O orgulho infantil, ah, o orgulho infantil! Pequeno no tamanho, imenso no brilho, eis aí um sentimento que nasce tímido e, súbito, toma o corpo todo. Aquele orgulho que invade a criança ao realizar pequenas conquistas, mesmo que seja um gesto minúsculo que assume a grandeza de um feito heróico. O orgulho vindo da alegria de ver reconhecida uma singela ação que traz embutida a sensação de ter realizado algo difícil, quase inalcançável para ela, uma pessoinha frágil e ingênua como só a idade admite ser.
Há uma luz radiante no orgulho que a ingenuidade expressa em um sorriso feliz. Orgulho no aplauso do adulto, recebido como um troféu. Orgulho em cada pequena conquista tratada como uma batalha ganha. Orgulho na alegria imediata ao ouvir a autorização para brincar na casa vizinha. Na glória inesperada quando a mãe, com o olhar amoroso que só ela sabe exprimir, diz sim ao pedido para dormir na casa da coleguinha. Orgulho no brinquedo que conserta, sem pedir ajuda. Na cédula que o padrinho alcança pedindo segredo para não despertar a inveja dos irmãos. Orgulho com o primeiro cãozinho que chega nos braços do pai, cheirando a aventura. Na bicicleta que voa sem cair quando as mãos se soltam do guidão e o vento passeia pelos cabelos. No final da poesia recitada em vozinha fina e insegura, mas sem tropeçar nos versos.
Tão pequenos gestos para um adulto… mas mundos conquistados para a criança.
Embutem um orgulho mais do que justificado, que passa longe do sentimento repleto de vaidade e de exibicionismo que cerca o adulto. Trazem um encantamento ingênuo, a glória de alcançar o que parecia inatingível. Que será testemunhada e aplaudida pelo pai e com o sorriso cúmplice e acolhedor da mãe.
É isso, o orgulho infantil é puro, sem afetações, sem agressões, não humilha ninguém. É puro em sua essência. Apenas ilumina. E cresce de forma silenciosa. Alimenta a confiança que, mais tarde, o adulto carregará sem saber de onde veio.
Talvez, no fundo, seja daí que a confiança nasça. Sim, nasce desse orgulho pequeno, delicado, que um dia sente ao mostrar um desenho e ouvir, com os olhos compreensivos da plateia, seja ela formada apenas por mamãe ou papai:
— Que lindo, filha!

