Integrada: Um olhar para dentro

Há 18 anos no mercado, uma das características mais marcantes da agência é ter profissionais de diferentes formações

Por Márcia Christofoli

Esqueça aquela imagem retratada em filmes e séries de agência cheia de gente, salas, cores, pessoas falando ao mesmo tempo, correria, telefone insistente ou qualquer cenário que remeta ao caos. Afinal, o que menos se encontra na Integrada Comunicação Total é barulho. Ao entrar na casa de três andares, localizada no bairro Higienópolis, a primeira impressão é exatamente essa: nossa, que agência silenciosa! E o sócio-diretor, Fernando Silveira, admite: "somos mais serenos mesmo".

No térreo, o administrativo funciona de maneira discreta, compartilhando o ambiente com um local para reuniões mais informais, com fornecedores, equipe, candidatos, visitas esporádicas (como a de Coletiva.net) e etc. No segundo andar, é onde "a coisa acontece". Dividida em três ilhas, a equipe trabalha no mesmo espaço e podem ser encontrados os profissionais de Criação, Atendimento, Mídia, Produção e Redes sociais. Aliás, o interessante é que, nesse conceito de sala aberta, seria natural uma certa bagunça, mas ainda assim, a tranquilidade impera.

Também neste andar, bastante claro pela entrada de luz natural, fica mais um espaço para reuniões - inclusive, com diversas revistas sobre a mesa, dando destaque para a última Tendências Comunicação, editada por Coletiva.net. É nesta mesma área que fica o equipamento para monitorar entradas e saídas da agência. Com interfone e câmeras, a regra é que qualquer um pode atender a quem chega, pois entendem que o pessoal administrativo não tem obrigação alguma de ficar abrindo a porta.

Próxima da equipe fica a cozinha/copa, onde acontecem os momentos mais descontraídos. Afinal, comer ou tomar um cafezinho é sempre inspirador para se falar em assuntos aleatórios, que fogem das responsabilidades profissionais.

A cara do dono

Difícil falar da Integrada sem dedicar um espaço considerável ao seu fundador, pois a ele é atribuída grande parte da imagem da agência - seja para quem os vê de fora, seja para os próprios colaboradores. Fernando, com seu jeito low profile, confere à empresa um tom de simplicidade aliado à qualidade e transparência. Lá dentro, há quem diga que o sócio-diretor "sabe como construir suas relações" e isso faz com que muitos o vejam como um cara do bem, que circula no meio publicitário com bastante tranquilidade. Palavras que lhe são atribuídas passam por caráter e retidão. "Eu luto para ser justo sempre, ainda que pague um preço alto por isso", garante o executivo, que também é presidente do Sindicato das Agências de Propaganda (Sinapro-RS).

Os colaboradores já foram em número bem mais expressivo do que as 13 pessoas que trabalham lá atualmente, e a decisão de enxugar o quadro teve a ver com a proposta de perfil que queriam adotar: menos gente, mas mais capacitada para que a entrega fosse melhor. Ou como se diz por aí: decidiram "subir a régua". Isso também aconteceu porque, durante muito tempo, a Integrada assumiu uma postura formativa, que acolhia muitos estagiários. Hoje, porém, aposta em profissionais mais experientes.

A multidisciplinaridade da equipe é uma das características mais marcantes. Já teve biólogo, filósofo, músico, psicólogo, enfim, áreas diferentes, mas que somam quando se unem em prol da Comunicação. Afinal, no entendimento deles, se todos fossem publicitários, talvez a troca de experiências e opiniões não seriam tão ricas. Se alguém entrar para o time e achar que vai fazer só a sua própria atividade, enganou-, pois, conforme o pessoal garante, de vertical só o prédio. Essa gestão horizontal fez com que, por exemplo, não adotassem mais o papel do planejamento, pois, a cada projeto, reúnem as áreas envolvidas e designam alguém para responder pelo job. O objetivo? Encurtar os intermediários.

Nos bastidores, existe uma lista de todas as pessoas que já passaram pela Integrada - carinhosamente chamada de Desintegrados -, que é alimentada por uma das sócias, a Cibele Pires, há 12 anos na agência. "É engraçado, porque, com mais de uma década, era para ter muita gente. Ao contrário, separando por áreas, cabe em uma folha A4 tranquilamente", conta ela, visivelmente orgulhosa do feito. Outra curiosidade sobre a baixa rotatividade, é que existem muitos casos de colegas que saem e acabam voltando. Em uma rápida contagem, surgem, pelo menos, cincos nomes mais recentes de "um bom filho à casa torna".

