“Sempre é possível extrair algo positivo em qualquer circunstância.” O ditado parece absurdo na atualidade. No Brasil e no Rio Grande do Sul a crise de saúde não uniu. Ao contrário, acirrou a radicalização, dando à pandemia um colorido de politização inexplicável.
O turbilhão de notícias às vezes todos embaça nossa capacidade de discernimento. A demonização da política – fruto do bombardeio de informações negativas – passa a falsa impressão que todos os detentores de mandato são corruptos incorrigíveis. É sempre mais fácil terceirizar a culpa ou admitir parcela de responsabilidade. E como dizem os arautos da grande mídia “notícia ruim é que vende”.
O festival de absurdos que incluem até a proibição das revendas de veículos em realizar negócios online talvez ensine que é preciso seriedade diante da urna eletrônica. Em breve teremos eleições municipais, o pleito mais importante porque é nos municípios que vivemos, formamos família, empresas e geramos riquezas.
Na maioria as comunidades o prefeito e os vereadores são nossos vizinhos, parceiros de lazer, frequentam o mesmo armazém e a mesma igreja. São cobrados cara a cara, todos sabem onde residem. Este ano é fundamental analisar o comportamento dos nossos administradores públicos.
Muitos estiveram ocupados com brigas que renderam trocas mensais de assessores por sua arrogância e prepotência. Outros surfaram na onda de coronavírus, mas ao longo da crise perderam prestígio por falta de coerência, sensibilidade e personalidade para manter as suas decisões.
Não acredito na redenção do ser humano no pós-pandemia, vide os desvios com o auxílio emergencial. Netos continuarão a ignorar seus avós (em casa ou asilos). Amigos prometerão um chope e usar o jeitinho vão continuar na moda. A única esperança é de que a onipresença de prefeitos e vereadores na mídia faça com que nós, eleitores e pagadores de impostos, tenhamos critério para digitar os números na urna eletrônica.
Com o avanço tecnológico pode-se vigiar todas as decisão de nossos representantes. Projetos, votos, declarações, postura. Tudo está na internet. Basta procurar para decidir e mantê-los ou dar lugar a novas lideranças. Simples assim!
Gilberto Jasper é jornalista.

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