Recentemente uma amiga jornalista do interior do Estado revelou que pretende mudar-se para Florianópolis. O marido passou em um concurso público e já está no novo endereço. Ela, no entanto, mantém o emprego gaúcho. Como faço nestas ocasiões pedi para enviar o currículo e passei a vasculhar a lista de contatos até descobrir três amigos fraternos que residem na “ilha da magia” há anos. São dois jornalistas e um publicitário.
Na tentativa de ajudar colegas de trabalho lembro de quando cheguei da colônia para morar em Porto Alegre com o sonho de ser jornalista. Para minha decepção o primeiro emprego não tinha nada a ver com o que idealizei. Pelo contrário! Era o dia inteiro de muita burocracia como auxiliar de departamento pessoal. Isso me deixou muito frustrado e deprimido.
Dois anos depois finalmente surgiu a oportunidade ao responder o anúncio de uma vaga em Santa Cruz do Sul no Grupo Gazeta. Não conhecia ninguém na cidade, mas me aquerenciei e foram dois anos muito aprendizado, inúmeras amizades e ótimas recordações. De lá fui para o Grupo Independente, de Lajeado, e só depois voltei à capital como repórter da editoria de Geral da Zero Hora, sob a batuta da mestre Núbia Silveira.
Fazer analogia sobre épocas diferentes é injusto. Mas lembro que as funções da comunicação eram bem definidas. Eu era “canetinha, o cara de jornal, de texto e que nunca aprendeu a fazer foto. Já naquela época – pelos idos de 1987 – o mercado era restrito, mas havia vários jornais diários e Porto Alegre contava com inúmeras sucursais de jornais e revistas de circulação nacional.
O profissional do mundo virtual “joga nas onze”. É multimídia embora receba um “uni-salário” (assim, separado para compreender melhor). Ninguém mais estranha. Afinal, já o anúncio da vaga contém todas as exigências – como produzir conteúdo, gerenciar redes sociais, fazer fotos e clipagem e até desenvolver ações de RP interno. É um trabalhador preparado para desenvolver todas as ações que exijam conhecimentos como jornalista, publicitário e relações públicas.
Com a onipresença das mídias sociais e o fim da exigência do diploma o nosso ofício se misturou a várias outras atividades. Temos lobistas (assumidos ou não), assessores parlamentares e outros que fazem da comunicação trampolim político e para outras atividades menos nobre.
Manter o juramento da colação de grau é um desafio cada vez mais difícil. Para sobreviver sob a tutela deste vício de escrever fazemos sacrifícios inimagináveis. Mas mantenho na memória o saudoso Antoninho Gonzales que repetia:
– Quantos jornalistas tu conheces? E quantos destes são realmente bons? Então observa este monte de gente que consegue sobreviver, mesmo sem vocação e vontade…
E não é que ele tinha razão?
Gilberto Jasper é jornalista.

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