“O otimista não ignora a chuva;
ele aprende a enxergar oportunidades nas poças.”
O final do ano sempre chega com esse ar de balanço inevitável. A gente olha para trás quase sem querer, revira os meses, as perdas, os ganhos, os silêncios e as sobrevivências. E 2025 não foi um ano leve. Foi um ano pesado para todo mundo, desses que cansam o corpo e, principalmente, a cabeça.
Aqui no Rio Grande do Sul, seguimos atravessando os reflexos profundos da tragédia ambiental de 2024. Nada terminou quando a água baixou. 2025 foi, em muitos sentidos, um ano de reconstrução. Reconstrução física de casas, ruas, cidades inteiras. E, para muita gente, incluindo a mim, uma reconstrução mental silenciosa, íntima, difícil de explicar. Reerguer paredes é duro. Reerguer o ânimo, a confiança, a autoestima e o sentimento de segurança é ainda mais.
No meio disso tudo, o país passou por um processo político complexo, tenso, desgastante. Um Brasil já dividido precisou lidar com mais uma tentativa de golpe, mais ruído, mais radicalismo, mais incompreensão. Foi cansativo acompanhar. Foi cansativo viver. Mas, apesar de tudo, sinto que os ares que começam a soprar para 2026 são diferentes. Mais leves. Mais promissores.
Tenho esperança, e faço questão de cultivá-la, de que 2026 seja um ano em que consigamos discutir política de forma mais equilibrada, com menos grito e mais escuta. E que, ao mesmo tempo, possamos avançar em pautas que me tocam profundamente: a causa animal e o enfrentamento do machismo tóxico, que segue adoecendo relações, famílias e a própria sociedade. São debates urgentes, que não podem mais ser empurrados para depois.
Encerrando 2025, o sentimento que fica em mim é de otimismo. A vida, quando a gente menos espera, traz surpresas muito agradáveis. Ela insiste em nos lembrar que nem tudo é perda, nem tudo é queda. Espero, de verdade, que as surpresas positivas que 2025 me trouxe se confirmem e floresçam em 2026.
Termino este ano muito mais leve e muito mais feliz do que terminei 2024. E é esse sentimento que quero estender a todas as pessoas que me leem. Tudo o que tem acontecido nas últimas semanas da minha vida me fez entender, com mais clareza do que nunca, que depois da tempestade nasce, sim, um dia lindo.
A nossa força precisa ser essa: esperar a chuva passar. Não negar a chuva, não fingir que ela não dói, mas atravessá-la. Porque, no fim, até ela traz coisas boas, como a regeneração da natureza, o recomeço do verde, o ar mais limpo. E, às vezes, é justamente depois do céu mais escuro que a luz encontra o jeito mais bonito de voltar.


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