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A era dos eventos online: você está mesmo preparado?

Por Ananda Garcia, para Coletiva.net

Sem dúvida, um dos maiores ensinamentos trazidos por 2020 – para além de lavar bem as mãos – é o de estar preparado para realizar atividades virtualmente. E, muito além de simplesmente “realizar”, é preciso ser capaz de rentabilizar esta atividade e alcançar os resultados desejados. 

Dentre tantos setores que sentiram o baque do online vs. offline na indústria da comunicação em meio à pandemia, o setor de eventos talvez tenha sido o principal deles. É verdade que ao longo dos anos o aspecto transmídia dos eventos vem melhorando muito, e é normal contarem com complementos como o streaming em tempo real e o acesso à gravações de palestras. 

Mas e quando o complemento não é suficiente e um evento precisa, não apenas acontecer 100% online, mas também provocar uma experiência sensorial, cognitiva e, obviamente, gerar lucro?

Bom, ainda é possível colocar pessoas – desde que não muitas – em frente a uma câmera, gravar, editar e disponibilizar as gravações unicamente para usuários pagantes. Ou então organizar-se no esquema de lives, para gerar um pouco mais de emoção e interatividade. Ninguém discorda de que o vídeo é um recurso precioso no ambiente digital. 

Mas, indo um pouco além, é preciso que nos façamos uma pergunta. Em termos de experiência consumo de conteúdo, você acha mesmo que os seus olhos valem mais do que os seus ouvidos? 

Na indústria de podcasts, sabemos que não. Inclusive, isso se reflete em pesquisas e na luta dos YouTubers para melhorarem o tempo de permanência do público em seus vídeos. Segundo um estudo da Ad Age, 60% de uma audiência abandona um vídeo nos primeiros dois minutos. 

Já quando se trata de áudio, mais precisamente podcasts, dados da Music Oomph mostram que nos Estados Unidos 80% dos ouvintes assistem a episódios inteiros de um podcast, que na maioria das vezes possuem mais de uma hora de duração. 

A Infinite Dial, pesquisa organizada pela Edison Research nos Estados Unidos, mostrou que o tempo gasto em conteúdo de áudio online em 2019 bateu um recorde, chegando a quase 17 horas semanais – três horas a mais do que a média de 2018. O estudo também revelou que o podcast ganhou 14 milhões de novos ouvintes semanais e 17 milhões de novos ouvintes mensais em 2019. Esses dados estrangeiros dizem muito sobre o que devemos presenciar no mercado nacional dentro de não muito tempo. 

E é por isso que os organizadores de eventos devem também estar atentos ao áudio como uma mídia poderosa para cumprir, no meio online, aquilo ao qual um evento presencial se propõe: proporcionar emoção, conexões, experiência e lucro, na maioria das vezes. 

Desde a era do rádio sabemos que o som é capaz de gerar uma conexão profunda entre apresentador e ouvinte, além da vantagem de permitir que a audiência consuma uma informação enquanto realiza outras atividades,  como lavar a louça, limpar a casa, passear com o cachorro. Mais do que vender ingressos, um evento precisa ser assistido e gerar impacto. Ao facilitar a maneira de consumí-lo, o nível de assiduidade tende a ser muito maior. 

Hoje, com o Brasil se tornando um dos países onde a produção de podcasts mais cresce, segundo dados da Voxnest, temos a certeza de que essa mídia não é um experimento. É uma realidade que veio para ampliar as possibilidades de produção de conteúdo, aumentar o alcance e melhorar a experiência de organizadores e participantes de eventos online. 

Mas como rentabilizar um evento via podcast? 

Se engana quem pensa que um podcast é sempre público e disponível a qualquer um que o procure nos agregadores. A indústria de podcasts entende a necessidade dos produtores de monetizar as suas criações e vem concentrando esforços para melhorar essa tecnologia a cada dia. Alguns exemplos disso são a inserção de anúncios dinâmicos, o gerenciador de anúncios para podcasts e o feed RSS privado – todas já disponibilizadas no Brasil pelo Spreaker, plataforma de hospedagem e monetização de podcasts. 

O feed RSS privado é provavelmente a modalidade que merece mais atenção dos organizadores de eventos. Esse recurso faz com que os agregadores de podcasts, como o Spotify, Apple Podcast e Deezer não encontrem o feed RSS do seu podcast, portanto, o conteúdo não será público. Só terá acesso quem pagar por ele. 

Isso quer dizer que é possível disponibilizar um link de acesso apenas para inscritos. Além disso, assim como acontece em eventos offline, diferentes valores de ingresso podem dar acesso a diferentes ofertas de conteúdo. 

Um evento não quer dizer UM podcast 

Ou seja, em vez de criar um episódio com a totalidade de um evento ou um podcast com uma série de episódios, é possível ir além e criar uma rede em que cada podcast pode representar, por exemplo, o que seria um “palco” do evento presencial. Um exemplo é a criação de um podcast com talks “premium”, o qual apenas um segmento de inscritos terá acesso. Há formas, inclusive, de gerenciar diferentes equipes de produção de podcasts, com diferentes níveis de permissão. 

Faturamento para além do evento 

Ao adotar este formato, as possibilidades de monetização vão para além do pagamento da inscrição. Depois de alguns meses, é possível tornar aqueles podcasts públicos e aderir à monetização programática, para poder inserir anúncios dinâmicos (monetizados via CPM) em um formato semelhante ao que acontece no Youtube. 

Falando em faturamento, lembre-se de que reduzir ou descartar a operação em vídeo também representa redução de despesas e provavelmente mais agilidade na produção, já que o vídeo exige tempo, equipe e muito aparato técnico. 

Interatividade 

O evento ou podcast também pode acontecer em forma de live, contando com a participação do público por meio de chat. Ou seja, a interatividade em tempo real não precisa ser perdida. Depois da live acontecer, o evento se transforma automaticamente em um podcast. 

Tempos difíceis sempre causaram uma “seleção natural” em diferentes segmentos da economia. Hoje sobrevive com mais facilidade quem já atua em negócios online, mas sobrevive ainda mais forte quem consegue se adaptar com sucesso a uma nova realidade. Portanto, se você passa pelo desafio de reformular um evento presencial, considere o áudio como uma possibilidade e seja bem-vindo à era dos podcasts. 

Ananda Garcia é jornalista e especialista em Comunicação e Marketing no Spreaker.

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