Cadu Oliveira: Em 2 Toques

Jornalista esportivo há mais de três décadas, o profissional conta a trajetória da carreira que escolheu ainda na infância

Cadu Oliveira - Divulgação

Jornalista por profissão, esportivo por paixão. É assim que Cadu Oliveira define a carreira que segue há mais de 30 anos. Desde a infância, sua vida foi movida pelo jornalismo esportivo, quando, ainda criança, acompanhava as jornadas esportivas com o pai, Narciso, já falecido. "Assim como fiz com os meus filhos", compara, informando que o caçula, Pedro Oliveira, de 18 anos, está seguindo seus passos, pois cursa Jornalismo e trabalha na RDC TV, emissora que Cadu ajudou a fundar. Ele também é pai do publicitário João Gabriel, de 28 anos e que mora em Portugal, e de Alecxia, de 22 anos, que estuda Medicina Veterinária. 

O acaso o desviou da Medicina, quando, por um mero detalhe, não passou no vestibular na Universidade Católica de Pelotas. O curso, ele escolheu por influência de um grande amigo da juventude que lá estudava. Porém, foi aprovado na segunda opção, Engenharia, graduação na qual chegou a se matricular por um ano, mas, frustrado, deixou o sul do Estado, voltou para casa em Porto Alegre e decidiu trilhar o caminho que já sabia. Assim, formou-se em Jornalismo, na Famecos, no começo dos anos 1980.

Lá se vão mais de três décadas fazendo o que mais gosta: TV. Até experimentar o rádio, por pura curiosidade e oportunidade. Contudo, foi aí que soube que a telinha era o seu lugar e de onde, futuramente, não planeja sair. "Não penso em me aposentar. Deve ser difícil parar para quem vive nessa correria toda. Só se me pararem", brinca. Graduou-se, também, em Direito na PUC, profissão que nunca exerceu.    

Meu time? Nem pensar!

Não é de se estranhar que Cadu seja frequentador dos campos de futebol também como jogador. O futebol de sábado com os amigos é sagrado, sempre seguido de uns comes e bebes, como caracteriza os encontros semanais. Também pudera, pois, além do esporte, gosta de festa e se autointitula 'baladeiro'. Talvez por isso seja notívago, isto é, gosta de dormir tarde e, por consequência, acordar tarde. "Não ter horário para levantar é a melhor coisa que tem", acredita. Além do futebol, frequenta a academia, pois "procuro envelhecer dignamente e a atividade física é fundamental para a saúde".

Joga desde criança e, claro, cresceu torcendo para um clube, o qual não revela de jeito nenhum. "Quem sabe, sabe. Quem não sabe, não vai ficar sabendo", diverte-se. Não foi nem preciso perguntar. A informação foi passada logo no começo da conversa: "Não vai querer saber para qual time eu torço, né?". E a explicação é comum entre os jornalistas que atuam na área. "Jornalista esportivo não tem time. É evidente que tu simpatizas com um, mas, depois, tu viras profissional e perdes isso de ser torcedor", sentencia.

Lembra que, na infância, brincava de ser comentarista de jornadas esportivas com um tio que fazia as vezes de narrador. Evidentemente que o interesse pelo setor cresceu. "Via os jornalistas de Esporte e me projetava nisso", recorda. Sua primeira experiência, no entanto, foi em jornalismo Geral, na TVE, quando esta ainda ficava no campus da PUC. Acompanhou a mudança da emissora para o Morro Santa Tereza e passou a participar do telejornal Bom Dia Gaúcho, ao lado do colega Bibo Nunes. O jornal saiu do ar e seu destino, agora, era a finada TV Piratini.

Chances que não chegaram

Um programa criado para competir com o Jornal do Almoço, da RBS TV. Esse era o objetivo do então diretor da atração, Flavio Alcaraz Gomes, que contaria com Cadu na apresentação de um quadro. "Gravamos vários pilotos. No dia em que iríamos gravar a chamada, a TV Piratini perdeu a concessão, que foi cassada", relembra o jornalista. Voltou, então, para a TVE até ser convidado para ser repórter na RBS, onde ficou pelos seis anos seguintes.

