Durante a vida, todas as pessoas representam, acima de tudo, a si próprias. Cada uma, de acordo com a sua natureza, decide o quanto de humano, de digno e de ético serão pela vida afora. E a partir dessa disposição podem vir a representar papéis relevantes para muita gente: sua família, sua profissão, para uma comunidade inteira.
O João Borges de Souza, natural de Pelotas, veio para Porto Alegre já disposto a construir a sua trajetória pessoal e profissional. E, como sabem todos os que o conheceram e conviveram de perto, fez uma bela construção de si mesmo.
Como jornalista foi exemplar e inspirador, exemplo de capacidade e postura, brilho e responsabilidade. Por isso e pela reserva de ética e dignidade que representava, tornou-se um dos nossos melhores representantes na imprensa do Estado.
O retrato mais fiel e verdadeiro deste grande jornalista ultrapassou as suas atividades nos diversos veículos onde atuou. Desde a fundação do jornal A Hora, dos Diários Associados, até a RBS, passando pela criação da Folha da Manhã, na Caldas Jr.
Por conta da sua expressiva bagagem jornalística, o João Souza acabou por representar a nossa classe.
Para quem não sabe ou não lembra, ele fez parte da diretoria da ARI (Associação Riograndense de Imprensa), foi presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul e chegou a comandar a Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas).
Entre tantos cargos e cargas que teve na vida, João Souza atuou como conselheiro de Administração da Cooperativa dos Jornalistas de Porto Alegre, a CooJornal. Nesse papel, foi admirável: nos aconselhou como poucos aconselhariam.
Com seu jeito sereno e alegre de agir, foi sempre uma voz ponderada e inteligente a iluminar o caminho daqueles que dividiram seu cotidiano com ele.
Num Brasil como o de hoje, massacrado em seus princípios sociais e democráticos, carente de representatividade legítima, João Souza vai fazer falta: vão faltar suas palavras, sua postura, seu coleguismo, sua amizade.
Vai, João, e leve contigo todo nosso respeito e imensa admiração. E seja lá onde você estiver, continue a nos representar.
(Fraga e José A. Vieira da Cunha são colunistas de Coletiva.net. Criaram este texto, que foi lido durante o velório, como uma homenagem coletiva dos ex-colegas da Cooperativa de Jornalistas de Porto Alegre, a CooJornal.)


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