Vamos falar daquele amor da ponta dos dedos?

Por Grazi Araujo

Gostar de escrever é uma atitude meio complexa de explicar, mas um privilégio de se ter. Quem sente esse prazer ao redigir, sabe. E os que não têm o hábito, hesitam. Dia desses, enquanto assistia uma entrevista com a Mônica Martelli, entre diferentes assuntos, ela comentou sobre a arte de escrever. E destacou: "A partir do momento que eu escrevo, isso não me pertence mais. Tudo que eu escrevo é sobre o que eu gosto de falar. Escreva! Escreva sobre o que você conhece, sobre a sua vida, sobre o que você passa, sobre você. Escreva!".

Quem convive com a vontade de escrever, não vê hora, dia ou lugar. No intervalo entre uma reunião e outra, no meio da madrugada quando a inspiração te acorda, no entardecer enquanto contempla a vista de uma janela. Há momentos de inspiração e de brancos mentais. E eles acontecem nos momentos em que mais precisamos, não necessariamente nesta mesma ordem. Às vezes, saem coisas legais sem a gente precisar pensar muito. Outras, poucas linhas acabam te agradando diante do todo. E tudo bem. Não dá pra ser sempre igual, senão não teria a menor graça. Cada texto tem a sua personalidade, é algo vivo.

Eu costumo dizer que escrevo, muitas vezes, com o coração na ponta dos dedos. Quando baixo a cabeça e a batida no teclado fica mais frenética, pode crer que uma vontade boa de criar algo veio junto.

Durante muitos anos, eu não conseguia escrever com música, mas sempre quis. De tanto tentar, porque eu realmente queria fazer as duas coisas ao mesmo tempo, hoje eu já consigo. Lembro que escolhia músicas desconhecidas para que eu não ficasse cantando e me distraísse. Doce ilusão, porque daí sim que eu prestava ainda mais atenção. Hoje eu me fecho, sempre que posso, num alto e bom som nos fones e desato a digitar. Conciliar duas paixões é uma daquelas sortes que tu tem que se agarrar e não soltar nunca mais na vida.

Falando em sentimento, muito desse amor em escrever, além de estar comigo desde pequena, se consolidou quando conheci o Go,Writers!, capitaneado por uma escritora que põe paixão em cada construção de frase. Cris Lisbôa ensina a escrever no amor, na dor, no desespero, no branco, no preto...mas sempre com o coração. No texto, também. (essa última frase é a marca registrada do Go,Writers!). "Tem coisa que só sai da gente por escrito", "É quase uma compulsão: eu tenho vontade de usar a palavra certa", "Antes de aprender a escrever a gente precisa aprender a se apaixonar", "Meu coração é uma máquina de escrever". Essas e outras frases estampam um pouco de tanto sentimento, registrados no Insta do @gowriters. É inspirador.

"Esse texto não foi construído em alguns minutos, como muitos já foram. Isso não quer dizer que ele é melhor ou pior, maior ou menor, nada disso. Desta vez ele foi feito com uma calma incomum, vide a agenda atribulada que a rotina nos engole. Ele foi escrito para lembrar o quanto falar, mesmo que por escrito, o que passa na cabeça, durante um abraço ou aperto de mão e até mesmo em um olhar, faz bem para a alma. Escrever é isso: é acariciar a mente e o coração.  

Autor
Grazielle Corrêa de Araujo é formada em Jornalismo, pela Unisinos, pós-graduada em Marketing de Serviços, pela ESPM, e com MBA em Propaganda, Marketing e Comunicação Integrada, pela Cândido Mendes. Atualmente é chefe de Comunicação Social na Casa Civil do Rio Grande do Sul. Também responde pela Comunicação Social da Sociedade de Cardiologia do RS (Socergs) e da Associação Gaúcha para Desenvolvimento do Varejo (AGV). Tem o site www.graziaraujo.com.

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