De estagiários a sócios

No comando da Criação - e aqui cabe mais um aspecto interessante: historicamente, o setor é majoritariamente feminino, Cibele é quem cuida da pauta diária. Ela, que começou como estagiária, se mostra serena, sorridente, mas com opiniões muito claras sobre o perfil da agência e da sua equipe. "O pessoal brinca que fui eu que contratei o Fernando, de tanto tempo que tenho de casa", conta, aos risos. E nesse clima de tranquilidade, opina que o silêncio do ambiente tem muito a ver com os sócios, que nada têm de agitados. "Isso reflete diretamente no time. Não somos agitados. Claro que existem momentos mais turbulentos, com assuntos mais polêmicos, ou a pauta apertada, mas essa é a exceção", detalha.

O mesmo caminho trilhou Julio Mendez, responsável pelo Atendimento da Integrada. Formado em Psicologia, começou como assistente da área e, por ter formação fora da Comunicação, fazer PITs (pedido interno de trabalho), por exemplo, que é uma atividade corriqueira no setor, não era algo com o qual tinha intimidade, mas as pessoas sempre o deixaram livre para se organizar como achasse melhor. Tanto que, quando alguém o cobria nas férias, demorava para entender a separação de pastas - que não era por cliente, como é o mais comum, era por dias. "Essa organização era horrível", concorda Cibele.

Na visão de Julio, qualquer um que chega se adapta logo ao cenário calmo, mas o que mais gosta mesmo na sua empresa é ter na volta pessoas tão distintas umas das outras. "Elas serem diferentes, terem gostos opostos, não nos assusta. Pelo contrário, nos anima ainda mais", garante. Ele ainda comenta que sabe que a agência faz pouca propaganda de si mesma, mas que preferem investir no trabalho interno e na entrega aos clientes, "do que ficar olhando para a grama do vizinho".

Qualidade de vida

E por falar em público interno, Fernando se orgulha muito dos colaboradores, em especial, é claro, Cibele e Julio, que percorreram um bom caminho até a sociedade. "Eles são muito melhores do que eu e isso é muito bacana! Contar com eles me permite focar em outras áreas, tão importantes quanto o bom andamento dos trabalhos", comemora o sócio-diretor. E poder contribuir para a qualidade de vida dos seus é também ponto crucial para os negócios. Há quem faça questão de almoçar em casa, ou aproveita o horário para outras questões pessoais. "No ano passado, se o pessoal precisou ficar três vezes após o horário combinado, é muito", pontuou.

Os ex-estagiários também são taxativos: lutam pela qualidade de vida da equipe. Claro que às vezes a pauta aperta, ou algum cliente precisa de urgência, mas, na maioria das vezes, trabalham com prazos - e isso também tem a ver com o perfil da agência e essa serenidade que tanto foi citada. E parece que a contrapartida aparece rapidamente, pois toda liberdade é também carregada de responsabilidade. Ou seja, parece que há um esforço de todo mundo para ter qualidade de vida. "A pauta é pensada para ser executada naquele período, então, todo mundo se dedica para que renda bem, assim como temos liberdade para ajustar os horários, negociar com cliente ou com as demais áreas envolvidas em tal atividade", corrobora Cibele.

É tudo lindo, fácil e calmo? Claro que não. Sempre tem o que melhorar, especialmente no sentido de aprimorar. E, segundo Julio, é o que tentam fazer diariamente na rotina, já que os sócios não têm uma data definida para se reunir e pensar no melhor pra agência. Quando percebem, estão conversando e redefinindo processos, ou seja, entendem que estão sempre em beta. "Reconheço que, às vezes, seria melhor ser menos romântico e tentar aquela famosa gestão rapadura: doce e dura. E, assim, ter mais produtividade. Ou, como diz o Fernando, colocar o coração no bolso", admite Julio, que completa: "Se vier pra cá querendo ganhar Cannes, talvez esse não seja o melhor lugar. O que temos pra oferecer é qualidade, de trabalho e de vida".

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