Doutora em Comunicação declara: "Vivemos na era da cibercultura"

Maria Clara Monteiro ministrou oficina sobre redes sociais no Instituto Linga nesta terça-feira

Equipe de Coletiva.net participou de curso sobre influenciadores digitais - Divulgação/Coletiva.net

Cerca de 20 pessoas participaram da primeira aula do curso 'Influenciadores Digitais: introdução à produção de conteúdo online', ministrado nesta terça-feira, 9, no Instituto Ling, em Porto Alegre. A qualificação foi conduzida pela especialista Maria Clara Sidou Monteiro, doutora em Comunicação e Informação e pesquisadora de estratégias de mercado, influenciadores e youtubers. Em sua apresentação ela declarou que "vivemos na era da cibercultura". O curso seguirá na próxima terça-feira, 16, no mesmo local.

Para dar início à explanação, Maria Clara mostrou o trailer do filme Her (2014) a fim de exemplificar a presença da inteligência artificial na vida das pessoas. "Estamos caminhando para isso de forma mais rápida do que imaginávamos", afirmou. Ao longo de duas horas e meia, aproximadamente, a pesquisadora falou sobre o surgimento da internet e como isso impactou na cultura da sociedade, fazendo surgir, inclusive, a era do consumo.

Na época da Segunda Guerra Mundial, no começo dos anos 1940, a sociedade vivia a lei da oferta e as pessoas tinham pouco poder aquisitivo. Agora, a população tem mais condições financeiras, somado a um maior acesso à informação, o que torna o consumidor mais exigente. "Isso faz toda a diferença para quem quer lidar com o mercado de influenciadores. Além disso, essa mudança aumenta a concorrência e a publicidade para diferentes produtos", comentou, completando que este processo está em constante avanço.

Já no âmbito das redes sociais, Maria Clara informou que elas desmascaram certas mentiras, o que deixa o consumidor mais exigente com a verdade. "Antes, era a era da conveniência, do que era mais rápido e mais prático. Agora, queremos, além disso, a autenticidade", decretou. Ela também falou sobre as experiências, que estão diretamente ligadas ao marketing digital e as marcas precisam vender uma ideia, não mais somente o produto físico. "Vai além da questão material, mas sim, algo sensorial, e os influenciadores estão diretamente ligados a isso, pois são eles que vendem essa experiência."

Em uma explanação mais teórica, a doutora comentou sobre o rompimento de barreiras geográficas e hierárquicas a partir da internet, bem como uma maior produção de conteúdo e uma certa independência das formas tradicionais de mídia. No entanto, disse que essa independência é questionável, uma vez que as pessoas entregam seus dados por uma internet livre, teoricamente. "O conteúdo, depois de publicado, está sob a jurisdição das plataformas. As pessoas  estão submetidas ao poder institucional que as ferramentas têm", falou.

Segundo informou, a sociedade muda o formato, e passa do status de estar conectado para o ser conectado, pois está o tempo todo online. "É uma mudança cultural, e essa conectividade nos tornou mais imediatistas, pois não temos mais paciência para esperar", exemplificou, citando, ainda, que a geração que nasceu a partir de 1995 é formada pelos chamados Prosumer, ou seja, a soma de producer (produtor) e consumer (consumidor).

Ainda na questão geracional, Maria Clara falou que a geração Z (1995 a 2012) confia mais nos influenciadores digitais, afinal, não é à toa que são chamados de nativos digitais. Entretanto, mencionou que, embora eles tenham mais noção do funcionamento da tecnologia, não acontece o mesmo com o conteúdo.

Depois, entrou na questão do Marketing Digital, que proporcionou mais interatividade, relevância (tempo é precioso) e experiência. Segundo a especialista, as marcas precisam estar preparadas para atuar dessa forma e investir na imagem online. "É uma comunicação direta com o cliente, que também ganhou mais voz, podendo se comunicar mais facilmente com as empresas", frisou, defendendo que é importante focar no marketing digital, que tem maior alcance de público e o custo de aquisição de clientes é menor. Além disso, apresenta melhor monitoramento dos resultados, tem nicho de mercado, segmentação de público e canais mais acessíveis.

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