadas ao público infantil para poder compartilhar os momentos com a pequena.

Filho de Irton de Souza e Maria Elaine de Souza, já aposentados, conta que é o responsável por cuidar sozinho dos dois desde a perda do irmão caçula, Marcell Souza, há 10 anos. "Jogávamos bola e praticávamos esportes juntos", relembra visivelmente emocionado, ao relatar que, quando se formou, em 1997, o irmão passou na mesma faculdade para cursar Relações Públicas. Apesar do triste acontecimento, revela que a família se tornou mais unida.

Três momentos. Três telefonemas

Três momentos da sua carreira, segundo o coordenador, começaram por meio de uma ligação telefônica. O primeiro convite foi para trabalhar no Grupo RBS, em 2000, com um detalhe: foi chamado, mas não sabia para qual cargo. "Eu nunca havia mandado meu currículo para a empresa e me falaram que era uma vaga sigilosa", conta. Chegando na empresa, o publicitário, que havia atuado até então só em Criação, passou por entrevista durante uma hora ainda sem saber qual seria sua função. "Apresentei o meu perfil, sem fazer ideia para o que era. Parecia espionagem", fala, aos risos. Ao final, soube que se tratava de uma vaga inexistente e que seria, então, criada: a de redator web. Em uma era pré-Linkedin, mais tarde, descobriu que havia sido indicado por Letícia Chiappini, com quem trabalhou na Overcom.

A segunda ligação foi a do então vice-presidente de Marketing do Internacional, em 2006, Otávio Rojas, dizendo: "Quero que tu componhas o comitê de Marketing do Inter". O convite surgiu por meio da conclusão de MBA em Marketing que Alessandro apresentou na ESPM-Sul, primeiro da instituição a tratar de Marketing no Esporte e Planejamento da área para os clubes. "Isso me deu uma boa visibilidade, sem falar que é o sonho de muito profissional atuar no time para o qual torce", comenta o colorado.

No primeiro ano na função, participou da campanha voluntária que fez o time ser referência na época por ter sido o primeiro clube da América Latina a atingir o quadro de 100 mil associados. "Ganhamos muitos prêmios por isso. O Colorado estava com 18 mil sócios e alcançamos este número", celebrou, ao recordar que a conquista também se deve aos colegas de equipe, como João Machado, Jorge Avancini, Marcelo Lubisco, Max Carlomagno e, mais tarde, por Gildo Sibemberg. Em 2011, retornou ao clube como assessor de comunicação, na gestão de Giovanni Luigi. Nesta segunda passagem, coordenou 12 profissionais, que cuidavam da TV, da rádio, da revista e do jornal em dia de jogo.

A terceira chamada telefônica foi da ESPM, onde já trabalhava como professor desde 2005. Na ligação, o diretor-geral, em 2009, disse que precisava encontrá-lo urgentemente para uma conversa. "Pensei que tinha feito besteira e seria demitido", brinca, ao explicar que o encontro era para informar que a vaga de coordenador do curso de Publicidade e Propaganda estava aberta. Aceitou, então, o desafio que já enfrenta há quase 10 anos. No segundo semestre deste ano, passou também a coordenar o curso de Jornalismo, no qual tem auxílio da jornalista Rosângela Florczak, bem como dos profissionais Giovanni Pereira e Paola Zanchi. "Costumo dizer que tenho os três lados da ESPM. Fui aluno e, agora, sou professor e gestor. "

Feliz no que faz

"Eu gosto de ver a floresta inteira, em vez de apenas uma árvore. " É assim que o professor define sua relação com os alunos, ao declarar que acha muito legal poder acompanhar o desenvolvimento deles. Além da parte burocrática da coordenação, Alessandro diz ser muito satisfatório poder auxiliar os estudantes a tomar o rumo profissional mais adequado de acordo com cada perfil. Quando não está em sala de aula, ou resolvendo trâmites que o cargo lhe exige, atende aos estudantes no seu escritório da universidade para que possa ajudá-los e compreendê-los. "Conheço todos por nome, é uma relação fundamental."

Sem conseguir eleger apenas um momento feliz na carreira, lembra alguns episódios que considera mais marcantes. Um deles foi quando conquistou o prêmio iBest com um trabalho realizado para Telesp, enquanto esteve na GoDigital, onde atuou após sair da RBS, em 2001. Orgulhoso do que faz, outro momento que considera o ápice de sua carreira foi em 2017, já na coordenação da ESPM-Sul, quando ganhou a insígnia de honra pela atuação na escola recebida pelo Conselho da instituição, momento considerado emocionante e inesquecível. "Foi entregue pessoalmente por Roberto Dualibi, um dos meus grandes heróis na Propaganda."

Ele se vê dentro de salas de aulas pelos próximos 10 anos, pois "gosto de estar com a moçada". A diferença é que, para o futuro, pretende conciliar a carreira de professor com a de consultor. Realizado com o que faz, depois de ter transitado por Criação, web e tecnologia, Alessandro parece ter encontrado no mundo acadêmico o lugar que mais combina com seu perfil comunicativo e agregador. Define-se como perfeccionista e ansioso e a pluralidade da sua trajetória parece ter encontrado uma redenção, mas isso não significa que ele se acomoda no mesmo lugar. "Eu pretendo sempre contribuir para as mudanças malucas que acontecem na Comunicação."

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