Repórter esportivo, fazia matérias, também, para a Rede Globo e, certa vez, até foi convidado para deixar o Rio Grande do Sul rumo a São Paulo, porém, a situação em que vivia o fez optar por ficar em casa. "Era uma época em que estava me preparando para casar e comprando apartamento", explica. O casamento acabou, mas a profissão não.

Convidado para assumir na Rádio Guaíba, aceitou por entender que seria uma oportunidade diferente e sabia que poderia ser demitido a qualquer momento da RBS, que, segundo recorda, estava em uma onda de demissões. Como o seu negócio era mesmo TV, aceitou de pronto quando Alfredo Fedrizzi, que havia assumido a TVE, o chamou de volta. Em um primeiro momento, ficou nas duas, até deixar a da rádio. Foi repórter e chefe de Esportes, entre outras funções, e fechou mais oito anos de empresa.

Na década de 1990, com o surgimento das produções independentes, uma luz de esperança pairou sobre Cadu, que enxergou ali uma boa oportunidade. E lá se vão 23 anos à frente da atração 2 Toques. O início na TV aberta foi na antiga TV Guaíba, em 1997, onde ficou até a emissora ser adquirida pelo Grupo Record. Depois, foi a vez do SBT RS, que o havia selecionado para entrar na grade. Estava tudo aprovado, entretanto, recorda que Sílvio Santos, que estava em férias, deveria ser avisado antes de assinar o contrato.

Nesse meio-tempo, surgiu, também, um convite da Rede Pampa. "Fiquei dividido, pois eles estavam apostando muito no esporte", conta. Comunicou o SBT, que, por sua vez, pediu para segurar a decisão até a volta de Sílvio. "Dei um deadline e não recebi retorno até o prazo estipulado, então, acertei com a Pampa", afirma, lembrando que ficou lá por três anos.

Depois, foi a vez da Ulbra TV, onde, acredita, foi o grande boom do programa. "Foi quando mais tive retorno do público, recebia e-mails do Brasil todo. Foi impressionante." Com a reestruturação da emissora universitária, que voltou seu foco para Porto Alegre e Região Metropolitana, a solução, conforme cita, foi a TVU. Três anos depois, foi convidado a encabeçar o projeto ao lado do empresário e investidor Márcio Irion, no que resultaria na RDC TV. O canal, cujo foco é no digital, celebrou um ano no ar em julho de 2019.

Em busca do melhor

A TV é, ao mesmo tempo, sua cachaça e seu hobby, como compara, pois, além de trabalhar na plataforma, é um espectador nato. Assiste de tudo e adora zapear os canais. Nas preferências estão futebol, claro, jornal e shows. No ramo musical, aprecia MPB e tem um carinho especial por samba. Aliás, Carnaval é uma das festas que mais gosta. Já desfilou em escola no Rio de Janeiro e pulou em Salvador. Agora, prefere passar o feriado na casa em Atlântida com os amigos.

O churrasco, no entanto, não é ele quem prepara. "Eu forneço tudo o que precisar, mas não me chama para cozinhar que vai passar fome", confessa, dizendo que é especialista somente em ovo, salsicha e macarrão instantâneo. E se for para eleger seus pratos preferidos, não hesita em dizer massa e carne. 

No quesito leitura, logo admite que é obrigado a ler pelo meio em que atua, mas não tem preferência por nenhuma obra específica, gênero ou mesmo autor. Lê qualquer livro que o interessar, independentemente do assunto. O que não abre mão é de notícia. Sempre foi consumidor de jornal e, agora, informa-se pela internet.

O filho de Lucy da Rosa, falecida, e irmão da dona de casa Nilza Regina não é de projetar a vida e gosta de deixar as coisas acontecerem. Nem mesmo com viagens para aproveitar passagens aéreas mais baratas. "Prefiro tomar decisões na hora, pois não sei o que pode acontecer daqui a dois meses ou em uma semana", declara.

Católico praticante, estudou em colégio de padre e é de família religiosa. Embora não frequente a igreja, tem suas crenças e procura fazer orações pela manhã e à noite. Faz parte de sua essência a vontade de sempre querer estar de bem com a vida. "Não sou ranzinza, estou sempre alegre, procurando fazer amigos e buscando o melhor em todas as atividades. Se tu estás bem contigo mesmo, tu estás bem com os outros."

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