Por Emanuel Mattos A revista Press, da Editora Press & Advertising, traz em sua edição 118 uma reportagem sensacional com Giovani Grizotti. Toda a vez que esse destemido repórter surge com uma denúncia, na Rádio Gaúcha, os poderosos de plantão ou ladrões do dinheiro público tremem nas bases. Não é para menos. Grizotti é um profissional que serve de modelo para quem leva o jornalismo a sério.
Quando comecei a ler a primeira das oito páginas da reportagem, conduzida por Julio Ribeiro e Marco Antonio Schuster, não consegui parar até a última linha.
Fiquei fascinado com a história do repórter investigativo mais famoso do Estado, que na juventude vendia milho na praia,
“O pai tinha problemas de alcoolismo, a gente enfrentava muitos problemas naquela época, e ele meio que abandonou a profissão”. Coube aos filhos garantir a manutenção da casa”, conta. Mas nunca desistiu de seus sonhos.
Movido por eles, Grizotti conta, em detalhes, como foi sua luta para conquistar cada espaço, que iniciou nos modestos jornais de Capão, as primeiras investidas em rádios locais, até conquistar o seu espaço na Rádio Gaúcha:
– Hoje eu não sei qual seria meu próximo sonho, mas naquela época eu trabalhava muito a palavra sonho – conta. Estava no Jornal de Capão, queria ir para o Mar e Serra. Aquilo era um sonho. Estava no Mar e Serra e queria ir para a para a Rádio Horizonte, aquilo era um sonho. Da Rádio Horizonte eu queria ir para a Rádio Gaúcha, aquilo era um sonho. Era uma questão simbólica.
Não entro nos detalhes da riquíssima história de Grizotti, em que ele revela como conquistou cada espaço, tijolinho por tijolinho, com uma garra rara de se ver. Mas quem quer saber, em detalhes, como ele obteve cada uma das reportagens que provocaram tanta repercussão, vá até a banca mais próxima e adquira a revista Press. Creiam-me: vale cada centavo dos R$ 7,90 investidos.
Ele confessa que atualmente mira nos deputados: “A imprensa nunca questionou a Assembléia” – título de capa e da abertura de sua entrevista. Modestamente, creio que há pautas bem mais urgentes e que interessam à população indefesa. Como a quadrilha impune nos hospitais de Porto Alegre que maltrata doentes – há dezenas de denúncias a respeito de pacientes que morrem em leitos em consequência das agressões – quando deveriam ser salvos, mas os veículos não tocam no assunto. Somente Paulo Sant”Anna tem sido porta-voz em suas colunas. Tamanha violência precisa ser denunciada, até para que a população saiba quem está por trás dessa inominável brutalidade.
Bem que Grizotti poderia investigar tais crimes hediondos e tornar público o massacre aos pobres doentes. Aí sim terá realizado o sonho, não apenas dele, mas de tanta gente impotente frente à quadrilha que age impune em hospitais.
Coragem, ao menos – por tudo o que li nessa bela entrevista – não lhe falta.
