Há trajetórias que não começam com um plano rígido, mas com uma inclinação silenciosa. No caso de Guilherme Valim, 34 anos, gerente Comercial da Eletromidia no Rio Grande do Sul, o caminho foi se desenhando desde cedo entre livros organizados com cuidado, brincadeiras de rua no Interior e uma curiosidade permanente pelas pessoas. Nada parecia apontar, de forma explícita, para a Publicidade. Ainda assim, de algum modo, tudo estava ali.
Nascido em 26 de abril, em São Francisco de Paula, cresceu dividindo a vida com os pais, Francisco e Rosilene, e três irmãos, Gabriel, Gustavo e Alexandre. “A infância no Interior é diferente, de muitas brincadeiras na rua. A gente enlouquecia a mãe, mas era tudo muito saudável”, recorda. Terceiro dos quatro filhos, Valim conta que era o mais estudioso, gostava de ler, manter seu cantinho de cadernos e canetas organizado e observar com atenção o mundo ao seu redor.
Recorda, com carinho, de quando ganhou de uma tia diplomata, em 1997, que trouxe do exterior, um exemplar da primeira edição da saga Harry Potter. Na dedicatória, foi comparado com o menino bruxo. Apesar da pouca idade na época, logo após aprender a ler, não esquece de quanto o livro o marcou. Até hoje cultiva o hábito, tem uma estante cheia em casa e exalta muito a literatura brasileira.
Da Serra para Porto Alegre, o movimento aconteceu por uma escolha que parecia natural. “Sempre fui de humanas, fazia teatro, dança na escola, e a área da Publicidade e Propaganda, criatividade, estratégia, sempre me chamou muita atenção”, ressalta. Decidido, tornou-se estudante da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e, na capital, foi construindo não apenas uma formação do Ensino Superior, mas uma rede de relações que seria determinante para a carreira. “Minha vida acadêmica foi super legal, comecei a fazer o networking já na faculdade, eu dava bastante atenção pra isso.”
Identificação natural
O primeiro contato com o mercado veio ainda durante a graduação, como bolsista da agência experimental da universidade. “Eu era de tudo: designer, atendimento, mídia. Era muito legal”, lembra sobre o Projeto Caixola, que atendia demandas internas da universidade. A experiência prática ajudou a lapidar uma percepção importante: embora entendesse o processo criativo, era na mídia que se sentia mais confortável. “Desde cedo me identificava muito com essa vertente do trabalho”, pontua.
A trajetória profissional seguiu com naturalidade e constância. Na agência Bistrô, onde foi executivo de Mídia e Produção, acompanhou o crescimento do negócio por quase sete anos. “Foi uma experiência maravilhosa. É uma empresa muito humana”, elogia ele. Depois, vieram novos desafios, como a coordenação de mídia na Competence, atendendo a marcas como a Panvel, até a virada de chave que o levaria ao universo dos veículos de comunicação. “Eu tinha facilidade com a venda”, explica sobre a decisão de atuar no atendimento de veículo, primeiro no Canal Você (da Ativa), depois na Sinergy, até chegar à Eletromidia.
Gestão, crescimento e o olhar de dono
Quando ingressou na Eletromidia, há quatro anos, apostou no potencial da empresa, que havia recém adquirido a Elemidia e começava a expandir sua presença no Estado. Guilherme foi o primeiro publicitário da área comercial no Estado. O crescimento veio rápido e intenso, com novas concessões, ampliação da equipe e uma presença cada vez mais forte no espaço urbano. Elevadores residenciais e comerciais, aeroporto, abrigos de ônibus e, mais recentemente, com a compra de outra marca do mercado, a Clear Channel, os relógios de rua de Porto Alegre. Hoje, são cerca de 50 pessoas no time local, entre áreas operacionais, administrativas e comerciais, além da incorporação de novos ativos à empresa.
A ascensão também foi uma realização pessoal. Há três anos como gerente, Guilherme sabe o tamanho da responsabilidade e se diz feliz com o reconhecimento e crescimento. “Eu me acho muito novo e ocupando um cargo de relevância como esse, significa que eu faço algo certo.” O estilo de liderança é direto e humano, marcado por transparência e senso de pertencimento. “Eu me dedico, tenho um olhar de dono, sou muito responsável, quero que minha equipe esteja bem, quero fazer sempre entregas de qualidade”, enfatiza.
Para o desempenho da função de gestor, sabe que precisa ir além dos conhecimentos técnicos. “A gente não é treinado de cara pra isso, é complexo. Vamos aprendendo na prática”, admite. Guilherme não romantiza o desafio. Fala sobre erros, inseguranças e solidão, mas também sobre as ferramentas que auxiliam no sucesso dessa missão. “Uma terapia em dia, exercício físico, tudo isso ajuda bastante.”
Não esconde que ainda gosta de se envolver no operacional, participar com os executivos da construção de ideias, mas tem como prioridade a estratégia, planejamento, metas e sempre um olhar à frente. “Gosto muito de cuidar das pessoas, conversar com a galera, estar atento às necessidades da equipe e da empresa”, diz.
O equilíbrio
Fora do trabalho, a vida encontra outro ritmo. Casado com o designer Rafael há quase 10 anos, construiu uma relação baseada em parceria e equilíbrio. “Enquanto eu sou acelerado, ele é paz, calmaria”, descreve. O cotidiano compartilhado é simples e afetuoso, juntamente da gatinha Benta. A família de origem também ocupa um espaço central, especialmente com o passar do tempo. “Somos uma família que se aproximou muito, principalmente com a maturidade.”
Há ainda os pequenos rituais que ajudam a organizar o mundo interno. Guilherme gosta de quebra-cabeças, atividade que assume com humor. “Sou um senhor, adoro quebra-cabeça, sou viciado.” A prática esportiva é inegociável, assim como os cuidados com a saúde mental. Faz musculação, corre e joga vôlei de duas a três vezes por semana.
A música que embala os dias tem alma brasileira. “Adoro MPB: Maria Bethânia, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Costa.” No Carnaval, o encantamento vira devoção e a escola preferida é a Mangueira. “Sou apaixonado por desfile de Carnaval, principalmente pela série especial do Rio de Janeiro.”
Prêmios que o dinheiro não compra
Detentor de premiações como Top de Mídia, Salão ARP como Young do Ano e Veículo do Ano com a Eletromidia, é grato pelas oportunidades que o alavancaram até aqui. No entanto, considera que não há nada mais valioso do que sentir que suas pessoas o reconhecem e admiram. “Ver minha mãe, minha família, meu marido, minha equipe, falando bem de mim, me elogiando, são os melhores prêmios que eu poderia receber”, destaca, seguindo: “Não há preço que pague ter a tranquilidade de que vivo de forma coerente entre meu discurso e minha prática.”
Esforça-se para vencer a ansiedade, que acaba o atrapalhando algumas vezes. Mas não permite que isso paralise seus sonhos e pensa no futuro com leveza. Como qualidade, considera-se muito verdadeiro. “Pondero muito minhas decisões, pois acredito que tudo que faço volta pra mim. Trato as pessoas da maneira como gosto de ser tratado”, exemplifica.
O sonho de criança era ser ator. Na época de decidir sobre a graduação, cogitou Relações Internacionais. Com o diploma de publicitário, garante que é realizado e não pensa em mudar de profissão. E com fé na vida, nas boas energias e em fazer o bem, vislumbra esperançoso novos e gratificantes desafios como profissional.


*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial